

 PRLOGO




PRLOGO.

        Vou logo avisando que se voc no leu a ltima fic, no deve ler esta
ainda, ou no vai saber quem  Mina Moore. No  uma personagem nova,
mas a Willy desmemoriada seqestrada por uma fadasombra na noite da
estria de Teatro de Hogwarts, durante o Baile (em "Harry Potter e as
fadas arrepiadas"). As tais fadas arrepiadas se enganaram porque
disseram a elas que um estudante de Hogwarts seria seqestrado... com o
histrico de Harry, em quem voc apostaria?

        Mas quem foi seqestrada foi Willy, e por sua av, que queria
proteg-la de algo que ningum sabe do que se trata. A me de Atlantis
Fischer o abandonara quando ele ainda era um menino, fugindo de
Voldemort, que queria apossar-se da garra da sombra, que torna possvel
abrir um portal para qualquer reino do mundo das fadas.

        Mas nem tudo foi tristeza: Hope, filha de Sirius e Sheeba, nasceu. Rony
fez tanto sucesso em sua estria no Teatro que foi convidado para atuar
em um filme bruxo, que seria rodado pelo genial Daniel Dubois no vero.
Falando em Rony, parece que desta vez ele conquistou Hermione de vez.
Draco e Sue se entenderam, assim como o inesperado casal formado por
Neville Longbotton e Gina Weasley. Onde encontramos Harry? Na casa dos
trouxas, lendo sua correspondncia perto do derradeiro dia na casa dos
tios (aleluia!!!!!)

        O nome da histria? Por favor, no se assustem...  a ltima, merece um
ttulo imponente:

HARRY POTTER E A SENTINELA DOS ERRANTES

FANFIC PARA HARRY POTTER POR ALINE CARNEIRO

CAPTULO 1- CARTAS:

        Sete corujas entraram pela janela de Harry ao mesmo tempo naquela
manh, faltavam alguns dias para seu aniversrio e ele ficou surpreso.
Seu corao deu uma ligeira acelerada... e se houvesse uma carta de
Willy? Comeou a abrir um a um os envelopes, com uma certa ansiedade,
lendo seu contedo:

         "Harry

         uma droga isso, mas no vou mesmo poder passar o resto das frias com
vocs. Nem bem mandei a coruja para o tal Daniel Dubois e apareceu um
agente aqui na porta com um contrato para eu assinar. Acho que afinal
duzentos galees no deve ser nenhum cach de outro mundo, mas  mais
dinheiro que eu ganhei em minha vida toda, e  lgico que eu aceitei...
o filme se chama "A Maldio do Celacanto" e conta dezoito histrias
diferentes... o que  um record. Estamos rodando em Londres e eu estou
em um hotel! O Diretor quer finalmente ganhar o Merlin (j falei deste
prmio que do para os melhores filmes bruxos?) de Diretor, que ele
nunca conseguiu, mesmo tendo faturado a estatueta de filme sete vezes, e
acha que com este filme consegue. Lendo o roteiro d apenas para ter uma
vaga idia das histrias. Eu apareo muito pouco, o nome do meu
personagem  Kenny, mas o mais chato  que eu tenho uma morte horrvel
em cada uma das histrias. Espero que este filme me d uma oportunidade
melhor em outro. Eu gosto de ser ator, e agora que aquele cretino do
Lockheart abandonou Hogwarts para aceitar a vaga na pera dos Vampiros,
eu acho que no teremos mais peas por l, o que  uma pena. Te vejo 21
de agosto, quando acabam as filmagens.

Rony

PS: Acho que Fred e Jorge vo pegar voc na casa dos seus tios."

 

        Harry releu a carta de Rony rindo... afinal de contas no era todo dia
que um amigo aparecia no cinema, ainda mais num filme com dezoito
histrias. Harry esperou sinceramente que Rony ganhasse ainda mais
dinheiro pelo prximo filme, se havia algum no mundo que merecia se dar
bem na vida, esse algum era Rony. Abriu o segundo envelope:

 

As Famlias

Clearwater e Weasley

Tem o prazer de convidar para o casamento dos seus filhos

Penlope e Percy

Que realizar-se- na capela de Hogsmeade, no dia 13 de setembro, s
17:00

Os noivos convidam para a recepo posterior no grande salo do castelo
de Hogwarts, onde recebero os cumprimentos.

        Percy era o primeiro dos Weasleys que se casava. Embora Gui
aparentemente tivesse um "rolo" com uma garota com cara de Veela chamada
Fleur Delacour, Harry achava que no parecia exatamente o tipo de
relao que acaba em casamento, pois como toda meio-veela, Fleur era
muito inconstante. Carlinhos o outro irmo mais velho, vivia sendo
queimado por Drages, o que provavelmente afastava qualquer eventual
candidata, e os gmeos, formados em Hogwarts h um ano, eram malucos
demais para namorar srio. Ele riu pensando nos dois com um pouco de
saudade e abriu a carta seguinte, que era deles:

         Prezado, alis prezadssimo Harry...

        Comunicamos que iremos apanh-lo na vspera do seu 17 aniversrio no
lugar de Sirius, combinamos com ele que iramos lev-lo para uma pequena
comemorao, mais apropriada para jovens, se  que voc nos entende. No
se preocupe, vai ser emocionante.

        

        Algo nesta frase desagradou Harry. Parecia que os gmeos o bajulavam, e
eles s faziam isso quando iam aprontar alguma.

         No se preocupe. Sirius sabe de tudo, ele provavelmente vai
escrever-lhe para dizer... ele at nos emprestou a moto dele para irmos
busc-lo...

        Decididamente, havia algo errado nesta histria.

         Ento... nos vemos em 29 de julho. At l.

Fred e Jorge

        Harry procurou a carta que seria de Sirius, para conferir se realmente
ele permitira essa histria. Achou o envelope com o timbre dele e abriu.
Reconheceu em outra carta o timbre de Sheeba, e resolveu l-la depois.

        Harry

        Fred e Jorge Weasley vo busc-lo dia 29 em minha moto, com a minha
autorizao. No  nada demais, acho que eles querem lev-lo a uma
festinha de jovens. No me opus, afinal est na hora de voc se virar um
pouco sozinho, no  mesmo? Depois eles trazem voc para c.

        Um abrao, 

        Sirius.

        Sentiu-se um pouco mais tranqilo, um pouco. Resolveu ler a carta de
Sheeba:

        Harry,

        No beba NADA que Fred e Jorge Weasley te oferecerem. 

        Um beijo da sua madrinha,

        Sheeba

        "Obrigada, Sheeba"  ele pensou, rindo. Provavelmente eles iriam dar a
ele alguma poo maluca da sua loja de brincadeiras que o transformaria
em algum bicho horrvel. Era bom ter uma madrinha que sabia ver o futuro
com um toque e que tinha em seu poder uma pena de escrever que lhe
pertencera para monitor-lo.

        A sexta carta era de Hermione, animada com as tarefas de frias de
monitora e dizendo que no iria a Hogsmeade porque tinha algumas coisas
srias a fazer em Londres (Harry achou que ela estava disfarando, mas
que na verdade iria ficar em Londres vigiando Rony para ver se ele no
saa com nenhuma artista). Eles se encontrariam em Hogsmeade em 21 de
agosto.

        Ele ento abriu a ltima carta e teve um choque. Havia apenas uma frase
escrita:

         "Esquea-a, ela j te esqueceu"

        Ficou minutos interminveis olhando para aquela carta, sabendo que
"ela" era Willy. No podia acreditar que ela havia lhe esquecido. Tambm
no podia saber porque algum lhe escreveria anonimamente sobre Willy.
Decidiu guardar a carta e mostr-la a Dumbledore, afinal era a primeira
notcia sobre Willy em quase quatro meses.

        A milhares de quilmetros dali, Mina Moore examinava atentamente uma
pulseira que usava desde que se lembrava de alguma coisa. Era chato
sofrer de amnsia. Mas era pior no conseguir se lembrar direito de seus
pais, mesmo sabendo que convivera com eles at pouco tempo atrs. Tinha
algumas fotos deles num cordo que trazia no pescoo, mas na pulseira,
no havia nada, embora uma colega da escola houvesse dito a ela que
aquele tipo de pulseira costumava guardar imagens como se fossem fotos.
Mas a dela parecia estar com problemas. Depois de muito cutucar a
pulseira, ela apontou sua varinha para ela e perdeu a pacincia, jogando
um feitio de revelao. No surgiu nenhuma fotografia dos pais, mas na
superfcie da pedra surgiu o rosto de um rapaz de culos, cabelos pretos
e olhos verdes. Mina deu um pulo. J vira este rapaz em um sonho. O que
ele estaria fazendo em sua pulseira? Decidiu no perguntar nada para a
av, que era sempre to evasiva quando o assunto era sua vida antes do
acidente que matara seus pais. E afinal, por algum motivo, gostava de
olhar aquele rosto. Seria ridculo se sua av lhe perguntasse quem era.

CAPTULO 2- A "FESTA" DE ANIVERSRIO

        No dia marcado para que Fred e Jorge o pegassem na casa dos tios, Harry
acordou e esvaziou todo o armrio, deixando para trs apenas aquilo que
ele no queria mais. Se no precisava mais voltar  casa dos Dursleys,
era melhor que levasse logo tudo, assim, depois que se formasse podia
tomar o rumo que quisesse na vida. Olhou-se pela ltima vez no espelho
do quarto.

        Harry era agora um rapaz alto e muito magro, crescera demais no ltimo
ano. Estava com mais de 1,80m de altura. Se ele no soubesse como acabar
com elas, seu rosto teria algumas espinhas, mas ele sabia um feiticinho
inofensivo que lhes dava um fim. Comeara a fazer a barba tambm durante
as frias, porque os pelos que cresciam agora desordenadamente no seu
queixo e sobre seus lbios eram bastante incmodos. Algumas coisas no
haviam mudado nada em sua aparncia: cabelos, que continuavam rebeldes e
despenteados e os culos redondos. Harry tirou os culos por um instante
e ficou olhando sua imagem embaada sem eles. No era muito melhor, na
sua opinio. Ps de volta os culos e olhou rapidamente a cicatriz em
forma de raio que tinha na testa, lembrando-se que h muito tempo no
sentia nenhuma dor nela. Isso significava que pelo menos por enquanto,
Voldemort estava bem longe.

        Desceu as escadas e chegou  cozinha, onde Tio Vlter e Duda estavam
sentados na mesma posio lendo o jornal com a mesma cara, cada um em um
lado da mesa. Nenhum dos dois levantou o rosto quando ele entrou, nem
tia Petnia voltou-se do fogo onde preparava o caf da manh. Harry
sentou-se e deu bom dia, sendo ignorado como sempre. Quase
instantaneamente, sua tia ps na sua frente um prato cheio de ovos com
bacon. Nunca, desde que fora viver com os Dursleys, eles haviam dado a
ele tanta comida. Duda olhava insatisfeito para o prato do primo. Seus
pais ainda tentavam faz-lo perder peso, mas ele continuava gordo,
talvez agora mais ainda, com o rosto cheio de espinhas do chocolate que
ele escondia e que eventualmente tia Petnia achava. 

        Se Harry podia comer mais que ele era APENAS porque eles se lembravam
bastante das ameaas de Sirius, que viera buscar Harry no ano anterior,
de transform-los em cogumelos caso o achasse muito magro quando
voltasse para busc-lo de novo. Ele riu e comeou a comer, lembrando da
cara de Tio Vlter pelo vo da escada quando Sirius avanou para ele
transformado em cachorro. Ao ver o sobrinho sorrindo, Tio Vlter
perguntou:


        . Posso saber do que est rindo, garoto?

. Lembrei de uma piada que meu padrinho me contou  disse Harry,
com a cara mais inocente do mundo, o que fez tio Vlter enfiar de novo a
cara no jornal.


Harry achara melhor no contar ao tio que desta vez no seria Sirius que
viria busc-lo, talvez porque isto lhe garantia um tratamento
ligeiramente melhor que o habitual. Enquanto comia, ia pensando aonde
afinal os Gmeos Weasley tinham a inteno de lev-lo. No os via desde
o dia da pea de Rony, quando eles haviam contado as novidades sobre as
suas invenes de jogos e brincadeiras, que estavam bastante difceis de
patentear. Para desgosto da Sr Weasley, eles insistiam em comercializar
aquelas coisas de mau gosto que inventavam, a ltima fora a bala de
lobisomem, que fazia a cabea da pessoa se transformar por alguns
minutos na cara de um lobo. Eles estavam estudando um caramelo de
assombrao e um chiclete poltergeist, que fazia as coisas em volta de
quem o mascava sarem voando. Mas o ministrio no estava com muito boa
vontade de conceder a licena para estas coisas, o que os deixava
bastante chateados.

O dia passou tranqilo. Harry escondeu-se no seu cantinho de sempre,
lendo o exemplar do Profeta Dirio que Rony lhe mandara e que tinha uma
reportagem sobre o filme que ele estava rodando em Londres. Rony era
citado em uma frase: "A jovem revelao Ronald Weasley, um grande amigo
de Harry Potter, comparece em todas as verses, no papel de Kenny, a
eterna vtima do Celacanto". Harry sentiu-se insatisfeito em ser citado
como amigo de Rony, achava que o amigo tinha muito talento e um brilho
prprio, no precisava ser eternamente o amigo do garoto que
sobrevivera.

Quando o barulho da motocachorro pde ser ouvido l fora, Tio Vlter,
Tia Petnia e Duda correram para se refugiar no andar de cima sem mesmo
dizer-lhe adeus. Harry ainda pensou em dizer alguma coisa, mas
simplesmente no deu tempo. Deu uma ltima olhada naquela casa, com
especial ateno para o armrio debaixo da escada, onde vivera toda sua
primeira infncia. Sorriu e disse adeus para a casa, arrastando para
fora o velho malo e a gaiola de Edwiges, para dar de cara com os gmeos
Weasley e a moto de Sirius, que roncou alegremente ao v-lo.

Os gmeos agora eram bem altos, mas continuavam com a mesma cara de
garotos travessos da poca de Hogwarts. Talvez para distinguir-se de
Fred, Jorge estava deixando crescer o cabelo, que escorria pelos cantos
de sua cabea cheio de pontas, algumas mechas de vez em quando
escorregavam pelos seus olhos. Eles vieram fazer-lhe festas, o que o
deixou ainda mais desconfiado:

- Harryzinho, nosso amigo...  disse Jorge  Como foram suas frias de
horror?


. Pronto para a melhor comemorao de aniversrio da sua vida? 
completou Fred, num tom melfluo que no camuflava nadinha suas
provavelmente pssimas intenes. Harry olhou-os com reservas, e
respondeu:

. Eu no sei o que vocs dois pretendem... mas quero deixar bem
claro que no estou gostando disso. 

.  um velho ritual da famlia Weasley... Rony tambm passou por
ele h algum tempo atrs... antes de Hermione comear a pegar no p
dele.  Jorge disse, confiante enquanto empurrava o malo de Harry para
a moto. Olhou para os dois lados e deu uma ligeira encolhida no malo
com a varinha, sorrindo  Hum,  bom ser maior de idade e poder fazer
estes feiticinhos bobos em paz.  soltou Edwiges, dizendo: - V direto
para a casa de Sirius e Sheeba, amanh a gente se encontra l.  a
coruja sumiu no cu e ele encarou um cada vez mais desconfiado Harry:

        . Aonde ns vamos, posso saber?

. Faz parte da surpresa, garoto... no queremos estragar a
surpresa.  Fred empurrou-o na direo da moto, e os trs subiram, com
alguma dificuldade, mesmo sendo enorme, a moto de Sirius ficava um pouco
pequena para trs pessoas e um malo, mesmo um pouco encolhido. 
Enlargio!   Disse Fred, aumentando-a um pouco. Eles deram a partida e
rumaram velozmente para a estrada. Ao levantarem vo, Jorge fez que a
moto ficasse invisvel, e tentou entabular uma conversa com Harry, que,
desconfiado, respondia monossilabicamente.


Cerca de uma hora e meia depois chegaram a uma casa muito grande, com um
pntano nos fundos e uma rvore gigantesca na frente. Um letreiro
luminoso que parecia de non, mas na verdade era mgico, dizia em letras
rosadas do tamanho de um homem: "A CASA DA RVORE  Diverso Noturna
para Bruxos". Algo na casa no agradou Harry. Tinha uma cara terrvel de
inferninho, e de l saa uma msica ensurdecedora. No lembrava em nada
o Substudio 54 a ltima boate onde estivera.


. Aqui  o paraso  Disse Fred bastante animado  O melhor 
que se os trouxas passam por aqui vem s uma velha casa abandonada.

        . E l dentro  muito animado.


        Na porta havia um letreiro que dizia: "Proibido para menores de 17
anos". Harry achou que fosse ser barrado, mas entrou sem dificuldade. Na
verdade, era uma boate como outra qualquer, e estava apinhada de gente
jovem. Se era s isso, tudo bem. Havia uma quantidade bem grande de
bruxinhas jovens e de aparncia bem liberal. Uma garota de cabelos
pretos muito maquiada chegou perto de Harry e disse:


        . Ei... voc  novo por aqui.

. Sai fora, scubo!  disse Jorge para a garota, que saiu
flutuando pelo teto  alma penada  disse ele dando um significativo
olhar de "confie em mim", para Harry  elas conseguem parecer bem reais
at a hora H, se  que voc me entende.


        Harry deu de ombros, no estava ali para arrumar garotas, s estava
tentando ser educado, afinal eles o haviam convidado.


. No se preocupe com a conta, Harry.  disse Fred  estamos com
os bolsos forrados de galees novinhos em folha... acabamos de vender a
patente da bala de lobisomem para uma empresa de brincadeiras
americana... eles so muito mais inteligentes comercialmente que o
pessoal daqui... d lucro? Ento h forma de comercializar.

. Acho que vamos nos mudar para Amrica  completou Jorge.
Queremos ficar ricos!

        . Riqussimos!

. Isso merece um brinde! Trs cervejas amanteigadas, doura! 
Disse Jorge para a garonete que servia no balco. 


        Lembrando-se da carta de Sheeba, Harry pensou numa forma de livrar-se
da cerveja, mas a pensou que se era algo que eles iam colocar na sua
bebida, bastava que ele bebesse bem rpido e eles no teriam tempo de
colocar nada. E foi isso que ele fez. Fred e Jorge olharam-se
satisfeitos, como que aprovando o comportamento dele.


        .  isso a, tigro!

        . Assim  que se faz!

. Vamos acompanhar voc!  Eles disseram quase ao mesmo tempo e
viraram seus copos de cerveja, pedindo outro logo a seguir. 


         claro que uma cerveja amanteigada, que quase no  alcolica, no
embebeda ningum. Mas depois que este ritual se repetiu, pelas contas de
Harry, umas dezoito vezes, ele estava se sentindo ligeiramente tonto, e
ficara cada vez mais mudo, apenas assistindo as bravatas de Fred e
Jorge, que continuavam falando alto e mexendo com as garotas que
passavam. Harry comeava a se sentir meio sonolento e enjoado. Foi nessa
hora que ele sentiu que algum encostava no balco ao lado dele. Ele
olhou e viu que era uma garota muito loura, que sorria para ele.


        . Ol...  ela disse, prolongando bastante a ltima slaba.

. Oi  disse Harry, percebendo que seus culos estavam embaados
e retirando-os para limpar. A garota na sua frente virou um borro.

        . Voc est sozinho?

. No, estou com uns amigos  ele disse apontando para Fred e
Jorge e percebendo que os dois estavam agarrados com duas garotas bem
parecidas com a que puxava assunto com ele. A garota riu.

. No foi isso que eu perguntei... eu queria saber se tem alguma
garota contigo.

. Ah, no. A no ser voc, n?  Harry disse, tentando por os
culos de novo

. Ah... fique sem culos, voc fica to bonitinho sem eles.  se
a garota no parecesse to interessante, Harry ficaria intimidado pelo
comportamento dela. Ainda pensou em Willy. Mas ela havia sumido... no
havia nada demais em conversar, no  mesmo? Ou ele conversava com a
garota ou ficava sozinho, j que Fred e Jorge estavam ocupados demais
com as outras duas louras. Harry sorriu:

. Voc acha? Eu nem sei como sou sem os culos... no d para
ver no espelho

. Kakaka  a garota riu, e Harry deu um pulo, s Willy ria
assim. Ele olhou para o lado e viu que era Willy. Ps os culos
rapidamente e a garota virou de novo a lourinha embaada de antes  Voc
est bem?  Ela perguntou.

        . Mais ou menos... eu acho que ando vendo coisas.

        .  mesmo?  a garota era extremamente atenciosa  conte-me.


        Mesmo achando que no era a hora e o lugar, Harry comeou a contar
histria de como conhecera Willy, e de como os dois haviam namorado, a
menina disse que no ouvia muito bem, e foi arrastando-o para fora do
salo, de repente estavam subindo uma escada, sempre com Harry falando e
a garota aparentemente prestando toda a ateno do mundo, ela abriu uma
porta quando ele estava falando sobre como Willy ainda no dera
notcias. Ele olhou assustado ao perceber que haviam entrado num quarto
e virou-se para dizer alguma coisa, no exato instante que ela se tornou
Willy. Harry ficou mudo. A garota apagou a luz e Harry sentiu que algum
o beijava no escuro. Por talvez uns vinte segundos, se entregou ao
beijo, pensando em Willy com um pouco de pena de si mesmo.

        Ento uma luz na sua cabea se acendeu, e ele afastou bruscamente a
garota de si, olhando nos olhos dela para encarar dois olhos amarelados
de pupilas fendidas. A pouca luz que entrava pela janela do quarto era
suficiente para que ele no se enganasse, no era uma garota. Era uma
Veela. Ela o encarava com um sorriso cnico, um olhar meio desafiador e
disse:


        . Vai desistir? 

. V para o inferno!  Disse Harry furioso. Ia sair pela porta,
mas teve uma idia ao ver os galhos da grande rvore que batiam na
janela pelo lado de fora... no ia avisar aos Weasleys, nem estragar sua
festinha... ia deix-los ali e ia embora. Eles que desaparatassem
depois. A veela ficou olhando incrdula enquanto ele saa.

. Me disseram que voc era estranho, mas eu no imaginei que
fosse tanto...  ela disse num tom montono que lembrava
desagradavelmente o tom de voz de Draco Malfoy. Ele olhou-a do galho e
disse:

. Ganhei prmio de esquisitice. No diga que fui embora, e
arranque um bom dinheiro daqueles dois. Eles merecem.  A veela sorriu e
ele pendurou-se no galho, equilibrando-se para passar a um mais baixo,
No acreditou quando viu que tinha alguns casais pendurados na rvore
tambm. "Ser que eu sou o nico aqui que no est desesperado para
fazer sexo?" ele pensou. Antes de atingir o solo, ainda esbarrou em
alguns casais, at que finalmente seus ps tocaram o cho. 


        O esprito scubo que o abordara na entrada estava encostado na rvore,
e disse:


        . Quer mais emoo que uma veela pode oferecer?

. Ah, no enche!  ele disse, rumando em passos decididos para a
moto de Sirius, adormecida a alguns metros da rvore. Pegou um dos
capacetes sobre o banco e disse a ela:

. Me leve embora para a casa de Sirius, motocachorro! - O motor
soou um pouco indeciso e ele disse: - Vamos logo!


        A moto embicou para o cu e o ar da noite dissipou o ltimo vestgio de
tontura das cervejas amanteigadas que tomara. Aos poucos, Harry comeou
a achar graa naquilo, principalmente ao imaginar a cara dos Weasleys ao
perceber que ele fora embora com a moto.

 

 

 

 

CAPTULO 3- QUANDO HARRY SE MACHUCOU NAS FRIAS

        Hogsmeade apareceu subitamente l embaixo na forma de algumas luzinhas
bruxuleantes. Contra o horizonte ele podia ver a silhueta do castelo de
Hogwarts. A moto desceu e contornou uma colina, parando bem em frente 
casa de Sirius e Sheeba, buzinando. Sirius apareceu, com uma cara
confusa:


. Mas o que voc est fazendo aqui, Harry? Eu s o esperava
amanh!

. Digamos que eu ache que tenha o direito de escolher onde e
como vou fazer alguma coisa com uma garota, Sirius.  Harry encarou o
padrinho srio.

. Bem que Sheeba me disse que voc no ia gostar...e os
Weasleys?

. Deixei-os l  Harry deu de ombros  eles estavam bem
entretidos com umas veelas. Com certeza vo aparecer aqui depois para me
xingar um pouco.


        Sirius fez com que ele descesse da moto e subiu, pois era o nico que
conseguia por a motocachorro na garagem sem acabar mordido por ela.
Entregou a Harry a chave da casa e ele entrou. 

        Sheeba estava sentada na sala com Hope no colo, fazendo-a arrotar,
Smiley, sentado num banquinho ao lado, tricotava, parecia ter pego gosto
pela coisa. Sheeba aninhou o beb no colo e sorriu para Harry quando ele
entrou:


. Vejo que voc no caiu na armadilha que aqueles patetas
armaram para voc

. Na verdade, eu bebi bastante, Sheeba. S que consegui sair de
l antes que uma veela me agarrasse


        - Por isso que me orgulho de voc! Depois eu vou ter uma conversinha
com o seu padrinho por causa disso.

        Sirius j vinha da garagem com uma expresso ligeiramente culpada.
Harry achou que a conversa que Sheeba ia ter com ele j devia ter tido
uma prvia antes dele ter chegado. Sirius deu uma batidinha de leve no
ombro dele e ele olhou-o meio contrariado. Sheeba entregou-lhe Hope e
disse que precisava falar rapidamente com Sirius, e ele viu os dois
sarem por uma porta lateral, que como sempre ele no sabia onde ia dar.
Smiley carregava suas coisas de um lado para o outro, perguntando-se em
que quarto Miss Sheeba colocaria o hspede. Depois perguntou se ele iria
jantar e ele disse que no havia comido, o que fez o elfo disparar para
a cozinha. Harry deu de ombros. Comeou a dar ateno ao beb em seu
colo. Desde que se lembrava, Hope era o primeiro beb que pegava no
colo. Ela era realmente muito parecida com Sheeba, mas tambm tinha algo
de Sirius, que ele no sabia precisar exatamente o que era. Ficou
olhando-a, enquanto ela brincava com as prprias mozinhas. De onde
Sheeba e Sirius estavam podia ouvir fragmentos da bronca que Sheeba dava
em Sirius:

        - Quantas vezes eu tenho que te dizer Sirius... pois , aqueles dois...
Voc no tem vergonha? Ser cmplice deles num plano destes? E ningum
consultou Harry para saber se ele queria, e eu tenho certeza que ele no
queria, tanto  que fugiu de l. Voc pensa que ainda estamos na idade
mdia Sirius? No, no acho que isso o ajude a superar o problema...
porque vocs pensam que isso pode resolver um problema como estes? Ainda
mais com uma maldita veela!

        Harry s vezes ria da preocupao da madrinha, realmente, ele no
gostara do que os Weasleys haviam feito, e com certeza se sentiria meio
chateado com Sirius por algum tempo. No se sentia embaraado por no
ter feito nada com a veela, no sentira vontade.  verdade que ele
chegara a imaginar como seria o dia em que ele e Willy finalmente se
sentissem seguros para tentar algo, e em algumas ocasies a desejara
muito, mas sempre soubera que ainda no era a hora. Ele gostava de estar
com ela e a queria muito, mas preferia respeit-la, afinal ela era mais
jovem que ele, quase uma menina, e se ele a amava, tinha que saber
esperar.

        Ia divagando enquanto sorria para o bebezinho em seu colo. Ela sorriu e
ele no pde deixar de retribuir. Mesmo sendo muito pequena e
desdentada, quando ela sorriu Harry percebeu que era nisso que ela se
parecia com Sirius. Ela agora parecia querer algo para brincar, mas
Harry no viu nada  mo, nem um chocalho. Ento, segurando-a com o
brao direito, levantou a mo esquerda e deu ao beb sua mo, para que
ela brincasse.

        Quando a menina tocou o dedo de Harry, parou. Harry viu o rostinho
infantil mudar-se do tom casualmente satisfeito de beb alimentado para
uma expresso de medo, e finalmente abrir a boca num choro infantil alto
e amedrontado. Quase imediatamente Sheeba apareceu, seguida de perto por
Smiley. Harry, sem graa disse:


        . Acho que ela est com fome ou coisa parecida.

. No, eu acabei de amament-la  Sheeba olhava para a mo de
Harry que o beb segurava, um pouco preocupada  ela comeou a chorar
quando tocou em voc?

. Foi  Harry sabia o que significava, todo mundo havia
comentado o fato de Hope ter nascido com o toque de Prometeu. Sheeba
andou at ele e tirou Hope de seus braos. Em segundos ela parou de
chorar. Sheeba embalou-a um pouco e ela adormeceu. A me colocou-a num
carrinho que estava na sala e veio na direo de Harry, tocando seu
rosto apreensiva. Retirou a mo quase imediatamente.

. Harry  disse ela  h um perigo muito grande rondando voc.
Temos que descobrir o que , mas enquanto isso, use a veste protetora
que eu te dei o maior tempo possvel. Ela te proteger.

. Tudo bem  Harry correu para pegar a veste. No caminho viu
Sirius com sua cara preocupada. Por algum motivo, achou que estas frias
no seriam to divertidas como as ltimas, sabiam que no poderiam
viajar, mas no calculava que seria to preocupante assim.


Depois de vestir a roupa protetora, Harry aproximou-se de Sheeba e
Sirius, que o olhavam preocupados:


. Harry  disse Sirius  em primeiro lugar quero te pedir
desculpas pelo incidente dos gmeos  Harry fez um gesto de "deixa pra
l"  No. Eu devia ter te perguntado primeiro, no tenho direito de
tomar decises por voc, principalmente agora que voc est se tornando
um homem. Mas de qualquer forma, voc sabe que este ano ser decisivo...
eu no quero que nada te acontea. J basta o que aconteceu aos seus
pais. Por favor, tome muito cuidado e s tire esta roupa no tempo mnimo
necessrio, est bem?

. Est bem, Sirius  Harry concordou, pensando em qual poderia
ser este perigo to grande. Mas logo depois, Sirius mudou um pouco de
tom:

. Bem, voc sabe que no podemos viajar, e voc est sozinho
este ano, no pde trazer seus amigos, mas de qualquer forma, voc pode
se sentir livre para fazer o que quiser. Vamos treinar bastante
quadribol nestas frias. Mas antes voc precisa comer, como sempre, est
magro demais.

. No foi por falta de comida... meus tios fizeram de tudo para
que eu comesse mais que Duda. Medo de voc.  Smiley depositou diante
dele, que j sentara na mesa posta, uma quantidade exorbitante de
comida. Comeou a comer e ento lembrou-se da carta annima. Assim que
terminou de jantar, entregou-a a Sheeba, que leu e depois de revir-la
nas mos disse:

.  verdadeira a carta, mas a av de Willy sabe de mim. Willy
nunca tocou este pergaminho, e a av est sob feitio de confuso. Posso
apenas te garantir que elas realmente esto do outro lado do oceano, em
algum lugar da Amrica.


Mina estava de frias tambm, na casa de sua av. Era muito chato no
ter o que fazer. J havia feito a maior parte dos deveres das frias e
ela no tinha muitos livros ali para ler. A casa de sua av era nos
fundos de um bar na beira de uma estrada do deserto. Paravam muitos
bruxos ali todos os dias, e isso lhes garantia sustento, o bar era
antigo e conhecido, sua av o mantinha h mais de vinte anos. Tambm
vendia poes. s vezes entrava algum trouxa, que comia algo, bebia um
caf e ia embora. Sua av era ajudada por uma bruxa mais nova, a
garonete de nome Jane, mas ainda assim trabalhava demais e quando dava
ateno a Mina, esta no se sentia  vontade, embora a av dissesse que
a conhecia desde menina, no lembrava dela. Era como conviver com uma
estranha. Quase to ruim quanto saber que tivera duas tias que agora
estavam presas.

Mina estava nos fundos da casa, e j que sua av no estava por perto,
bateu levemente sobre a pedra da sua pulseira, revelando a imagem do
rapaz desconhecido. Teria sido um amigo da escola de onde viera? Um
namorado? Um sorriso veio aos seus lbios, ser que aquele menino que
ela achava to interessante pela imagem era seu namorado? Ao olhar para
a imagem associava-a automaticamente com um lago escuro e montanhas
negras. Queria saber quem ele era. Neste momento, ouviu chamarem-na na
porta da cozinha e foi correndo. Eram suas amigas, Sarah e Rose montadas
em vassouras.


. Mina, vamos voar, Sarah conhece uma parte do deserto onde d
para voar de dia!


Mina foi at o bar pedir a av que deixasse ela voar com as garotas, sem
muita esperana. A av olhou-a e disse:

- Pode ir, voc voa muito bem. Pegue a vassoura que est pendurada atrs
da porta do guarda vassoura.  nova e eu comprei para voc. 

Ela saiu correndo e abriu o guarda vassoura. Havia realmente uma
vassoura americana nova em folha, modelo "fada de prata". Olhou-a
maravilhada e mostrou s amigas. Por algum motivo, no gostou do nome.
No sabia porque, mas no gostava de fadas. Atirou a vassoura  sua
frente e saltou sobre ela, disparando para o cu, as amigas ficaram
boquiabertas. Ela em pouco tempo subia e descia pelo cu com elas, que
estavam abismadas (assim como ela) com a sua habilidade. Voavam sobre o
deserto evitando a estrada, as trs usando capas de invisibilidade.
Muitas horas mais tarde, quando chegaram em casa de volta, Rose
disse-lhe:


. Voc vai ter que entrar para o time de Quadribol da nossa
srie. O nosso apanhador  muito ruim.


Mina sorriu. De alguma forma sabia que adoraria jogar Quadribol.

        

        Os dias foram passando bem para Harry. No dia seguinte ao que chegara,
os gmeos aparataram por l querendo estrangul-lo, o que lhe garantiu
muito boas risadas. Mas depois de algum tempo, eles e Sirius foram jogar
Quadribol, em nome dos velhos tempos. No fim da tarde os gmeos
desaparataram sem mgoa nenhuma.

        Divertia-se muito com o padrinho, que se empenhava em tornar aquelas
frias interessantes. De vez em quando Sirius mudava a decorao da sala
para um salo de bilhar e os dois jogavam. Harry aprendeu depressa, mas
no tinha ainda a mesma habilidade de Sirius (embora desconfiasse que o
padrinho s vezes desse uma "ajudinha"  bola com algum feitio).

        O mais divertido ainda era treinar Quadribol, observando Sirius
extravasar sua frustrao por nunca ter sido jogador. Ficavam muitas
horas voando, quase sempre simulando um jogo de quadribol com um pomo de
ouro ensinado. Na tarde da vspera da chegada de Rony, eles ficaram
voando at anoitecer. Quando entraram suados na casa, Sheeba os mandou
tomar banho imediatamente. Havia um procedimento especial para Harry
retirar a veste protetora e tomar banho. Sheeba havia isolado um quarto
e um banheiro com um feitio protetor e o avisava todos os dias para no
ir nem sequer de um para o outro sem a veste. Harry pegou sua toalha no
malo e uma veste limpa, levando-as para o banheiro. Logo depois que
tirou a veste protetora pela cabea, lembrou-se que esquecera de pegar
tambm um par de meias. Com preguia de pr de volta a veste, afinal o
quarto era bem ao lado, saiu rapidamente.

        Uma dor terrvel o imobilizou e ele caiu gritando no corredor,
segurando o ponto no brao esquerdo que doa. Seu grito atraiu Sheeba e
Sirius, que vieram correndo. Do seu brao, numa ferida pouco acima do
cotovelo, saa muito sangue. Eles o arrastaram para o quarto isolado e a
dor parou. Sheeba olhou a ferida preocupada, e usando sua varinha disse
algumas palavras. O sangue parou, mas a ferida continuava l.


. Harry, no h meio de curar esta ferida aqui. Talvez tenhamos
que lev-lo ao hospital St Mungos.

. Afinal o que  isso?  Disse Harry apavorado, olhando a
ferida, grande como um corte de navalha.

        . Uma ferida de vodu.


CAPTULO 4  O PLANO DE DRACO MALFOY

        Draco Malfoy passara todo fim do ltimo semestre em Hogwarts elaborando
um plano para ir aos Estados Unidos encontrar Sue Van Helsing. Sem
sucesso. A possibilidade de seu pai permitir que ele viajasse sozinho
era praticamente nula. Ainda mais para os Estados Unidos, segundo ele, a
runa da magia, com suas prticas desleais de patente e venda de
feitios. Claro, que isso era apenas uma fachada, a Malfoy & Malfoy,
feitios e Cia no sobreviveria com aquela grandeza toda se seu pai no
vendesse feitios e poes para os bruxos americanos, que ele chamava de
"prostitudos". E era por isso que ele recebia tantas corujas dos
Estados Unidos, algumas com propagandas de Escolas de Bruxaria, loucas
para receber um bruxo de famlia tradicional.

        Essas escolas americanas s vezes ofereciam alguns cursos, apenas em
nome da cincia da magia, que na Inglaterra levariam sem pensar seus
idealizadores para Azkaban, sem direito  apelao. Eram cursos rpidos
que ensinavam nada mais nada menos que Magia Negra. O Ministrio da
Magia Americano prezava demais a liberdade de expresso, pois alm das
convenes internacionais de Magia, eles tambm tinham uma carta de leis
prpria, que os protegia de eventuais processos. Assim, pelo raciocnio
do ministrio Americano, qualquer um podia SABER Magia Negra, contanto
que no usasse. Ento, por l pululavam cursos (muitos deles
extremamente fajutos)que ensinavam coisas que um aluno jamais aprenderia
em Hogwarts ou qualquer outra escola sria.

        E foi na mala direta de um destes cursos que Draco achou a resposta
para seus problemas:

"ESCOLA DE FEITIOS SALEMS LOST  NOVA IORQUE" 

CURSOS DE VERO:

MAGIA NEGRA SEM MISTRIOS (apenas teoria)

VODU JAMAICANO (teoria e exemplos)

DESPERTANDO ZUMBIS (prtica controlada)

INCIO: 26 DE JULHO  DURAO  3 SEMANAS

        Depois de muito bajular o pai, que adorava ser bajulado, mesmo que com
elogios falsos, Draco conseguiu convenc-lo que queria muito, mas muito
mesmo comear a aprender artes das trevas. Como era impossvel lev-lo
ainda a uma reunio do "grupo" (que era a forma que Lcio Malfoy chamava
o bando de Voldemort), uma vez que ele ainda no sabia aparatar para o
lugar distante onde eles se reuniam, o melhor seria fazer uma aparente
viagem inofensiva a Nova Iorque e l aprender um pouco do que precisava.
A princpio, Lcio desconfiou bastante do filho, ele no era to bobo
quanto parecia e sabia que a "trouxa irritante" era americana.

        Foi o prprio Draco que desfez as impresses do pai, de forma no muito
louvvel. Perguntou ao pai quem seria a sua prometida. Teve engulhos
secretamente quando o pai disse que era Emlia Bulstrode, uma garota com
cara de buldogue, que estudava com ele. Mas ainda assim, escreveu uma
carta para ela muito cordial, dizendo que adoraria casar-se com ela
assim que terminasse Hogwarts, que ela era uma garota realmente linda,
ainda que incompreendida. Exibiu a carta para o pai, pedindo que
enviasse por uma coruja para ela. O pai quase estourou de orgulho. Tudo
bem, no sobrara nenhuma puro sangue linda como sua esposa Narcissa para
ele, mas ainda assim, o garoto aderia com orgulho. 

        O que Lcio no sabia,  que Draco ficou tocaiando a coruja do lado de
fora da manso, e assim que ela partiu, lanou-lhe um feitio que fez
bicho cair todo duro, as asas presas. Era um bruxo menor de idade, mas
se tinha um lugar que o Ministrio ainda no conseguia xeretar, era a
casa dos Malfoy, ou ele no teria passado a metade da adolescncia
torturando elfos domsticos com feitios de pernas presas, que ele sabia
fazer muito bem. Retirou carta da coruja e a substituiu por uma para
Sue, dando detalhes de como e quando chegaria a Nova Iorque.

        Como at ali dera sorte, Draco deixou que o pai escolhesse o curso que
ia fazer. Tinha certeza que seria um curso fajuto, s esperava que ele
no resolvesse matricul-lo no curso de despertar zumbis... a idia de
entrar num cemitrio e acordar um morto  noite no lhe era em nada
agradvel. O pai escolheu-lhe um curso com um sorriso maligno nos
lbios: Vodu Jamaicano. Draco deu de ombros secretamente. Era s teoria
mesmo. Iria a Nova Iorque pelo Metr Mundial e ficaria num albergue para
bruxos estudantes. As escolas de bruxaria nos Estados Unidos no
funcionavam mais em regime de internato. Eles desprezavam a tradio de
escolas como Hogwarts, e cultuavam a modernidade. Nada como bruxos e
bruxas de ltima gerao.

        No dia da partida, o pai cheio de orgulho chamou-o antes dele partir e
entregou-lhe uma coisa. Uma caixa de vidro com um pedao de pano sujo de
sangue.


. O que  isso  perguntou Draco olhando com muito nojo para o
pedao de pano de aparncia repugnante, um trapo sujo.

. Isso  uma preciosidade. Seu pai coletou isso pensando em
voc, sob risco de vida... eu sabia que um dia voc ia precisar.  Draco
permaneceu mudo, vendo o sorriso do pai passar de maligno a diablico 
Isso  sangue do seu maior inimigo... sangue de Harry Potter.

        . Sangue de Potter?  "Pra que eu quero isso?", pensou Draco.

. Sim... na noite em que o mestre reviveu, Wormtail, aquela
besta, usou uma faca para recolher o sangue de Potter, o que reviveu o
mestre em sua plenitude. O sangue caiu um pouco sobre a pedra onde ele
estava preso. Ele escapou, mas deixou algumas gotas do seu precioso
sangue, que eu recolhi neste pano depois, sem que ningum visse. Agora 
seu, quero que voc use.


        Draco colocou silenciosamente o vidro na mala, pensando em dar um fim
naquilo assim que sasse das vistas do pai. No ia andar com um souvenir
do Harry Potter por a.. O pai devia estar ficando louco mesmo.

        Mas acabou esquecendo o pano com sangue. Dentro do Metr Mundial, Draco
no escondia a ansiedade. Estava com o endereo da escola e teria que
perder quatro horas dirias fazendo o tal curso idiota. Mas valia a
pena. Para ver Sue, valia a pena. A viagem de Metr de Londres a Nova
Iorque durava trs horas no Metr mundial. Era um dos meios mais rpidos
de bruxos que no aparatavam longas distncias viajarem at a Amrica.
Mas era chato, no havia paisagem e o vago que estava era repleto de
bruxos e bruxas medonhamente feios. Draco contemplou feliz sua coruja
negra dentro da gaiola. Quando voltasse a Hogwarts, no precisaria da
coruja da besta do Weasley. Alis, ele no precisava de ningum. Draco
Malfoy naquele momento se sentia o maior.

        Quando chegou a Nova Iorque sozinho e saiu na estao do Brooklyn, onde
ficava a escola, sentiu-se realmente o mximo. Enganara o velho Lcio.
"Que grande babaca  o meu pai!" pensou satisfeito. Era sexta feira.
Iria at a escola, entregaria seu pergaminho de inscrio e teria o fim
de semana livre para ficar com Sue. Que besta era seu pai, deixara-se
enganar. Draco seguiu o pequeno mapa que tinha nas mos. Estava vestido
como um garoto trouxa, de cala jeans, tnis e camiseta. Precisara
comprar este tipo de roupa para andar em Nova Iorque porque os bruxos de
l s usavam vestes em lugares e ocasies especiais. Entrou no beco que
o mapa indicava e virou  esquerda, passando direto por uma barreira que
parecia uma parede pichada.

        Uma escadaria descia direto para o subterrneo. No fim dela, havia um
portal semicircular onde estava escrito: "Salems Lost  Escola de
Bruxaria". Ele atravessou-o e viu que havia um balco, onde uma mulher
de aparncia desagradvel preenchia fichas, fumando um cigarro longo.
Ele aproximou-se e ela olhou-o:


. Matriculado para o vero?  Sorriu, tinha uns dentes
amarelados

        . Sim. Curso de Vodu.

. Vodu ?  A mulher o olhou de cima a baixo e Draco teve a
desagradvel impresso que ela o avaliava. Ela sorriu. Parecia estar
dando bola para ele  Trouxe o material? - Draco sequer olhara a lista,
seu pai se encarregara de comprar o material. Tirou algumas coisas da
valise mgica (que era pequena mas carregava muita coisa) e depositou
sobre o balco. A mulher conferiu e disse:

        . Falta uma coisa. 

        . O qu?  Draco disse olhando-a com desprezo.

        . O desafeto.

        . O qu?

. Ningum te falou que era preciso trazer algo do desafeto? 
Draco sentiu como se lhe dessem um soco no estmago. Essa no! Era para
isso que o pai lhe dera o pano com o sangue do Potter. E agora? Resolveu
entreg-lo e fingiu lembrar-se:

. Ah, sim... est aqui  ficou olhando apreensivo para o pedao
de pano na caixa de vidro, sentido-se antecipadamente mal. No gostava
do Potter, mas no queria mat-lo ou coisa parecida. Prometera a Sue que
se tornaria uma pessoa melhor.

. Segunda feira, s oito  a mulher disse, dando uma grande
tragada no cigarro e piscando-lhe um olho.  No se atrase  ela disse
soprando a fumaa no rosto dele, que saiu enjoado.


"Droga, droga, droga! Se Sue descobre isso, vai me matar. E se algum
descobrir em Hogwarts eu vou ser expulso. Tomara que o curso seja bem
ruim e eu no consiga nem fazer ccegas nele. Se fosse em outra poca,
eu acharia bem divertido faz-lo gritar de dor, mas agora? Eu tenho que
esconder isso de Sue. Ela no pode saber, ou eu estou perdido." Draco ia
pensando no caminho para o albergue, indicado no mapa. Ficava a dois
quarteires da escola. Era um prdio baixo, sem placa. Os trouxas
passavam sem perceb-lo.

Entrou e sentiu um cheiro familiar. Cheiro de gente bruxa, que era
decididamente muito diferente de cheiro de trouxa. Haviam rapazes e
moas em vestes de bruxo, ele rapidamente pegou sua capa e jogou por
cima dos ombros, no queria parecer um trouxa. Chegou ao balco e deu
seu nome,  atendente, uma bruxa meio velha e magricela de culos, com
cara de solteirona. A bruxa atrs do balco comeou a dizer-lhe as
regras, segurando a chave do seu quarto:


. Nada de acender caldeires no quarto, para isso temos a rea
de feitio, no pendure roupas na janela, nem toalhas, tambm no
permitimos que lave roupas na pia do banheiro. Se no chegar at s
23:00, v dormir em outro lugar, porque fechamos a entrada. Se quiser
usar um telefone, use este (Telefone? Isso  coisa de trouxas!) No faa
encomendas de pizza se no for ficar aqui embaixo esperando por elas,
no traga "amiguinhas" e muito menos  ela disse olhando-o por cima dos
culos: - "amiguinhos", entendeu?

. Perfeitamente  Disse Draco contrariado. Teve vontade de dizer
que aquele albergue era o ltimo lugar no mundo onde levaria sua
"amiguinha", mas deixou para l, subiu as escadas e abriu a porta do
quarto, onde havia um beliche. Sabia que era um quarto duplo. Havia um
rapaz no andar de baixo do beliche, lendo uma revista. Era alto e de
ombros largos, o cabelo meio encaracolado louro escuro, o rosto bem
bronzeado e os olhos cor de mel. O rapaz olhou-o quando ele entrou e
sorriu, estendendo a mo:

. Boa tarde! Meu nome  Troy Adams, eu sou de Nevada. Voc 
ingls?

. Draco Malfoy  Draco apertou a mo do outro, srio.  Sou, sou
ingls.

        . Como so as escolas na Inglaterra? 

        . Normais. A gente aprende algumas coisas, feitios poes...

        . Em que escola voc estuda?

        . Hogwarts.

        . No  nessa escola que estuda Harry Potter?

. ,   Draco disse contrariado  E ele no  nenhuma
maravilha,  um cara bem chato.

        . Nossa, voc parece que no gosta dele.

. Ele  um idiota, acredita que ele tem chiliques e bate a mo
na testa dizendo  aqui fez a imitao mais afetada possvel de Harry -
"Oh, minha cicatriz, est doendo!" quando acha que est em perigo? E no
fim do semestre passado? Todos os professores ficaram bajulando aquele
babaca porque seqestraram a namoradinha dele, que  outra insuportvel.
Ele  muito protegido, tem dois parentes que so professores. No tem
nada para ser to famoso.

. Se ele viesse para c ficaria rico, cara. O sujeito  uma
celebridade e nem sabe que tem fs americanos. Vendem souvenirs dele,
alguns o adoram como a um deus.

        . Se vocs o conhecessem, veriam que ele  uma decepo.

. E o bruxo que ele derrotou? Sabe que at hoje eu no sei o
nome dele?

. "Voc sabe quem"? H, este  outro imbecil... se te interessa
tanto saber, o nome dele  Voldemort. Como algum pode se deixar
derrotar por um beb?


Troy olhou Draco, positivamente impressionado. Ele se sentiu um ingnuo
bruxo do interior americano, insignificante diante de um bruxo ingls,
estudante da escola de bruxaria mais famosa do mundo, que ainda falava
do famoso Harry Potter como se ele no passasse de um garoto bobo, alm
disso, Draco no tinha medo daquele bruxo que ele nunca soubera o nome
simplesmente porque seus pais eram medrosos demais para lhe contar.
Naquele momento Troy Adams achou que havia encontrado algum para
admirar.


. Quantos anos voc tem?  Ele perguntou a Draco, que olhava-o
cinicamente

        . Dezessete, e voc?

. Vou fazer dezessete em setembro. Estou no stimo ano na escola
Desert Stone.  uma das seis escolas daqui que o ministrio de vocs
reconhece. Vim a Nova Iorque fazer um curso de vero.

        . Eu tambm.

. Aqui? Vindo da escola mais tradicional da Inglaterra? Voc tem
certeza que tem algo a aprender aqui?

. Bobagem, isso  desculpa.  Draco comeou a contar a ele como
conhecera Sue e Troy ficou ainda mais impressionado com o retrato,
digamos um tanto exagerado, que Draco fez de seu papel na caa aos
vampiros em Hogwarts. Finalizou contando, no sem uma certa apreenso,
que seu pai era admirador das artes das trevas e ele fingira interesse
tambm para poder engan-lo. Troy comeou a rir quando ele disse em qual
escola faria o curso.

. Salems Lost? Aquilo  um verdadeiro antro de vigarice! Voc
jamais vai aprender nada srio l. Eu vim ter aulas com um mestre.

        . Mestre?

        . Sim, mestre em luta. Alex Zandor, o Mago ninja.

        . J ouvi falar.

        . Sim ele vai dar um curso de vero de quatro semanas. 

. Ok, Troy. Mas agora eu tenho que sair  Draco olhou o relgio
 vou encontrar a minha garota. 

        . Boa sorte, cara.


CAPTULO 5  INCONSEQENCIAS...

        Ele havia mandado instrues para Sue para que se encontrassem no
Central Park, porque era o nico lugar de Nova Iorque que havia ouvido
falar, s duas da tarde. Havia entrado em uma lanchonete que Troy
recomendara prxima ao albergue e comido alguma coisa. Depois pegou o
metr e saltou em frente ao Central Park. Olhava maravilhado para aquela
cidade. Tinha que admitir uma coisa: O mundo trouxa no era to horrvel
como dizia seu pai. T, eles no faziam magia, mas construam prdios,
inventavam coisas, viviam a seu modo. Seu pai estava errado. No eram
melhores que os trouxas, apenas, diferentes.

        Entrou no parque com as mos nos bolsos da cala jeans e um pensamento
o assaltou. E se Sue no aparecesse? Ela no pudera responder sua carta.
E agora, olhando para o parque, conclua que este era enorme, como Sue e
ele iam encontrar-se? Foi nesse momento que uma voz disse, bem atrs
dele:


. Ento, Draco Malfoy? Esforando-se para se tornar uma pessoa
melhor?


Ele voltou-se surpreso ao dar com o rosto rosado e maroto dela,
emoldurado por seus cabelos cacheados louros como os de um anjo. Ela o
encarava risonha com seus grandes olhos azuis. Ele deu um passo em sua
direo e a abraou e beijou, cheio de saudade e paixo. Depois de
alguns minutos, finalmente satisfeito e sentindo-se feliz, ele
perguntou:

- Como voc me encontrou?

- Eu sou trouxa, Draco, mas no sou burra. Voc me disse que estaria
hospedado no Brooklyn, eu sabia que voc viria de Metr, foi s ficar
perto da entrada do parque mais prxima do metr para quem vem do
Brooklyn. S um ingnuo como voc para marcar um encontro num lugar
imenso como o Central Park sem usar um ponto de referncia.

Ele pegou o queixo dela e disse:


        . Seu pai tem razo, Sue, voc realmente  uma metidinha.

. E  por isso que voc me ama, Draco , o mal intencionado. Quer
conhecer o parque?

. Eu quero conhecer tudo. Meu querido e imbecil pai encheu meus
bolsos de galees e dlares americanos, que eu no fao a mnima idia
de como gastar, mas que com certeza, vou gastar com voc. 


Eles foram andando pelo parque e ela foi contando como fora aceita em
uma das melhores universidade do pas, foi falando de seus planos para a
faculdade. Sue acabara de completar 18 anos, dois dias depois do
aniversrio de Draco. Quando ela pediu detalhes do plano que ele usara
para enganar o pai, Draco sentiu-se um pouco intimidado em dizer que
havia se inscrito num curso de vodu. Sue olhou-o aterrorizada e ele
disse que sabia que a escola era fajuta. Ela no gostou do mesmo jeito.
Ele tentou mudar de assunto para evitar uma briga e para no precisar
mencionar o pedao de pano sujo com o sangue de Harry.


. Draco  Sue disse  Magia Negra  sempre perigosa, entende?
Bem ou malfeita, acho que malfeita pode ser perigosa para voc. 

        . Vamos falar de outra coisa? Tem matado muitos vampiros?

        . Draco,  srio. 

. Est bem, eu vou dar um jeito do bonequinho que eu fizer ficar
bem diferente do meu "desafeto"

        . Desafeto? Draco, voc vai fazer vodu de uma pessoa?

        .  parte do curso, Sue, voc preferia que eu no viesse?

        . Eu preferia que voc arrumasse uma forma digna de me ver.

. Por favor, esquea isso. Vou ser o aluno mais imbecil do
curso, pior que Neville Longbotton na aula de poes...  sue respirou
fundo e ele sorriu, ela continuou encarando-o sria.

        . Voc no perde essa mania de se achar melhor que os outros. 

. Existe uma pessoa que  muito melhor que eu, e eu sei disso.
Voc. Eu adoraria ser como voc, mas sou como sou. Vamos esquecer isso? 


Por aquele dia, Sue esqueceu. Eles se divertiram muito, mais que haviam
se divertido em Londres quando seu pai estragara a festa. Ela o levou a
lojas de trouxas, que vendiam mais coisas que ele imaginava existir. Por
ele, compraria tudo que aparecia na frente, s para matar a curiosidade,
mas ela no deixou, at que passaram na frente de uma loja de jias e
souvenirs e Draco viu uma coisa que o fez arrast-la para l. No era
uma jia cara, pelo contrrio Era at baratinha para uma jia, mas ele
teria comprado-a ainda se acabasse com todos os dlares que tinha no
bolso. Um cordo fino de ouro com um pequeno pingente em forma de gota,
feito de uma pedra semipreciosa vermelha. Sue olhava maravilhada para a
jia, feliz. Ele disse a ela, quando colocou o cordo em volta de seu
pescoo:

- Uma gota de sangue, para voc lembrar de mim.  Ela sorria para ele.
Draco se sentia feliz. Do lado dela ele esquecia a raiva que tinha
dentro de si. Uma raiva constante que o fazia tratar o mundo a sua volta
com desprezo e parecendo entediado. Para a tristeza dos dois, a tarde se
escoou e eles precisaram se separar, porque ele tinha hora para entrar
no albergue. O dia seguinte seria melhor.

O dia seguinte foi realmente melhor e o outro mais ainda. Draco e Sue
passeavam despreocupadamente pela Nova Iorque trouxa e pela Nova Iorque
bruxa, que ela conhecia pouco, mas que ele em pouco tempo entendia,
porque usava o tipo de lgica que ele conhecia. Acharam um cinema bruxo
no domingo e ele levou-a para ver: "A mscara de Monfort", um filme de
aventura que ele tinha assistido trs vezes em Londres. Ela adorou a
primeira, a segunda e a quinta histria. At que ele cansou de ver o
filme e a carregou para fora, sob protesto. Parecia perfeito. Era tudo
que ele queria. Quem dera ele estivesse ido a Nova Iorque apenas para
ver Sue.

Mas ele precisava fazer o curso. E a segunda feira finalmente chegou.
Ele imaginava que ia ser chato e desagradvel fazer o tal curso de vodu,
mas no tinha nem idia de quanto seria terrvel. Ao entrar na escola,
teve que ver novamente a bruxa desagradvel que o olhava como se ele
estivesse sem roupas. Chegou  sala de aula em cima da hora, seu
material estava sobre uma carteira, onde havia uma placa indicando:
"Draco Malfoy".. O curso tinha mais alguns alunos, todos eles mau
encarados, inclusive um garoto que devia ter uns treze anos. Draco
sentou-se no meio de trs sujeitos esquisitos e parecidos, vestidos em
capas pretas e de cabea raspada. Tinham tatuagens na cabea em letras
gticas, com nomes de bruxos famosos, praticantes de artes das trevas e
smbolos consagrados por eles. Olharam-no com respeito, o garoto atrs
dele cutucou-o, dizendo:


        . Voc  o ingls? O estudante de Hogwarts?

. Hum-hum.  Draco respondeu mau humorado para o garoto que
sorriu e estendeu a mo.

. Duanne Jonston, pode me chamar de Duff. Esses so meus amigos
Stephen "Izzy" Thomas e Jonas Austen, pode chama-lo de Jumbo  disse
indicando o garoto esqueltico  esquerda de Draco e um outro obeso, 
sua direita.  Somos todos puro sangue, pode ficar tranqilo, temos 200
anos de tradio em nossas famlias  "Danem-se", pensou Draco.  E
voc, soube que sua famlia  muito tradicional.

        . ,  sim. 

. E rica...  Draco ficou indignado. Como o sujeito podia saber
tanto sobre ele?

        . Como voc sabe?

. Ns fizemos um levantamento sabe  o garoto sorriu, mostrando
dentes brancos meio acavalados  no queramos mistura com a escria...
quem sabe algum como voc no entenda a nossa causa...

        . Causa?

        . O fim dos sangues ruins.

. No estou interessado  disse Draco, lembrando-se que h algum
tempo atrs estaria sim, bem interessado nisso, mas agora no. Melhor se
afastar destes tipos.


        Quando o professor Igor Zimmerman chegou, Draco descobriu que as coisas
sempre podiam ficar piores. Era um sujeito baixo e magro, sumido dentro
de uma veste preta, muito grande para ele. Tinha uns cabelos escorridos
e cheios de pontas e uns olhinhos pretos cnicos, bem juntos. Seu nariz
reto, fino e comprido tinha embaixo um bigode, para disfarar os dentes
projetados para a frente, como os de um rato. Toda figura do professor,
mais a postura curvada, davam a ele o aspecto de uma ratazana gigante.
Ele olhou Draco de imediato, com um olhar ligeiramente manaco:


. Ento, temos um aluno do velho mundo bruxo... algum
interessado nas prticas pouco recomendveis das artes das trevas...
sabia que voc pode ser preso quando chegar a Inglaterra, garoto? 
Draco encarou o professor sem medo, sentindo uma onda de indignao
subir-lhe pela nuca, aparecendo em seu rosto sob a forma de uma
vermelhido incmoda.

. Na verdade  disse procurando controlar-se  Eu quero aprender
sobre o vodu para poder entend-lo e combat-lo.  No sabia de onde
tirara isso, mas serviu para deixar o professor mais enraivecido.

.  mesmo? Explique isso para a pessoa que voc vai fazer sentir
dor, garoto... ela adoraria entender.


        Depois deste comeo nada animador, Draco comeou a sentir-se cada vez
pior conforme o professor explicava como funcionava a magia do vodu, que
o objeto ou parte do corpo do desafeto serviam como um endereo, que as
energias malficas seguiam, fazendo mal  distncia. Draco comeou, a
contragosto, a sentir-se culpado. No, no gostava de Harry Potter, mas
tambm no estava nem um pouco a fim de faz-lo sangrar ou gritar de
dor. No fim da aula, arrastou os ps da sala, respirando aliviado quando
se viu bem longe da escola. Conversou sobre aquilo com Troy, que estava
no quarto se arrumando para sair para sua aula de luta.


. Desista, cara. Diga ao seu pai que o curso  fajuto e no o
faa. Diga a ele que descobriu algo mais interessante e que depois
volta.

. Voc no conhece meu pai... na hora que ele receber a coruja,
ele aparata aqui e me leva de volta. Eu tenho que fazer esse maldito
curso, se quero continuar a ver minha garota.


        Sue tambm no ficou feliz com ele quando ele contou sobre o curso de
vodu. E disse algo que o machucou:


. V embora, Draco. Volte para sua casa. Eu vou sentir sua
falta, mas vai ser pior se voc ficar. Isso vai te fazer um mal
irreparvel.

        . Nunca! Eu quero ficar com voc, Sue.

. Ento rompa com seu pai e fique comigo, mas de verdade.
Esquea o dinheiro dos Malfoy e seu passado e venha para Nova Iorque.
Voc pode arrumar um emprego e terminar seus estudos aqui. Depois voc
resolve o que faz.

. No posso. Eu quero terminar Hogwarts, e se romper com meu
pai, no vou poder. Eu vou fazer o vodu ficar bem fajuto e ele no vai
funcionar, eu te prometo, Sue. No vou fazer mal algum ao idiota do
Potter.

. Se voc continuar chamando-o desta forma, se continuar com
inveja dele, vai acabar gostando de fazer mal a ele, e depois no vai
conseguir parar.

. No, eu no vou fazer mal a ele. Posso no gostar dele, mas
amo voc e jamais faria algo que voc no fosse gostar.


        Os dias de Draco eram divididos em: manh, em que ele se sentia
miservel, perseguido pelo professor Zimmerman porque seu bonequinho
estava ficando realmente muito malfeito, a hora do almoo, em que ele e
Troy conversavam (ele estava fazendo a primeira amizade verdadeira na
vida) e a tarde e noite, em que Sue compensava o horror do seu dia a
dia. Se divertiam tanto que ele esquecia completamente o professor
Ratazana e seus colegas skinheads ligeiramente imbecis. Por Sue, tudo
valia a pena.

        Em duas semanas, ele j estava ntimo de Nova Iorque. Na noite da
sexta-feira da segunda semana que passou por l, quando pensava em se
despedir de Sue para ir para o albergue, ela o carregou para um beco e
bateu com o n dos dedos num tijolo. Surgiu uma porta de madeira escura,
com um rosto de mulher que falava com sotaque do Harlem:


. Oh, man!  voc, Sue Van Helsing, a garotinha da irmandade?
Seu pai foi um grande freqentador da outra boate, sabe? A que fechou
antes de voc nascer...

. Eu sei, Aretha, ele conheceu minha me l... e  s por isso
que sem ser fantasma ou bruxa eu posso entrar... Este  meu namorado,
Draco Malfoy.

. Malfoy, Malfoy... nome de bruxo, yeah! Steve vai te adorar,
man  um fantasma atravessou a porta e avaliou-o com um olhar
displicente:

. Um bruxo louro com Sue? Bonito, muito bonitinho... ol Sue,
como vai sua me, minha perua favorita? E o seu pai, o louco Van
Helsing... espero que ele acabe com todos os vampiros daqui... podem
entrar...

. Benvindos ao Substudio 54  comeou Aretha, a porta  Disco
rolando at a eternidade, os anos 70 esto de volta  disse, dando
passagem aos dois.


        Draco se divertiu como nunca aquela noite. Danou com Sue,
esquecendo-se da hora, eram mais de duas da manh quando se deu conta
que perdera o horrio do albergue. Sue sorriu:


        . Essa noite voc vai dormir na minha casa. 


        Quando chegaram no apartamento onde Sue estava morando com o pai, ela
pediu que ele ficasse em silncio e o conduziu no escuro at seu quarto.
Ele estava extremamente sem graa de dizer a ela o quanto era
inexperiente. Ela fechou a porta do quarto e disse, timidamente,
mostrando um pacotinho de preservativos a ele:


. Por favor, Draco, no pense mal de mim... voc vai ser o
primeiro.


        Pensar mal dela? Draco no podia pensar mal dela de forma nenhuma, ele
realmente a queria demais. Passaram a noite se descobrindo, se amando,
at que adormeceram abraados e Draco sonhou, agarrado ao corpo de Sue,
que coisas terrveis aconteciam, e que ele a perdia. Acordou suando
frio, ela ainda estava adormecida ao seu lado e ele abraou-a mais,
amedrontado por no se lembrar do que sonhara, mas sabendo que fora um
pesadelo. Ela acordou e perguntou o que fora. Ele ficou mudo.


        . Algo mudou entre ns?  ela perguntou apreensiva.

. Sim. Eu achei que fosse impossvel te amar mais que ontem, mas
agora eu sei que no . Sue, quer casar comigo?

        . No. Ainda no.

        . Como no?

. Draco, somos ainda muito jovens. Voc precisa se tornar
realmente independente para ficar ao meu lado. Eu preciso me formar.
Temos a vida pela frente. Vamos dar um passo de cada vez, para no cair,
est bem?


        No, no estava bem. Draco no estava acostumado a ser rejeitado, era
mimado e prepotente. Saiu da casa de Sue antes que o pai dela acordasse
e foi para o Albergue tomar um banho. Depois do banho, encontrou Troy,
que disse:

        - Voc est com cara de quem se deu muito bem...  Draco sorriu. Ia
comear a contar vantagem, como fizera a vida inteira, quando se lembrou
que afinal de contas era Sue, a sua garota. E ficou s no sorriso. O fim
de semana com ela passou voando, e Segunda de manh ele voltou  escola,
arrastando o p por saber que naquele dia teria que usar realmente o
boneco que fizera. O professor, que tinha uma especial implicncia com
ele, disse:


. Ento, meu jovem "ingls", vamos ver se voc realmente leva
algum jeito para as artes das trevas... Espete seu desafeto.


        Draco olhou o boneco. Era um pastiche do que era Harry Potter, um
boneco em cujo o ncleo estava o trapo sujo que seu pai lhe dera, feito
de cera de abelhas africanas cozida numa poo com mais meia dzia de
ingredientes nojentos, aos quais eles haviam enformado e posteriormente
ele havia acrescentado uns culos e um cabelo esquisito, assim como uma
pequena veste de bruxo. Ele olhou o boneco pensativo, o professor
dissera que s podiam espetar em um lugar, porque se tratava de prtica
controlada (na verdade, era totalmente ilegal, mas os advogados da
escola haviam achado um meio de achar uma pequena brecha na lei). Draco
ento pensou que se Harry se ferisse no brao esquerdo no seria to
ruim, no tinha idia do tipo de ferida que provocaria.

        Espetou o boneco e olhou desafiador para o professor. Nada aconteceu. O
professor disse, com maligna satisfao:

        - Vejam que tradio pode no ser sinnimo de eficincia... ele no
causou dano algum em seu desafeto. Duff, espete seu boneco.

        O skinhead de dentes acavalados espetou na barriga o boneco de uma
garota trouxa que conhecia (fixao doentia, pensou Draco, a garota deve
ter dado o fora nele) e para deleite do professor e da turma, uma gota
de sangue surgiu na superfcie cerosa do boneco. Duff riu, malignamente.
O mais satisfeito parecia ser um garoto de treze anos, de ar
ligeiramente psicopata que fizera um boneco da prpria me. Todos os
alunos tiveram xito, menos Draco. O professor o olhou, pronto para
humilh-lo:


. Acho bom voc tirar sangue deste boneco at Sexta feira, ou
no recebe o certificado do curso. Pode no ser problema seu... este
sujeito pode ter proteo.


        Draco saiu satisfeito. Quem queria um maldito certificado? Conseguira,
fizera um vodu to malfeito que no obtivera xito, Sue ficou preocupada
quando ouviu a histria:


. E se realmente no for problema seu, Draco? E se ele tiver
proteo?

. Proteo? O Potter? Ele  um dos sujeitos que mais se machucou
desta turma... s num jogo de quadribol ele perdeu todos os ossos do
brao... no, eu  que fui ruim mesmo... mais propenso a acidentes que
ele que ele s o Longbotton ...  Draco parou. Subitamente lembrou-se da
histria da veste. A veste protetora que provocara a desclassificao da
Grifnria na temporada anterior  passada. Estava com Longbotton, mas
pertencia a Potter... e se Potter estivesse vestindo-a? No, no era
isso. Afastou esse pensamento e concentrou-se em Sue.


        Aquela semana foi a que passou mais rpido, sempre com o professor
humilhando-o, e ele no ligando. No provocara ferimento algum em
Potter, isso era bom, Sue ficaria satisfeita. Ento, no ltimo dia de
aula, quando chegou e foi pegar o boneco espetado, engoliu em seco. Do
brao esquerdo, onde o aguilho estava espetado, saa, fludo e
contnuo, um fino filete de sangue.

CAPTULO 6  ... E CONSEQENCIAS.

        Harry estava a caminho do Hospital St Mungos com Sirius e Sheeba, que
haviam vestido nele a roupa protetora. Ia pensando no quanto podia ter
sido idiota de no usar a veste protetora por pura preguia, se
amaldioando por isso. Mas ao mesmo tempo pensava: Era seu ltimo ano,
afinal de contas, Voldemort estava l fora, sumido h quase um ano,
provavelmente mais forte que nunca, o que ele poderia esperar afinal de
contas? Voldemort fazendo vodu contra ele  que parecia meio primrio.
Sempre achara vodu uma coisa meio ridcula, quando aprenderam os
contra-feitios que anulavam o vodu ele pensara que nunca precisaria,
mas aquele vodu estava complicado, nem mesmo ele saberia dizer porque. 

        Quando entrou no hospital e foi posto numa cadeira de rodas, segurando
o brao ferido, comeou a pensar porque afinal de contas haviam
escolhido o brao esquerdo. Ele no era canhoto, no fazia nada com o
brao esquerdo, porque ento o feriram neste brao?

        Em Nova Iorque, Draco olhava o boneco assustado. Nenhum dos exemplos
que haviam sido feitos em sala de aula haviam apresentado aquele
sangramento contnuo e insistente. Ele imaginou onde estaria o Potter, e
o quanto ele devia estar sentindo de dor por causa daquele furo no
boneco. Nesse momento, Duff entrou na sala e viu o boneco sangrando,
ficando na mesma hora com o queixo cado:


. Malfoy... voc conseguiu uma ferida permanente... sinal que
voc e esse cara realmente se odeiam.

        . No fala besteira, Duff. O boneco de todo mundo sangrou

. Mas que nem o seu nenhum, cara... quem  seu desafeto? Me diz.
 um cara que voc odeia de verdade, hein?

        . Cala a boca, seu babaca, no  da sua conta...

. Mas  da minha, Malfoy  a voz de Igor Zimmerman soou atrs de
Draco. Ele sentiu-se ligeiramente tonto.  Quem  seu desafeto, rapaz?

. Harry Potter. Ele estuda comigo.  Draco virou-se para encarar
os olhos pretos do professor. Seus olhos azul-acinzentados tinham o
brilho gelado do dio. Se ele pudesse, trocaria o boneco pelo do
professor e o faria sangrar at a morte. Atrs do professor podia ver a
cara abobada do Skinhead, que saiu correndo para espalhar a notcia de
que Draco Malfoy causara dano profundo em Harry Potter.

. Harry Potter  um brilho frio apareceu nos olhos do professor
 ento  verdade... voc realmente  filho de um death eater que no
mudou de lado... e vai para o mesmo caminho. 

. No, isso no  verdade. Eu jamais serei um death eater porque
os acho uns idiotas... e no fui eu quem escolhi Harry Potter para
desafeto. Ele que nunca gostou de mim, desde a primeira vez que me viu. 

. Mas vocs se odeiam... s uma ligao de dio profundo produz
isso... voc odeia Harry Potter, Draco?


        Sim, era verdade. Draco e Harry Potter detestavam-se mutuamente, mas
Draco o odiava realmente, porque Harry Potter tinha toda a ateno. E
quando ele quisera aproximar-se desta ateno, seguindo a mxima de seu
pai: "humilhe os mais fracos, bajule os mais importantes", Harry o havia
rejeitado como se ele fosse um ser desprezvel. Mas Draco no podia
fazer aquilo. Se Sue descobrisse, era o fim.


. No, eu no odeio Harry Potter. E estou arrependido de ter
causado este dano nele. E no quero que o dano permanea. Como eu
desfao o vodu?

. Desfazer  o professor deu uma gargalhada alta  No se desfaz
um vodu como esse. Voc pode desfazer a ferida. Retire o aguilho, e use
sua varinha para reparar o buraco, e a ferida sumir nele. Mas a vida
dele vai continuar em suas mos. Cause um dano a este boneco, e Potter
sofrer dano. Destrua-o, e Harry Potter perder a vida.  Draco
arregalou os olhos. No podia ser verdade, no queria ter a
responsabilidade de ter a vida de algum em suas mos. 

        . Ento, vou ter que conservar este boneco comigo at a morte?

. Exatamente... mas existe um meio do boneco ser destrudo e
nada acontecer.

        . Que meio  esse?

. Entregue-o a Harry Potter e pea desculpas por tudo. Faa de
corao aberto. E ele poder destruir o boneco com as prprias mos e
estar livre de tudo.


----


        . Sue, eu no posso fazer isso! 

        . Porque no, Draco?

. Porque se eu fizer isso, ele vai saber que eu fiz o vodu, e eu
vou ser expulso de Hogwarts!

. E da.  isso que voc merece depois de fazer uma besteira
dessas.

. VOC NO ENTENDE? ISSO  CRIME INAFIANVEL E IRREVOGVEL! EU
SOU MENOR DE IDADE, MEU PAI VAI PARA AZKABAN SE EU ENTREGAR O BONECO AO
POTTER!

. E PORQUE VOC NO ME ESCUTOU?  Sue comeou a chorar  Porque
voc no me escutou, Draco?

        . Porque era a nica forma de ficar ao seu lado.

. No, no era. Voc foi covarde. Havia mil coisas que voc
podia ter feito, voc podia no ter posto o sangue de Harry no boneco,
podia ter abandonado o curso, podia ter mandado teu pai para o
inferno... mas preferiu fazer tudo como se no estivesse fazendo nada
demais... Draco, voc no teve escrpulos!

        . Eu no tive escrpulos? O que voc queria que eu fizesse?

. Que agisse de forma decente. Acabou, Draco, eu nunca mais
quero ver voc.  Sue arrancou do pescoo o cordo que ele dera e sumiu
numa estao do Metr, deixando-o parado sozinho na rua, perplexo demais
para dizer qualquer coisa. Ele abaixou-se e pegou o cordo com o
pingente que ela jogara no cho. Voltou como um autmato para o
albergue, de onde tirou o boneco de uma caixa e ficou olhando. J tirara
o aguilho h horas. A essa hora, estava tudo bem com Harry Potter, ou
melhor, tudo relativamente bem, se descontasse o fato que ele neste
momento tinha sua vida nas mos de outra pessoa.


----

        No Hospital, Harry se espantou quando a ferida em, seu brao
desapareceu sem deixar vestgios. Sheeba tocou-o apreensiva e disse:


. Harry, eu preciso dizer uma coisa a voc. No  Voldemort quem
est fazendo este vodu. Eu sei, apesar da pessoa estar com o gelo de
confuso, no  Voldemort, eu reconheceria a energia dele nem que ele
usasse um gelo com todos os cabelos da cabea... no se disfara tanta
energia trevosa. Mas vodu  sempre muito srio. Existem cem de formas de
faz-lo e noventa e nove no so eficientes. Esta  a nica que d
certo, e  maligna demais. No tire mais a veste protetora at chegar em
Hogwarts. Dentro do castelo, voc estar protegido, eu falarei com
Dumbledore e ele lhe dar proteo. Mas do lado de fora, ao ar livre,
use sempre a veste protetora. Sempre.

        . Est bem, Sheeba.


-----

        Troy olhava Draco, que lhe contara a histria toda do boneco e de como
se daria mal se entregasse o boneco a Harry e pedisse desculpas, e
tambm o quanto ele se arrependia por ter feito aquilo sem medir as
conseqncias.


        . Draco  comeou Troy  voc realmente odeia esse cara?

. No sei. Mas acho que realmente odeio sim. Quer dizer, a gente
comeou a se estranhar no primeiro ano.

        . Eu posso dar uma sugesto?

        . Eu tenho escolha?

        . Fique amigo dele. 

        . O qu?

. Fique amigo dele, amigo mesmo... no deve ser assim to
impossvel.

        . Depois de tudo que aconteceu entre a gente,  impossvel.

. No importa, tente. Enquanto isso, guarde o boneco como se
fosse a sua vida que estivesse nele. Quando vocs estiverem muito amigos
e isso no tiver mais tanta importncia, confesse. E entregue o boneco a
ele.

        . Isso no vai dar certo.

        . Voc tem outra sugesto?

        . Nenhuma melhor, mas... voc no conhece o Potter.

        . E voc conhece?

        . Talvez menos que eu conheo voc.

        . Ento, talvez ele no seja to ruim como voc pensa.


----

        No dia seguinte, Harry saiu do hospital e foi visitado por Rony e
Hermione. Rony estava bem diferente, seus cabelos estavam louros e os
ombros bem mais largos e ele estava uns dez centmetros mais baixo


. No estranhe  ele disse  transfigurao pessoal, no quis
desfazer para mostrar para voc.

. Isso est horrvel  disse Hermione fazendo um muxoxo, porque
ele estava realmente bem diferente  Nem parece voc.

        . Realmente  disse Harry  eu no te reconheceria!

. Mas isso no  importante. Precisamos descobrir quem fez isso
em voc. Se Sheeba diz que no foi Voldemort... 

. No foi mesmo ele, desde o comeo eu achei que no fosse.
Vocs lembram quando estudamos vodu em defesa contra as artes das
trevas? Isso  considerado primrio por bruxos que realmente se acham
poderosos... mesquinho, covarde. Fazer bonequinhos e espet-los. E ainda
tem o problema da eficincia...  preciso um elo de dio real para que
d certo.

        . E quem voc odeia tanto quanto odeia voc que nem Voldemort?

        . Sei l... No me ocorre ningum.

. Ningum?  Disse Hermione  E aquele invejoso do Malfoy? O pai
dele tambm  bem covarde... e o Malfoy no teria dificuldade nenhuma de
pegar uma pea de roupa sua l em Hogwarts.

. Hermione  Comeou Rony  embora eu deteste dizer isso, acho
que o panaca do Draco no faria vodu para o Harry. Ele na verdade 
apenas um idiota invejoso. E o Harry no odeia ele tambm.


        Harry ficou calado. A verdade era que realmente no suportava Draco
Malfoy. Tudo no garoto o irritava, ele ainda lembrava de todas as coisas
que ele havia feito, principalmente as humilhaes a Hermione e Rony. E
Harry ainda no digerira muito bem o fato de no semestre anterior Rony
ter emprestado sua coruja para Draco. E decididamente no esquecera que
quando Draco andara se pavoneando na escola por estar muito forte no fim
do semestre anterior havia at cantado Willy. Isso ele no podia
perdoar.


. De qualquer forma  disse Harry  eu ainda posso me proteger.
Acho que quem fez o vodu queria me dar alguma espcie de aviso. Machucou
meu brao esquerdo... se quisesse realmente me fazer mal, machucaria o
direito.


----

        Draco voltava para casa no metr mundial pensando no boneco, protegido
dentro da mala, enrolado em vrias peas de roupa porque lhe daria um
srio problema se algum o achasse. A coruja o olhava dentro da gaiola.
Tentara falar com Sue vrias vezes antes de ir embora, mas ela no o
atendera. Ligara para a casa dela (era humilhante ter de usar uma coisa
como um telefone), mandara uma coruja, fora at o prdio dela e sempre
ela se recusou a falar com ele. Quando fora ao prdio dela, tivera a
pior experincia, com John gritando a plenos pulmes que ele sumisse da
frente dele ou ele o entregaria para os vampiros, porque ele havia feito
muito mal a sua filha. Agora, voltava para casa arrependido da forma que
conduzira as coisas e sem saber como consert-las. Se na viagem de ida
se achara o mximo, na volta, estava se achando um autntico imbecil,
que no percebera que isso ia acabar da forma que acabou. Tambm, se o
pai tivesse escolhido outro curso para ele. Agora imaginava que
despertaria um zumbi de bom grado se isso no lhe custasse o amor de
Sue, como o maldito vodu.

        Ao chegar na estao, seu pai o esperava com um sorriso que no o
enganava. Ele queria alguma coisa, e Draco desconfiava do que se
tratava.


. E a, filho, teve boas frias?  Lcio tinha a tendncia de
usar nos outros as tticas que funcionavam com ele, uma delas era a
bajulao.

        . Tudo bem, pai.  Draco disse mecanicamente

        . Fez um bom curso?

. Fiz. Mas no quis o certificado, o senhor pode imaginar que
ele daria problemas.


        O pai calou-se e conduziu-o at o carro, que, dirigido pelo motorista
com cara de trasgo, rapidamente virou numa curva e aparatou na frente da
casa deles, nos arredores de Londres. Draco tirou velozmente a mala do
carro e correu para o quarto. Queria evitar que o pai lhe pedisse o que
sabia que ele ia pedir. Mas seu pai foi atrs. Antes que fechasse a
porta, ele entrou e disse:


. Muito bem, eu lhe dei algo que me pertence, agora quero de
volta.

        . Do que voc est falando pai?

        . Eu lhe dei o sangue de Potter. Agora quero o boneco.


 

 

CAPTULO 7  UMA PRIMEIRA TENTATIVA

        Draco encarou o pai com os olhos frios. Pensou por alguns segundos e
disse:


        . No vou te dar o boneco, pai.

. Est me desafiando? Para que voc acha que te mandei para Nova
Iorque? Para passear? Porque voc acha que paguei o curso?

        . Para fazer mal ao meu desafeto.

        . No, imbecil. Eu quero matar o garoto.

. Para puxar o saco daquele bruxo enrugado que voc chama de
mestre?  Um tapa cortou o que Draco dizia. A fria fria cintilava nos
olhos de Lcio Malfoy.

. Nunca mais fale assim de Lord Voldemort  Draco encarou o pai
com dio. Era a primeira vez na vida que Lcio lhe batia. A marca de
seus dedos estava estampada, vermelha, na pele muito branca de Draco,
que massageava o local.

. Eu no vou te dar o boneco.  meu. Eu fiz. Me pertence. Se
algum vai ter a vida do Potter nas mos, esse algum sou eu.  Um
sorriso manaco apareceu no rosto de Lcio Malfoy.

        . Ento faa, agora. Eu quero ver.

. No posso. Ele tem proteo. No te ocorreu que algum como
ele teria? Aquela madrinha sabe tudo dele provavelmente o avisou...
mesmo com todo aquele gelo de confuso que voc fez com meu cabelo para
que ela no soubesse de nada sobre voc atravs de mim, pai.

        . Maldita. Pitonisa nojenta! 

. Como voc pode ver, no adianta, o boneco vai ficar comigo,
pai. Se houver uma oportunidade, eu o usarei. Mesmo sabendo que at
bruxos como voc e seu mestre acham que vodu  coisa de bruxos
subdesenvolvidos.

. Ento, no me decepcione. O mestre est tecendo alianas... em
breve vai ser muito difcil subir no conceito dele, a no ser fazendo
algo de muito especial. Trate de ser competente pelo menos uma vez na
vida. Lembre-se de quantas vezes perdeu para ele no Quadribol.


        O homem saiu do quarto e Draco desabou na cama, tremendo de dio.
Passou a mo pelo rosto e pensou nas coisas que dissera ao pai. No
tinha o direito de se decepcionar. Desde que o tal mestre ressurgira,
Draco sabia que seu pai tinha muito mais considerao por ele que por
qualquer membro de sua famlia. Agora, cabia a ele cuidar da vida de
Potter, era a nica forma de ter Sue de volta.

        Os ltimos dias de frias de Harry foram bem satisfatrios, na
companhia de Rony e Hermione, que tinham a considerao de no ficar se
agarrando na sua frente, muito mais por causa dela que de Rony. Rony
passou muito, muito tempo contando sobre as filmagens em Londres e
descrevendo uma a uma as suas dezoito horrveis mortes no filme. E
tirara umas boas dzias de fotos do elenco com uma cmera que comprara
com o dinheiro do seu primeiro cach.

        Este cach alis, estava sendo gasto aos poucos, mas sem muita
economia, afinal ele queria aproveitar o fato de ter algum dinheiro. No
poderia filmar at o ano seguinte, quando estivesse formado e o filme j
tivesse sido lanado, de forma que sabia que aquele dinheiro ia
realmente acabar e ele voltaria ao antigo estado de pobreza. Portanto,
tratara de gast-lo, comprando presentes para Harry, Hermione, Sirius,
Sheeba, o beb e at uns novelos de l para que Smiley tricotasse. Harry
achava graa na generosidade de Rony.

        Quando as frias finalmente acabaram e eles voltaram a Hogwarts, Harry
sentiu saudades de chegar no velho expresso. Nunca mais andaria na velha
locomotiva, uma vez que quando o ano letivo acabasse ele estaria livre
para seguir o rumo que quisesse na vida, pois no precisaria mais voltar
para a casa dos trouxas. A saudade era agora uma velha amiga dele,
porque j comeava a sentir saudades de Hogwarts, mesmo antes de se
formar, e porque sentia saudades de Willy, perdida para ele em algum
lugar da Amrica.

        Quando a cerimnia de seleo comeou, Harry se surpreendeu olhando os
alunos selecionados... pareciam to crianas. Era inacreditvel que ele
mesmo fora daquele tamanho quando sentara-se no banquinho do chapu
seletor e agarrara-se nas beiradas pensando "Sonserina no, Sonserina
no!". Tudo parecia agora muito distante. Lembrava-se ainda das palavras
do chapu: "uma mente nada m, uma razovel sede de se provar". ..
Ainda havia muita sede de se provar nele. Ele sabia de alguma forma,
naquele ano letivo que comeava em Hogwarts ele teria muito que se
provar. Parou de divagar um pouco e olhou ao seu redor. Tudo parecia
igual. Mas havia sempre sutis diferenas em Hogwarts de um ano para o
outro de forma que aquela escola no era mais exatamente a mesma em que
ele entrara, algumas coisas haviam mudado de lugar, mas parecia tudo
ainda muito certo.

        Na mesa dos professores, Alvo Dumbledore, com seu chapu pontudo,
parecia mais prateado que nunca, olhando com seu ar bondoso os alunos.
Hagrid ainda olhava-o de forma amigvel, o seburrelho de Willy enroscado
no pescoo, talvez ele fosse uma das pessoas que mais sentia falta da
menina em Hogwarts, junto com Harry. A professora Minerva parecia ainda
muito sria atrs de seus culos quadrados, e Snape no economizou o
olhar ligeiramente hostil que lhe dava, agora com menos intensidade,
depois que Sheeba surgira. Esta, estava ao lado de Sirius, atrs dela
podia se ver um carrinho de beb que ia sozinho para frente e para trs.
Sirius e ela de vez em quando olhavam para dentro do carrinho para ver
se estava tudo bem com Hope. Tudo parecia muito igual com os outros
professores.

Ele comeou a olhar as outras mesas, Corvinal, Lufa-lufa, ento procurou
o lugar de Willy, vago na mesa da Sonserina, com uma placa na frente:
"estamos aguardando-a", que fora colocada por Hagrid a mando do
professor Dumbledore. Quando j ia desviar o olhar para outro lugar,
algo chamou sua ateno. Draco Malfoy sorriu para ele e acenou. Harry
sacudiu a cabea. No devia estar enxergando direito. Olhou para trs,
achando que Draco estava vendo outra pessoa, mas era com ele mesmo.
Olhou de volta e ele sorriu novamente, acenando. Perplexo, Harry
encarou-o com um olhar de estranhamento e ele fez um sinal de que depois
conversariam.

        "Devem ter seqestrado tambm Draco e posto outro no lugar dele, ou
ento ele enlouqueceu"  pensou Harry durante o jantar. - "Eu e ele no
temos absolutamente nada a conversar. O pai dele  um death eater e me
odeia. Ele me odeia. Eu mesmo no morro de amores por ele e acho-o
desprezvel demais para que eu o odeie." A comida e a conversa
encarregaram-se de espantar estes pensamentos da cabea de Harry. Mais
tarde, quando j se sentia meio cansado e sonolento e a festa havia
acabado, havia at esquecido que Draco acenara para ele. Mas o prprio
encarregou-se de lembr-lo:


. Potter... eu queria dar uma palavrinha com voc 
Harry virou-se espantado, acabara de levantar da mesa um pouco atrasado.
Queria deixar que Hermione e Rony fossem na frente, no estava a fim de
segurar vela, mesmo que Hermione, agora monitora chefe, no fosse de
manifestar muito carinho por Rony em pblico.  Sacudiu a cabea e olhou
novamente para Draco.

        . Voc quer falar... comigo?

. Quero.  Draco estendeu a mo  Eu queria pedir que esquecesse
as antigas desavenas.


        Harry olhou-o como se repentinamente ele tivesse se transformado num
cogumelo azul gigantesco e tivesse comeado a danar na sua frente.
Havia alguma coisa errada ali.


        . Esquecer?

. . Esquecer. Amigos?  Harry percebeu ento que pela primeira
vez desde que conhecera Malfoy, este no falava como se estivesse
morrendo de tdio. Pelo contrrio, tinha um tom jovial, simptico e sem
dvida nenhuma, extremamente falso. Encarou-o srio e frio.

. Escute, Malfoy, eu no sei que bicho mordeu voc, mas no
posso me esquecer que h alguns anos atrs voc me disse que eu ia me
arrepender por andar com pessoas "piores". E tambm no posso esquecer
que seu pai e os pais dos seus dois melhores amiguinhos...

        . Eu rompi com Crabble e Goyle.

. Que seja, mas eu no posso esquecer QUEM  seu pai e do que
ele participa.

. Potter... eu estou te pedindo para esquecer, entende? Eu no
sou nem quero ser igual ao meu pai  Draco comeara a falar entredentes.
Estava ficando com raiva. Harry tambm sentia raiva dele.

. Eu no quero ser amigo de algum como voc... a escola tem mil
alunos... escolha outro para ser seu amigo.  Harry tentou virar as
costas para Draco, que o puxou pelo brao.

        . Voc no entende que eu quero esquecer o que houve?

. Posso at entender... mas no acredito.  Harry virou as
costas, desta vez definitivamente, para Draco. Afastou-se dele, sem
olhar para trs. Draco ficou contemplando-o enquanto se afastava, uma
raiva surda crescendo dentro dele tambm: "Ah, Potter, se voc soubesse
o que tenho na minha mala!"


-----

        Harry entrou em seu quarto ainda sob o efeito da raiva que sentia de
Draco, quase ofendido porque o garoto lhe dissera com todas as letras
que queria ser seu amigo. Rony olhou-o com uma cara engraada e
perguntou:


        . O que houve para voc estar com essa cara?

. Rony, se Draco Malfoy chegasse todo sorridente para voc
dizendo que queria ser seu amigo... o que voc diria?

. Eu diria a ele: "Ei cara, essa poo polissuco no engana
ningum, voc no  o Malfoy" Draco Malfoy jamais ia querer ser meu
amigo.

. Pois , ele veio cheio de simpatia me dizer que esquea
tudo... que quer ser meu amigo  Rony comeou a rir tanto que chegou a
tossir, quando se recuperou, disse:

. Liberaram a entrada de bebidas alcolicas para os alunos da
Sonserina? Qual  Harry, ele nunca faria isso.

. Mas fez. Realmente, ele no anda mais com Crabble e Goyle, mas
porque escolheria justamente a mim para amigo?

. Talvez ele goste de desafios, ou ache legal ter um amigo de
olhos verdes e cabelos despenteados.

        . No enche, Rony, tem alguma coisa errada nesta histria.

        . Claro que tem, Draco pirou, s isso. Ou  por causa de Sue.

        . Sue? O que ela tem a ver com isso?

. Essa mania de mulher querer mudar homem, sabe como ? No
lembra aquela cena constrangedora na ala hospitalar no ano passado? E o
projeto dela de tornar Draco "uma pessoa melhor"? Acho que ele est
levando esse projeto a srio. Voc deve ser o teste de final de curso:
"Conquiste Potter e ter meu corao, Draco"  Rony fez uma divertida
imitao da garota, piscando os olhos repetidas vezes para Harry. - O
que um cara no faz por causa de uma garota.


        Harry deitou-se pensando nisso. Realmente, devia ser por causa da
garota. Pensou naquele momento que se Willy estivesse em Hogwarts, ele
provavelmente estaria escapando numa capa de invisibilidade para
namor-la. Ainda doa pensar nisso.

-----

        Enquanto isso, Willy, acreditando se chamar Mina, comeava tambm o
semestre na escola Desert Stone, a milhares de quilmetros dali. Vale
dizer que a escola era uma das melhores dos Estados Unidos, mas ainda
perdia para a de Savannah, na Gergia, que era a nica organizada na
forma tradicional antiga,  maneira de Hogwarts, com casas e alunos
internos. Desert Stone seguia outro sistema, que a tornava parecida com
uma High School americana para trouxas.

        Os alunos entravam de manh e saam a tarde. A escola ficava no meio do
deserto, e tinha muitos alunos do estado de Nevada e alguns de fora,
muitos de bem longe e at alguns do Mxico. Quando entrava para a
escola, o aluno ganhava um objeto chave, um cordo com uma pedra. Todas
as manhs, os alunos tocavam na pedra, diziam a senha e eram
automaticamente transportados para o ptio da escola, que ficava bem no
meio do deserto, invisvel aos olhos dos trouxas. No importava muito
ento se moravam perto ou longe da escola. Mas a grande maioria era de
Nevada porque o deserto era perfeito para os bruxos mais reclusos que
no apreciavam o cosmopolitismo de uma cidade como Nova Iorque. Alguns
alunos eram filhos de bruxos que ganhavam a vida como mgicos em Las
Vegas, divertindo os trouxas. Era o caso de Troy Adams.

        Troy era do stimo ano e era o apanhador do time de quadribol da sua
srie, e o apanhador do time da escola, porque nos Estados Unidos a
disputa interna de Quadribol, embora importante, era menos importante
que o interescolar que acontecia durante cinco semanas da primavera.
Havia torcida e os jogadores eram endeusados, todas as garotas queriam
namorar os rapazes. As meninas que entravam para o time tambm se
tornavam as maiorais.

        Mina olhava a escola com um certo estranhamento desde que conclura a
Quinta srie l, no ano anterior. Parecia que tinha alguma coisa errada
naquele sistema. Ela sentia falta da antiga escola mesmo no se
lembrando de nada. A sua av dissera a ela que fazia parte do tratamento
para superar o trauma, ela havia perdido os pais durante o ano letivo e
a perda da memria se dera na escola. Era melhor ento ela deixar tudo
para trs pois ali ela teria lembranas ruins voltando primeiro que as
boas. A explicao para ela no ter esquecido tudo que estudara era
simples: "Esquecemos o que lembramos, no o que aprendemos"  dissera a
sua av quando perguntara sobre isso. Ningum disse a ela o nome da
escola onde estudara. Fazia parte do tratamento. E alm do mais era mais
fcil para a av se ela ficasse na Amrica.

        Uma coisa que Mina no conseguia entender era o fato de suas colegas se
empenharem tanto em ser populares. Todas queriam ser a rainha do baile,
mesmo que o baile de formatura fosse s dali a dois anos, todas queriam
ser as mais bonitas. Iam maquiadas e algumas faziam transfiguraes
pessoais elaboradssimas. Ela preferia ser sempre ela mesma. E no
segundo dia de aula, procurou o tcnico dizendo que queria um teste para
o time de quadribol da sexta srie A


        . Batedora? Artilheira?

        . Apanhadora  ela disse confiante.

. Apanhadora? Essa  boa, no temos garotas apanhadoras por
aqui... no  uma funo feminina.

. Me d uma chance. Minha av disse que eu jogava quadribol
muito bem como apanhadora. Eu no me lembro de nenhum jogo, mas sei
jogar. A gente esquece muita coisa depois de uma amnsia, mas no se
esquece algo que se sabe. E eu sei apanhar


        O professor olhou-a achando graa e soltou um pomo de treino no cu.
Ela deu uma vantagem e saltou sobre a vassoura, levantando vo bem alto.
Mergulhou repentinamente e voltou em menos de vinte segundos com o pomo
na mo, entregando-o ao perplexo treinador. Ela perguntou se ele queria
outra prova e ele soltou de novo o pomo. Ela voltou com ele to rpido
como antes. Em menos de dez minutos, o professor avisou ao menino que
era apanhador da sexta srie A ( e que vivia passando vergonha por
perder para as sries mais novas) que ele agora estava na reserva. Mina
Moore seria a titular.

CAPTULO 8  ESFORCO SOCIAL

        No Sbado da primeira semana de aula a coruja de Rony desapareceu. Rony
a procurou por todo castelo e no sabia explicar o que tinha acontecido.
Hermione estava sentada numa poltrona com o bichento no colo, no salo
comunal da Grifnria quando ele entrou, com uma cara pssima.


        . No encontro Pig em lugar nenhum.

        . Nem no corujal?

. Onde voc acha que eu procurei primeiro?  Harry vinha
entrando de seu treino de Quadribol junto com Neville, que vinha
explicando-lhe algumas coisas sobre Herbologia que havia estudado nas
frias e eles deram com a cara preocupada de Rony.

. Algum problema?  Neville olhou para Rony e depois para Gina,
que se aproximou.

        . Minha coruja sumiu.

        . Voc no mandou alguma coisa pra casa por ela e esqueceu?

. No seja idiota, Neville. Eu no ia esquecer se tivesse
mandado alguma coisa pra casa com ela.  Rony parou para pensar e
subitamente comeou a "revistar" o pelo do Bichento no colo de Hermione.
A garota no gostou.

. Quantas vezes eu tenho que te dizer que meu gato no tem o
mnimo interesse em comer a sua coruja, Rony?  ela puxou o gato, que
fazia cara feia para Rony mais para perto dela  sua coruja  muito
pequena.  normal que ela suma assim. Daqui a pouco ela aparece.

        . Ela nunca sumiu desse jeito.

. Voc no parecia sentir tanta falta dela quando ela estava com
o Malfoy  Harry disse isso com certa mgoa. Achava que de alguma forma
Rony se aproximara de Draco quando haviam feito teatro juntos.

. Harry, no seja idiota. Eu emprestei a coruja para ele por
causa da pea e de Sue, que  legal. E pra irritar o velho Malfoy. E
naquela poca no precisava tanto dela. Agora tenho que mandar uma carta
para meu agente que vai me arrumar um filme para trabalhar no feriado de
Natal. Preciso da coruja.

. No seja por isso  Disse Harry  eu te empresto Edwiges e
depois a gente procura Pig. Vamos l no corujal.


        Coincidncia das coincidncias, deram de cara com Draco, que mandava a
ensima carta que Sue provavelmente no responderia, no corujal. Ele os
cumprimentou de um jeito que fez Rony olh-lo como se ele tivesse duas
cabeas:


        . Oi! Tudo bem com vocs? Como foi o filme, Weasley? 

        . Foi bem  Rony respondeu perplexo demais para reagir.

        . Vo mandar uma carta? 

. Ele vai mandar, pela minha coruja  Harry respondeu
contrariado  a dele sumiu, ficou esquisita depois de andar tanto tempo
com voc.

. Pig sumiu?  Draco franziu as sobrancelhas  estranho. Eu te
aviso se v-la, Weasley.  ele sorriu  At mais ver.  desceu as
escadas enquanto Rony voltava os olhos para Harry

. Poo polissuco, com certeza. Comunique Dumbledore:
seqestraram Malfoy e puseram um simptico estranho em seu lugar.

        . Eu no te disse? Isso no pode ser normal.


        Draco desceu as escadas revoltado com o comentrio de Harry sobre a
coruja de Weasley. Ele no contaminava tudo que pegava. Realmente, se
ele continuasse desse jeito jamais conseguiria aproximar-se dele o
suficiente para pedir desculpas e entregar o boneco. Que necessidade ele
tinha de fazer este tipo de comentrio idiota? S para implicar.
Repentinamente lhe ocorreu que ele mesmo costumava fazer este tipo de
comentrio, como quando dissera que Willy ficara mais bonita depois de
ter dado o fora em Harry. Sentiu-se meio contrariado ao perceber que
realmente o tipo de coisa que ele fazia para irritar os outros era muito
desagradvel.

        Desceu para as masmorras a fim de ficar um pouco sozinho em seu
dormitrio, agora fazia isso com cada vez mais freqncia, porque
continuava rompido com seus antigos companheiros. O seu nico contato
extra classe com os colegas era no treino do Quadribol, ele voltara para
o time. s vezes escrevia para Troy Adams,. Mas naquele momento o que
mais queria era ficar s.

        Quando ia passando por uma armadura, j dentro das masmorras, ouviu um
barulho estranho. Olhou para o visor da armadura e percebeu que algo se
movia l dentro. Aproximou-se e olhou, levantando o visor. Uma coruja
pequenssima comeou a piar descontroladamente, estava chocando trs
pequenos ovos castanhos. Draco sorriu quando a corujinha o reconheceu.
Achara Pig.

        Se Rony estranhara o fato de Draco ter sido muito gentil com ele,
realmente o ato seguinte do garoto fez todos os alunos da Grifnria
sentados na mesa do jantar olharem-no com estranhamento. Ele
aproximou-se de Rony e pondo a mo no seu ombro disse, jovialmente:


. Descobri duas coisas sobre sua coruja, Weasley.
Primeiro: ela  uma fmea. Segundo: est chocando ovos numa armadura l
na Sonserina. Por isso sumiu. Acho que ela estava procurando um lugar
escuro e achou legal depois de ter conhecido to bem. Quando as
corujinhas nascerem eu dou um jeito de levar voc l para ver. E quero
comprar um dos filhotes. Essas corujas pequenas so timas.  ele
sorriu, esperando uma resposta de Rony, que continuou olhando-o
perplexo, depois coou a cabea e disse:

. Tudo bem. Obrigado.  um silncio constrangedor pairou na
mesa. Todos os alunos em volta olhavam para Draco, a quem haviam se
acostumado a detestar. Ele percebeu e saiu, dizendo.

. Bom, at mais ver, Weasley. Potter, eu te vi no treino de
hoje, realmente acho que vou ter que me preocupar contigo, voc continua
timo  saiu, deixando todos para trs boquiabertos.

. O que deu nele?  Perguntou Gina, olhando para o irmo e para
Harry

. No sei  disse Harry. - Mas vocs no acham que parece meio
irreal?

. Totalmente  disse Hermione, sria. Ela olhou Harry e depois
Rony  eu vi nos olhos dele. Eles est escondendo algo, e deve ser
grave. Mas ele deve ter um gelo de confuso poderoso, que afeta meu dom
de farejadora da verdade, pois eu no consigo perceber o que .


        Draco se afastou, enraivecido por dentro. Era muita humilhao. Sabia
que devia estar parecendo um tremendo babaca, bajulando Harry e o pateta
do Weasley, mas tinha que fazer isso se queria se livrar do maldito
boneco de cera.

        Na escola de Desert Stone, Mina Moore tornara-se a nova sensao depois
do primeiro jogo de Quadribol, em que a Sexta Srie A vencera a Sexta
Srie B por 200 a 30 em meia hora de jogo. Na platia um rapaz olhava
impressionado a menina morena de cabelos castanho-dourados evoluir
rapidamente na sua fada de prata e recolher o pomo. Algum disse para
ele:


.  Troy, parece que voc vai ter que ter cuidado com
ela.

. Cuidado? Eu vou cham-la para tomar um milkshake comigo, isso
sim. Ela  a garota dos meus sonhos.

        . E de metade da escola.


        Sim, Mina era a garota dos sonhos de metade dos garotos da escola, mas
permanecia tmida e arredia, no cedia aos apelos fceis da
popularidade. Tirando Rose e Sarah, que haviam se tornado suas amigas no
semestre anterior, quando ela ainda era apenas uma novata, no tinha
relaes amistosas com mais ningum, e tinha pelo menos um desafeto
franco: Daphne Sykes, a chefe da torcida do time da casa, que era do
stimo ano e at o ano anterior fora a garota mais popular da escola e
ex-namorada do capito do time, Troy Adams. Dera o fora nele para
namorar um garoto mais velho, que era bruxo em Las Vegas, que a havia
dispensado nas frias de Vero, e subitamente vira sua popularidade
cair. Tinha que haver um responsvel por isso. Ela escolheu Mina para
culpar:


. No me admira que voc seja apanhadora  ela disse
para a menina, depois do jogo  Uma garota to pouco feminina s podia
estar numa funo de homem mesmo.  Mina virou-se sorrindo e disse:

. No me admira que voc seja chefe de torcida. Uma garota to
sem talento para o vo jamais poderia subir numa vassoura.  As duas se
fuzilaram com um olhar, mas um professor atento afastou uma da outra e
evitou a briga.


        Daphne no imaginava que estava prestes a odiar ainda mais Mina. Quando
esta se preparava para tocar sua pedra-chave e voltar para casa, Troy a
alcanou e disse-lhe:


. Voc no quer sair para tomar um milkshake comigo? 
Mina olhou para os dois lados e disse

. Eu conheo voc?  o rapaz sentiu-se ligeiramente
desconcertado e disse a ela:

. Troy Adams, capito da stima srie e apanhador no
interescolar  ele estendeu a mo sorridente  eu moro em Las Vegas, e
voc?

. Na estrada do deserto, KM66. Mina Moore, muito prazer  ela
disse apertando a mo dele e soltando em seguida  obrigada pelo
convite, mas tenho que ir. Minha av fica preocupada se eu demoro.

. Amanh  Domingo. Quer conhecer Las Vegas? Meus pais fazem um
Show para Trouxas l...  super divertido.

. No acho uma boa idia. Quem sabe outro dia? At mais. Foi um
prazer  Mina sorriu e tocou a pedra-chave, dizendo  "casa do cacto",
que era a senha que a levava para a sua casa e desapareceu. 


        Troy ficou olhando para o nada perplexo. Qualquer outra garota sairia
no tapa para namorar o capito do time da escola. E Mina Moore acabara
de lhe dar um fora.

        Dias depois, aconteceu o casamento de Percy e Penlope em Hogsmeade,
numa pequena capela. Quem celebrou foi um frade bruxo gordinho. Harry
nunca tinha visto um casamento religioso de Bruxos, Sheeba e Sirius
haviam casado apenas perante a lei. O frei era engraadssimo, e falou
da importncia do amor entre um casal. A cerimnia em nada se parecia
com um casamento tradicional, at porque Frades bruxos costumam fazer o
que lhes d na telha, e se resolvem comear a cantar e danar no meio da
cerimnia, isso  considerado perfeitamente normal.

        Muitos convidados eram funcionrios do ministrio da magia, entre eles
o ministro Cornlio Fudge. Era impressionante como envelhecera nos
ltimos cinco anos, parecia que o estresse pelos tempos difceis o
haviam esgotado, principalmente as tentativas de evitar o pnico e
encobrir a volta de Voldemort. Percy assumira a vaga do seu antigo
patro, o falecido Bartemius Crouch, o que lhe aumentara o salrio e
permitia-lhe dar um relativo conforto a sua esposa, que estava agora
fazendo universidade bruxa de medicina e em dois anos seria uma mdica
bruxa.

        Os padrinhos eram Cornlio Fudge e a esposa ao lado de Percy e o
professor Dumbledore com a professora Minerva ao lado de Penlope. Os
pais dele e principalmente dela estavam comovidssimos. Gina e Hermione
usavam roupas de damas e Harry, Neville e Rony estavam sentados na
ltima fileira ao lado dos outros irmos de Rony, menos Gui, que estava
l na frente ao lado de Fleur Delacour, linda numa veste vermelho
sangue.


. Percy segue seu destino  dizia Fred dramaticamente 
o careto da famlia tinha que ser o primeiro a se casar. Depois vai ser
o Gui.

        . Gui?  Rony disse  ele no vai casar com aquela meio-veela.

. Voc  que pensa  disse Jorge sombriamente - ele estava
falando em ficar noivo na semana passada, quando esteve l em casa para
que mame apertasse sua veste de gala. Mame ficou preocupadssima,
imagine, ter uma nora meio veela. S o velho mano Carlos que no cede e
continua no nosso clube dos solteiros e mulherengos!  Carlinhos olhou
risonho para Jorge. E completou:

        . Antes que eu ache quem me prenda, Rony casa com Hermione.

        . Vamos mudar de assunto?  disse Rony, ficando vermelho.

. Eu no vejo nada demais em querer casar  disse ingenuamente
Neville

. Acho bom mesmo  Disse Carlinhos com uma falsa cara braba 
afinal, voc  namorado da nossa irm e no vai ficar enrolando a nossa
garotinha pelo resto da vida!

. Por falar em enrolar  Disse Jorge, dando um olhar enviesado a
Harry  algum est nos devendo uma ida  casa da rvore... deixou uma
veela apaixonada por ele e um scubo obsessivo muito tristonho porque
ele nunca mais voltou l.

. Nem vou voltar  Harry encarou-o srio  No pretendo sair com
uma garota que tem olhos de gato. 

. Vai esperar Willy a vida inteira?  perguntou Carlinhos srio.
Ele conhecia toda a histria e se preocupava autenticamente com Harry 
encontrei Atlantis na Romnia e ele estava bastante abatido, seja l o
que a av dela fez, acho que ele nunca vai encontra-la. Voc tem que se
acostumar com a idia.


        "Esquea-a. Ela j te esqueceu" Harry lembrou-se do bilhete enigmtico
e disse:

        - No sei quanto tempo eu vou espera-la. Talvez eu saia a procura dela
quando terminar Hogwarts. Talvez eu resolva esquec-la, mas no nos
braos de uma veela  olhou para os outros srio, tentando terminar a
conversa, que acontecera  meia voz para no atrapalhar o casamento. Os
outros entenderam o recado, pois ficaram quietos at o fim da cerimnia.

        A recepo em Hogwarts foi realmente tima, com uma pequena orquestra
de elfos domsticos tocando para os convidados danarem. Harry observou
Cornlio Fudge danando ligeiramente trmulo com sua esposa e achou que
realmente o homem no estava bem, parecia muito nervoso. Olhou tambm
para Neville e Gina, que eram um casal engraado, ambos to tmidos que
danavam quase sem sair do lugar. Rony arrastara Hermione para o jardim,
Gui e Fleur Delacour estavam imersos um nos olhos do outro, nunca
imaginou que aquela garota to ftil pudesse se apaixonar de verdade por
algum. Mais adiante, Fred e Jorge pareciam tentar cantar
respectivamente Padma e Parvatti Patil. Carlinhos danava com uma garota
da Corvinal que de vez em quando olhava apreensiva uma extensa cicatriz
de queimadura no brao dele. S ele estava sozinho, com seu copo de suco
de abbora. Tudo bem, no estava mesmo a fim de conversar.

        Foi quando detrs de uma pilasta, ele ouviu uma voz. Era Draco que o
chamava.


. Ei, ei Potter!  Harry olhou na direo dele. Draco
no havia sido convidado para a recepo e estava de veste comum, e o
chamava insistentemente. Exasperado, Harry levantou-se com cara de
poucos amigos.

        . O que voc quer?  Draco sorria, espontaneamente.

. Eu queria mostrar uma coisa para o Weasley, mas acho que ele
est namorando, n?

        . Est. Por qu?

. Ento venha comigo voc  Draco o puxou pelo brao at a porta
da sala da Sonserina, que Harry sabia onde ficava porque no segundo ano
fora at l com Rony disfarado como Crabble, ex-amigo de Malfoy. Era
extremamente desagradvel ser puxado por Malfoy e ele soltou-lhe o brao

        . Malfoy, o que voc quer?

        . Mostrar os filhotes da coruja do Weasley.

. No  isso. Voc e eu nunca fomos amigos. No  agora que
vamos ser.

        . Porque no?

. Porque voc chamou minha melhor amiga de sangue ruim no
segundo ano, e ofendeu meu melhor amigo e Rbeo, que tambm  um dos
meus amigos, inmeras vezes, porque voc no quarto ano tentou por a
escola toda contra mim...

. Isso no  verdade, a escola toda ficou contra voc
espontaneamente, at o Weasley.

. E voc aderiu com prazer. E no finja que no sabe que seu pai
estava entre os que tentaram me matar no final da competio dos trs
magos.

. Quantas vezes eu tenho que dizer que eu sou diferente de meu
pai?

. Nenhuma vez, porque eu no vou acreditar... voc  igualzinho
ao seu pai, tirando agora o queixo, porque Sirius entortou o dele.

. O seu mal, Potter,  que voc pensa que sabe tudo. Voc no 
o maioral dessa escola.

. Eu nunca disse que era. Voc  que passou a vida toda se
pavoneando e tentando ser o centro das atenes, mas nunca teve talento
para nada. E no adianta tentar ficar meu amigo, quando Sue Van Helsing
perceber o tipo de pessoa que voc , vai lhe dispensar mais rpido que
voc diga "lumos"  Draco no pensou. Apenas sacou a varinha, ao mesmo
tempo que Harry. Pararam com as varinhas na mo, se medindo. Draco disse
entredentes:

        . Potter, essa  sua ltima chance. Retire o que disse.

. No vou retirar, Malfoy. Voc no me engana, est vendo? Era
tudo falsidade... esse  voc.

. Expeliarmos!   os dois observaram atnitos suas varinhas
voarem at a mo estendida de Sheeba, que estava parada no comeo do
corredor. Ela os encarou severamente  Muito bem, o que os dois pensam
que esto fazendo? Harry, volte j para o Salo. Eu te entrego sua
varinha l.  Harry deu uma ltima olhada em Draco, que retribuiu com a
mesma intensidade. Passou por Sheeba de cabea baixa e sumiu na direo
do salo.

. Muito bem, Draco Malfoy. Voc quer me dizer alguma coisa? 
Draco andou at ela displicente e disse, olhando-a nos olhos:

. Porque a senhora no tenta descobrir?  Ela o encarou e
sorriu.

. Confiante com o gelo de confuso que seu pai fez para voc,
no  mesmo? Cuidado, Draco. Eu sei que voc quer ser diferente dele,
mas est caminhando para se tornar idntico. Eu acho que sei o que voc
est escondendo, mas no posso provar. Se quiser minha ajuda, eu te
ajudo a resolver o problema.

. Eu no tenho problema nenhum  ele disse e virou-lhe as
costas, depois de pegar a varinha. Sumiu na sala da Sonserina e ela
pensou: "Foi ele.. Posso estar enganada, ele est com gelo de confuso,
mas s pode ter sido ele... vou vigi-lo. E redobrar a proteo a Harry"


        Do lado de dentro da sala da Sonserina, Draco tremia de dio. Acabara
de decidir: "Dane-se, Potter, dane-se voc e seus amiguinhos... eu tenho
a sua vida nas minhas mos"

 

CAPTULO 9  DRACO DESCOBRE UMA COISA

        Depois do que acontecera no casamento de Percy, Sheeba guardou silncio
sobre o que conclura. Se dissesse alguma coisa a Sirius, ele seria o
primeiro a pedir uma revista nas coisas de Draco Malfoy, o que
provocaria a expulso imediata do garoto, se eles achassem o que ela
imaginava estar com ele. Ela chegara a concluso que s podia ter sido
ele a fazer o vodu, mas sabia que ele no fizera o vodu por fazer...
desde que Harry fora machucado, alis desde antes, quando o tocara,
mesmo sob o gelo de confuso sobre o praticante, uma coisa era
perceptvel para ela: quem fizer o vodu fora manipulado, mas no tinha a
inteno de matar ou machucar Harry.

        O que a deixava tranqila era o fato dela saber que se Draco estivera
tentando se aproximar de Harry, s havia um motivo possvel: ele queria
desfazer o feitio. Queria entregar o boneco a Harry, porque era a nica
forma de desfaze-lo, mas se entregasse  toa, com certeza Harry iria
denunci-lo. Sheeba antecipara-se ao pensamento dele, mas no sabia como
fazer para ajud-lo, se ele no queria sua ajuda. A nica coisa que a
preocupava era que agora a atitude (para ela perfeitamente
compreensvel) de Harry tornara impossvel qualquer aproximao
espontnea de Draco. Ela iria observ-lo para ver se ele tinha a
inteno de usar o boneco. Se tivesse, no haveria jeito.

        Draco por sua vez, escrevera a Troy Adams pedindo um conselho, e o
rapaz dissera que o melhor era dar tempo ao tempo e tentar de novo
depois. Mas no era isso que Draco queria. Ele cansara de bajular
Potter. Ia guardar o boneco, mas no ia nunca mais bajular Potter. Isso
no. E se no usava o boneco era porque ainda tinha esperana de voltar
com Sue e porque desconfiava que provavelmente a madrinha de Potter ia
saber na hora que ele  que estava fazendo o vodu. Mas sabia
interiormente quando poderia usar o boneco.

        Quando tentara se tornar amigo de Harry, observara-o escondido e ouvira
ele dizer uma coisa essencial para Neville: quando tivesse um jogo de
Quadribol no ia usar a veste. Ia esconder isso de Sheeba, mas no ia
usar, afinal, no queria correr o risco para que a Grifnria fosse
desclassificada de novo por causa dele, era o ltimo ano e eles iam ter
que ganhar. De mais a mais, eles estavam em Hogwarts e a pessoa que
fizera o vodu saberia que l ele estaria protegido. Ele no calculava
que quem fizera o vodu para ele estava dentro dos muros de Hogwarts.

        Enquanto isso, em Desert Stone, Mina j estava comeando a exasperar-se
com os insistentes convites de Troy para que sassem. Ela no se sentia
atrada pelo rapaz, embora ele fosse bonito, nem por nenhum outro.
Parecia estupidez, mas achava que gostava do garoto cuja imagem estava
estampada na sua pulseira. E quanto mais dava foras em Troy, mas Daphne
Sykes a odiava. No que ela fosse odi-la menos se sasse com Troy, mas
o simples fato de Troy insistir em sair com aquela garota deixava Daphne
doente.

        Uma dia no treino de quadribol, Mina descansava sobre a vassoura quando
viu Troy voando na sua direo. Iam jogar um contra o outro no dia
seguinte. Ela tentou olhar para o outro lado e ele disse:


. Por favor, Mina, eu no queria te chamar de novo para
sair... eu queria s dizer que desejo a voc boa sorte. 

        . Obrigada  ela disse sem virar o rosto para ele.

.  claro que eu devia estar bem nervoso, afinal de contas, voc
 a melhor apanhadora desta escola... acho que  melhor at que eu.

        . Ah, Troy, no comea.

. No, no  isso... eu no me importo em perder para voc, mas
se isso acontecer, eu posso dar adeus ao time da escola  ela riu

        . Porqu? 

. Porque voc vai tomar o meu lugar, ora essa, porqu...  Ela
subitamente ficou sria. Isso lembrava a ela alguma coisa, mas ela no
sabia dizer o que, uma conversa como essa que ela tivera em algum lugar,
num passado para ela distante.

        . E voc est preocupado com isso?

. No. Nem um pouco  Ele sorriu  o que eu posso fazer? Se
perder para voc, pacincia.

        . No vai ficar chateado em perder o lugar no time?

        . Na verdade vou, mas voc vai ficar no meu lugar, o que  bom. 

. timo. Ento vou fazer de tudo para ganhar. Pode apostar  ela
disse rindo.

. Aposto. Saio do time na mesma hora se voc ganhar, deixo meu
lugar para voc. Mas...

        . Mas?

. Se eu ganhar... voc vai amanh comigo tomar um sorvete. Em
Las Vegas.


        Ela franziu o cenho. Pensou um instante. O que aquilo lhe lembrava? Ela
no sabia. Um jogo importante que fizera alguma vez, talvez. Estava
perdida nestes pensamentos quando ele disse:


        . Mina, estou esperando a sua resposta...

        . H? Resposta? Ah, o sorvete... tudo bem, feito.


        No dia seguinte, Mina entrou em campo pensando na responsabilidade que
assumira. Se perdesse, finalmente ia ter cedido aos encantos de Troy
Adams e todos iam achar isso muito natural, menos ela, que no via nada
de natural em sair com Troy. Ela o achava bonito, mas continuava
pensando no rapaz da pulseira. Agora, lembrava-se melhor de uns sonhos
que tivera com ele assim que chegara  casa da av, nos sonhos ele era
bem mais real, mas faltava ainda alguma coisa... havia uma janela, um
lago escuro, montanhas e beijos, muitos beijos que faziam ela acordar
sorrindo quando conseguia lembra-se do sonho, agarrando-se a ele como se
fosse um barco para um nufrago. Com o tempo, por mais que quisesse, no
conseguia mais sonhar com ele, no sabia dizer porque, em vez de
avivar-se, a imagem do rapaz da pulseira esmaecia aos poucos em sua
mente.

        Quando o jogo comeou, ela julgou que no estava jogando com Troy. No,
estava jogando com o garoto da pulseira, e ela sentia mgoa disso, via
Troy na sua vassoura do outro lado do campo, e imaginava aquele garoto
de olhos verdes e cabelos negros montado na vassoura, jogando contra
ela, os dois competindo, ela subitamente viu o pomo e voou na direo
dele, o grito da torcida alertou Troy, que voou em direo ao pomo ao
mesmo tempo. Mina via o pomo se aproximar e uma tristeza foi tomando
conta dela, uma tristeza grande que tirava todo o prazer de jogar o
quadribol, que at ali ela gostara tanto, no percebeu que perdia
velocidade  medida que a tristeza aumentava, lgrimas espontneas
chegando-lhe aos olhos. Ela sentiu Troy passar a sua frente e ainda
tentou ganhar velocidade, mas ele agarrou o pomo bem diante dela,
virando-se sorrindo, sem ver que ela estava quase chorando.


. Voc vai sair comigo hoje, Mina Moore  ele disse.
Ela respondeu apenas com um sorriso triste.


        Antes de ir com ele para Las Vegas, passaram na casa dela e ela pediu
permisso  av. Ao ver Troy, a av foi muito simptica, pareceu adorar
o rapaz  primeira vista, oferecendo caf e bolinhos que ele aceitou
educadamente, enquanto Mina se arrumava. Quando ela apareceu numa roupa
de trouxa cor de vinho, ele sorriu e disse que ela estava linda e disse
a av dela que no voltariam tarde. A velha sorriu e disse que confiava
neles. Ele tomou a mo fria de Mina e disse, tocando sua pedra:


. Cidade do jogo  desapareceram. Josie, a garonete da
lanchonete disse a ela:

. Isso no  certo, Igraine. Voc tirou dela suas recordaes,
agora tem lhe apagado os sonhos, mas est no rosto dela que ela ainda o
ama, sem saber quem ele . Voc no pode passar o resto da vida enganado
sua neta.

. Ela vai se interessar por Troy. Melhor amar um rapaz de
talento limitado, mas de corao livre, que um gnio angustiado, Josie.
Eu s quero livr-la do sofrimento. Imagine o sofrimento que Harry
Potter traria  minha neta... j basta tudo que ela passou. 

        . E voc a afastou de seu pai.

. Atlantis teve Mina por muito tempo. Agora  minha vez de
cuidar dela... voc sabe o que vai acontecer l... melhor que ela esteja
longe. Melhor que ela aprenda a amar Troy e esquea Potter. Ele  um
gnio, mas os gnios s trazem sofrimento. Eu amei um e veja o que me
aconteceu.


        Em Las Vegas, Troy tentava agradar Willy, mostrando-lhe o que conhecia,
mostrando os mgicos que eram realmente bruxos e os que apenas faziam
truques, depois a levou ao restaurante em que seus pais faziam show e
disse:


        . Um dia, talvez eu tambm esteja aqui. 

        . Voc no pensa em fazer mais? 

. No. Me basta ser um bom bruxo. Viver minha vida. Porque, o
que voc espera?


        Mina no soube responder. Era como se um dia tivesse tido sonhos de
grandeza e agora no se lembrasse mais deles. Deu de ombros e disse:


. Sei l, quem sabe caar vampiros...  no sabia
porque tinha dito isso

        . Deixe isso para a Irmandade da Raposa.

        . Irmandade?  O nome no era estranho

. Sim, a gente de sangue imune, trouxas. Isso quem faz so eles.
Ns temos que ser bruxos.


        Ela notou que ele aproximava-se cada vez mais dela, os olhos
perscrutando seu rosto e seus lbios,  espera de um beijo. Afastou-se
um pouco e ele disse:


        . Mina, do que voc est fugindo?

        . No estou fugindo, Troy, s no quero namorar voc. 

. Porque no? Ser que eu ainda no mostrei ser bom demais para
voc?

        . No  isso. Acho que eu amo outra pessoa.

        . Outra pessoa? Mas voc nunca teve ningum aqui.


        Silenciosamente, ela tocou com jeito a pulseira e mostrou-lhe a imagem
do rapaz. Ele olhou a foto e disse:


        . Mina, isso  alguma piada?

        . Porque?

        . Voc no sabe quem  esse?

        . No. 

. Tem certeza?  Ele a puxou do restaurante e a levou at uma
lojinha num beco, uma loja de artigos mgicos escondida entre as luzes
de Las Vegas. Ele a levou at uma seo e mostrou a ela um livro: "O
menino que sobreviveu"  A biografia no autorizada de Harry Potter, at
os 14 anos quando venceu o torneio dos trs Magos, por Rita Skeeter. 


        Mina arregalou os olhos. Na capa, bem mais novo que no retrato mais
ainda assim inconfundvel, o rapaz da pulseira olhava para ela. Troy
disse com raiva:


. Voc ama um souvenir do grande mago Harry Potter? Um
garoto que nunca fez nada demais, quase tudo  meio inventado.

        . Como voc sabe?

. Eu tenho um amigo que estuda com ele, e disse que ele 
odioso. E meu amigo  um cara muito legal, no ia mentir para mim.

        . Ele estuda aonde?

        . Em Hogwarts, na Inglaterra. Voc estudou l?

        . No sei. Minha av nunca me disse.

. Pergunte a ela. Se voc tiver tido algo com ele, juro que te
deixo em paz.


        Ele a encarava, srio. Ela apertou a pedra e disse:


        . Casa do cacto.  Ele a acompanhou e disse:

        . Vou esperar aqui fora. Quero saber tanto quanto voc.


        Ela correu para o interior da casa e chamou pela a av. Ela veio, com
um olhar de estranhamento:


        . To cedo?

. Eu quero saber uma coisa, vov. Eu preciso que voc me diga.
Em que escola eu estudei? Na Inglaterra, em que escola foi?  A av
tinha certeza que esse dia chegaria, e tinha a resposta pronta:

        . Swann Lake, no sul. Porqu?

        . Eu no estudei em Hogwarts? No conheci Harry Potter?

        . Voc nunca o viu, Mina. 


        Ela saiu arrasada, foi at a porta da casa. Ele contemplava a noite do
deserto, azul e roxa, com muitas estrelas no cu. Um coiote uivava ao
longe. Ele voltou-se quando ela saiu.


        . Ento?  Ele perguntou, ansioso.


        Mina tentou responder, mas a voz no saiu. Ela respirava rpido, mas as
palavras no saam. Comeou a chorar, tentando cobrir o rosto com as
mos, envergonhada por ter sido to estpida. Ele aproximou-se dela e
olhou-a nos olhos:

        - Voc no o conhece? - ela balanou a cabea ainda chorando em
assentimento. Ela abraou-a e disse: - No faz mal... voc perdeu tudo,
Mina. Era fcil ter uma iluso... ele levantou o rosto dela e encarou-a,
sob a luz das estrelas do deserto  Deixe-me te fazer esquecer essa
iluso, Mina... eu gosto de voc.

        Ela deixou-se beijar, tristemente. Era menos que ela se lembrava de um
beijo, no que no fosse bom, mas ela ainda tinha a impresso de j ter
beijado algum com muito mais amor, com muito mais ternura, deixava-se
beijar por pena, por carncia, at que cedeu plenamente e s havia um
beijo, mais nada.

        Alguns dias depois, Draco recebeu uma coruja de Troy:

        

         "Cara, voc no vai acreditar na histria que eu vou te contar. Estou
namorando uma garota incrvel, estou mandando a foto dela comigo que
tiramos ontem. O mais engraado no  isso. 

        Ela infelizmente perdeu a memria depois que seus pais morreram ano
passado, e acho que ela ficou meio perdida com isso, sabe? Acredita que
ela achava que era namorada do Harry Potter? Tudo por causa de um
souvenir, uma pulserinha com a imagem dele que ela tinha, sei l talvez
ela fosse f do cara, no sei como foi parar l.... ela mora com a av,
mas no sabia em que escola tinha estudado, ento descobriu que estudara
em Swann Lake e nunca vira Potter. D para acreditar?

        Ela ficou arrasada, Draco, arrasada mesmo, eu a consolei, o que no foi
muito difcil, e ela ficou comigo. Agora estamos juntos, ela 
apanhadora da Sexta srie, e voc vai ver na foto como ela  linda. 

Depois eu te conto mais, quando houver mais para contar...

        E voc? Tudo bem por a? Resolveu o problema com o Potter? Me escreva!

        Uma abrao,

                Troy Adams Jr"

        Draco achou graa na histria e olhou para a foto. Parou chocado ao
reconhecer que a garota na foto era realmente Willy. Ficou um minuto
digerindo a descoberta. Olhou novamente a foto incrdulo. Sem entender
porque afinal de contas a av desmemoriara a garota, e porque negara que
ela conhecesse Potter, pensou nas possibilidades. Ele podia naquele
momento mostrar a foto para Potter e dizer a ele: "Caia aos meus ps,
seu babaca, porque eu sei onde est sua namorada.", e aproveitar a
gratido eterna dele para livrar-se do maldito vodu, o que acabaria com
o pobre Troy; podia esquecer tudo, o que pouparia seu melhor amigo de um
sofrimento maior, ou podia simplesmente guardar a informao e us-la
quando fosse conveniente, provavelmente para humilhar Potter e dizer a
ele que sua garota j no o amava, preservando com uma mentira o seu
amigo.

        Sendo Draco ainda um Malfoy, ficou com essa ltima hiptese.

CAPTULO 10  DE CRIME E DE CASTIGO

        Harry comeou a sentir-se chateado quando outubro chegou. Era o ms de
aniversrio de Willy, e embora o dia das bruxas do ano anterior tivesse
sido terrvel por causa da invaso dos vampiros a Hogwarts, ele lembrava
com saudades da noite aps tudo acabar, quando haviam ficado muito tempo
abraados na sala de transformao.

        Dentro de si, Harry procurava convencer-se que Willy no mandara
nenhuma notcia nem tentara fugir porque no conseguira, que
provavelmente estava presa e incomunicvel. No ocorrera a ele que ela
podia estar sob feitio de memria, porque era cruel demais submeter um
parente querido ao esquecimento, no era possvel acreditar que uma av
faria isso com a prpria neta. Mas havia o bilhete: "Esquea-a, ela j
te esqueceu". E se fosse verdade? E se a av a tivesse convencido que
deveria esquec-lo?

        Bianca Fall continuava escrevendo para ele, era impressionante como uma
menina que ele sabia que tinha um interesse por ele podia se revelar
amiga, animando-o e dizendo que Willy apareceria. Atlantis tinha mandado
para ele uma coruja em setembro dizendo que estava retornado da Amrica
pois no encontrara Willy em nenhuma das escolas em que procurara.
Talvez ela estivesse em outro lugar.

        O que Atlantis no sabia era que sua me havia conjurado um feitio
fidelius com Josie, a garonete, como fiel do segredo, e, mesmo tendo
olhado a lista de alunos e visto "Wilhemina Moore", mesmo tendo passado
a metros da prpria filha, Atlantis no a reconhecera e tambm no fora
visto pela menina, porque passara encapuzado, no queria assustar os
jovens com a sua aparncia e sua voz. No final de outubro, ele chegaria
a Hogwarts para tentar conversar com Dumbledore para tirar alguma
concluso sobre o paradeiro de Willy.

        Harry visitou Hagrid sem Rony ou Hermione por perto, queria conversar
com algum que ele soubesse sentir bastante falta de Willy.


. Eu acho  disse Hagrid tristemente  que a av dela
est fugindo de "voc-sabe-quem", e no parou com ela, deve estar
rodando por a com a menina, talvez tenha convencido Willy que ele quer
peg-la.

        . Voc conheceu a av de Willy, Hagrid?

. Conheci, na poca de Hogwarts, mas ela era mais velha, estava
na Sonserina uma ou duas turmas abaixo da dele...

. Voldemort?  Hagrid fez uma cara de desagrado e Harry ficou
sem graa, mas observou-o assentindo:

. Ela era bonita e ambiciosa, muitos rapazes queriam namor-la,
mas ela no ligava para nenhum, diziam que ela tinha um namorado ou uma
paixo secreta fora daqui. Ningum nunca soube quem poderia ser. A
primeira vez que eu vi Atlantis, soube que era filho dela, eles so
parecidos.

        . E porque ser que ela sumiu?

. Quem lembrava dela dizia que ela tinha ido para longe, que
devia estar se punindo por algo de ruim que fizera. Acho que ela queria
dar uma chance para Atlantis, na fundao ele teve bem mais que teria
com uma bruxa fugitiva.

        . Hagrid... voc acha que Willy me esqueceu?

. No acredito, Harry. Para mim, Igraine deve ter convencido-a a
no te procurar. Todos diziam na poca dela que ela conseguia convencer
qualquer uma a fazer o que ela queria.


        O consolo proporcionado pelas palavras de Hagrid durou pouco tempo,
porque depois do treino de quadribol da Sexta feira seguinte, quando
Harry recolhia suas coisas, encontrou sobre sua veste de estudante uma
fotografia. Arregalou os olhos ao ver Willy sorridente acenando ao lado
de um sujeito que ele nunca vira na vida, alto e de cabelos
encaracolados. Ficou algum tempo olhando a foto sem entender nada, e sem
conseguir atinar quem a colocara sobre suas roupas. Correu segurando a
foto e levou-a diretamente para Sheeba, que estava se preparando para ir
para casa, com Sirius e Hope, que ficava em Hogwarts durante o dia, sob
os cuidados de Smiley, agora um elfo-bab-domstico. Harry atirou a foto
para Sheeba, chateado. Ela a tocou e disse:


        . Harry, tem mais do que parece aqui. 

. Como, Sheeba, como essa foto foi parar no meio das minhas
coisas?


        Sheeba encarou-o, sria. No queria dizer a ele que algum em Hogwarts,
sob feitio de confuso, recebera a foto do rapaz da fotografia. Ela
sabia que nem tudo estava visvel ao toque, provavelmente porque Willy
tambm estava sob feitio de confuso, mas uma coisa ela tinha certeza:


        . Harry, ela no ama este rapaz.

        . Ento quem  ele?

. Harry, Willy est sob feitio de confuso. E a pessoa que ps
esta foto sobre suas coisas tambm.

. Ela me esqueceu, Sheeba?  Sheeba fechou os olhos e se
concentrou por um minuto, tentando ver o momento em que a foto fora
tirada, a cmera pertencia ao rapaz... quem tirava a foto era um outro
garoto. Ento ela ouviu alto e claro, o rapaz louro dizer: "Quero uma
foto bem legal com minha namorada, Gus."

. Harry... eu no sei o que aconteceu, acho melhor voc falar
com Dumbledore. Temos que descobrir onde essa foto foi tirada. H mais
aqui que gelo de confuso.


        Draco Malfoy se divertiu sozinho vendo o sofrimento de Harry. Ele
vigiara-o durante alguns dias, sempre com a foto no bolso, esperando o
momento certo de larg-la  vista para que ele sentisse o gosto amargo
de perder sua garota, como Draco estava sentindo, e por causa dele,
segundo o que Draco pensava. A mgoa de perder Sue estava se
transformando rapidamente em raiva no corao do jovem, uma raiva que
ele ia direcionando sem remorso algum para Harry, imaginando como o
rapaz merecia aquilo por ter dito para ele que ele era uma pessoa ruim.

        Agora, depois que dera o primeiro passo, Draco preparava-se para dar o
segundo. O jogo de Quadribol entre Grifnria e Lufa-lufa se
aproximava... ningum estranharia se Harry Potter sofresse um acidente.
Ele era propenso a acidentes.

        Muito longe dali, no centro de Londres, Steve Van Helsing localizou
algum que estava caando h quase vinte anos. Era uma noite sombria de
outono, a nvoa se espalhava fria pelo ar. Steve era o irmo mais velho
de John Van Helsing e atualmente o nico caador de vampiros em
atividade em Londres, j que sua filha Annie estava na Rssia. Steve
sorriu ao ver que sem dvida, enquadrara sob a mira de sua besta, que
atirava flechas com ponta de prata, Lubna Lee. Ela estava sozinha, seu
companheiro, este sim, muito mais perigoso que ela, no parecia estar
por perto. Gostaria de entender porque eles haviam ido para Londres,
estava dando muito trabalho acabar com a turma de vampiros nefitos que
eles estavam fazendo atrs de si... Se a matasse , seria mais fcil
chegar a ele. Eles sabiam que ele estava no seu encalo e agora se
separavam para caar, Lubna se escondia muito bem, pois sabia ser mais
fraca. Ele mirou e com um zunido, a flecha partiu, atingindo a vampira
no peito. Lubna gritou.

        Do outro lado da cidade, Caius Black, que perseguia o alimento daquela
noite, parou subitamente e disse:


. No... Lubna... No.  fechou os olhos, antes que o
desespero o tomasse e ele comeasse a gritar.


        Alvo Dumbledore olhava para a foto intrigado. Sheeba j dissera tudo
que sabia sobre a fotografia, e sobre sua desconfiana maior: Willy
estava sob feitio fidelius, e se isso era verdade, no a achariam a
menos que descobrissem quem era o fiel do seu segredo. Sheeba pedira uma
audincia particular, no queria que Harry nem Sirius ouvissem o que ela
e Dumbledore conversariam:


. Sheeba  comeou Dumbledore  voc acha que o fato de
algum pr esta fotografia junto das coisas de Harry pode ter alguma
coisa a ver com o vodu que fizeram para ele?

. Professor... posso dizer para o senhor que com certeza quem
fez o vodu e a pessoa que ps isso sobre as roupas de Harry esto sob
feitio de confuso, mas no posso garantir que seja a mesma pessoa,
seria uma leviandade dizer isso.

        . Voc concluiu alguma coisa sobre o vodu?

. Tenho uma suspeita, mas no posso falar para o senhor. No
tenho certeza nem provas. Mas sei de uma coisa: a pessoa que fez o vodu
para Harry no fez com a inteno de fazer mal a ele  Dumbledore
franziu o cenho

        . Haveria algum outro motivo para se fazer um vodu?

. Professor... o senhor sabe que vodu dificilmente d certo em
sua totalidade... na maioria das vezes sai um feitio fajuto. Acho que
essa era a inteno da pessoa. Fazer um feitio fajuto, para enganar
algum que queria realmente fazer mal a Harry.

        . E porque ento deu certo?

. No sei  mentiu Sheeba, ela sabia: elo de dio. Energia em
dupla circulao. Mas no queria entregar Draco Malfoy, pelo menos no
ainda. Dumbledore pareceu saber que ela mentia:

        . Tem certeza que no tem mais nada a me dizer?

. Tenho. Professor, preciso ir... tenho que cuidar de minha
filha, se souber mais, lhe falo.


        Sheeba saiu e Dumbledore ficou olhando-a, sabia que ela estava
protegendo algum, e conhecia-a muito bem para saber que se ela fazia
isso,  porque tinha algum bom motivo.

        Sirius e Sheeba despediram-se de Harry e rumaram para sua casa, junto
com Smiley, que empurrava o carrinho de Hope. A noite estava escura e
densa em volta deles, Sirius parecia calado e Sheeba perguntou:


        . O que voc est sentindo?

. Nada, vamos para casa  ele disse olhando em volta assim que
cruzaram os portes de Hogwarts, olhando para os lados. 


        Giraram a chave da casa na fechadura e rapidamente estavam dentro dela.
Sheeba preparou Hope para dormir e Sirius ficou sozinho na sala.
Jantaram com ele em silncio, Sheeba procurando o motivo dele estar
daquele jeito nos seus olhos. Deitaram-se mais tarde e ela abraou-o
sentindo a angstia que ele estava sentindo por dentro. Viu que Sirius
tinha um pressentimento e soube que era um pressentimento real.

        Muitas horas depois ele acordou sozinho. Contemplou Sheeba adormecida e
olhou a filha, que dormia placidamente num bero ao lado da cama dos
dois, era ainda muito pequena para ir para o quarto. Ps uma capa sobre
os ombros e saiu. Na cama, Sheeba abriu os olhos. Sirius chegou  sala e
saiu para o lado de fora da casa. Ele j estava l.


        . O que voc quer, Caius?

. Sirius... voc me deve um favor  o rosto de Caius estava mais
plido que de costume, o vampiro parecia mais vampiro que nunca assim. 
quero que voc me mate.

        . No vou fazer isso. O que te aconteceu?

. Eles a pegaram, Sirius, Lubna, minha mulher... Foi culpa
minha, devamos ter voltado para Nova Iorque, e eu quis ficar em
Londres. Agora ela est morta.

. No foi culpa sua, na sua espcie acontece toda hora. V
embora, Caius, no vou te matar, procure um Van Helsing.

. No vou me permitir morrer pelas mos deles. Eu quero que
algum do meu sangue me mate. 

. Escute, isso no tem nada de nobre, Caius. Vamos fazer uma
coisa? Eu vou te enterrar vivo e voc pensa nisso por uns dias, est
bem?  Sirius comeou a andar em direo ao cemitrio local com passos
firmes, Caius o seguiu, hesitante. Chegaram aos portes do cemitrio e
Sirius com a varinha abriu uma tumba grande.  Entre  ordenou
rispidamente. O vampiro entrou e ficou encarando-o de dentro da
sepultura.  Pense por uns dias, Caius. Se voc se acostumar, pode ficar
enterrado por uns milnios para recuperar sua alma. No conte comigo
para perd-la pela segunda vez.  Com um movimento de varinha, Sirius
baixou uma grande pedra sobre o tmulo, e conjurou um feitio de
vedao. Tirou do bolso a chave da casa e girou-a, chegando  sala.
Sheeba esperava-o:

        . O que ele queria?

        . Morrer. 

        . E voc? 

. Aproveitei a apatia dele para empared-lo um pouco. Quem sabe
ele no se acostuma com a idia e resolve tentar recuperar a alma?


        Nada deste dilogo chegou a Hogwarts. Passou a ser um segredo de Sirius
e Sheeba que havia um vampiro emparedado em Hogsmeade. Apenas disseram
ao professor Dumbledore, mais por confiana que por qualquer outro
motivo.

        Finalmente chegou o dia da partida de Quadribol entre Lufa-lufa e
Grifnria. Toda a escola compareceu, menos uma pessoa: Draco Malfoy, que
trancado num banheiro, observava com um ar maligno o boneco de vodu. A
vida de Harry Potter. Ficou ouvindo os gritos da torcida, achando que
naquele momento os times entravam em campo, ouviu um rapaz (no mais
Lino Jordan, que j se formara) irradiar a partida ao longe, e
lentamente comeou a sacudir o boneco de Harry Potter. Ouviu um ohh da
platia e riu.

        - Voc vai cair da vassoura, Potter... - ele voltou a sacudir o boneco,
imaginando Potter caindo da vassoura e morrendo... isso era to simples,
to fcil...  Agora, um pouquinho de medo... ele cobriu os olhos do
boneco com uma das mos e ouviu o narrador do jogo gritar que Potter no
parecia bem. Ele sorriu, era hora do acidente, ia virar o boneco de
cabea para baixo e...

        Um barulho fino o distraiu, alguma coisa cara de dentro da veste do
boneco. Draco olhou para o cho. Sobre os ladrilhos brancos do banheiro
ele viu um fino cordo de ouro com um pingente de pedra vermelha em
forma de gota.

        "Uma gota de sangue, para voc lembrar de mim."

        Sue. Ela queria que ele se tornasse uma pessoa melhor. Ele olhou o
boneco e depositou-o cuidadosamente no cho. Pegou o pingente entre os
dedos e comeou a se lembrar de coisas desordenadas, a voz de Sue
ecoando em pensamentos na sua cabea:

        "Talvez um dia, Draco Malfoy, quando voc se tornar uma pessoa
melhor...Sabia que seu sobrenome quer dizer M vontade?... Voc devia
ter arrumado uma forma digna de me ver... devia ter enfrentado seu
pai... E ento, Draco Malfoy? Esforando-se para se tornar uma pessoa
melhor?...Voc foi covarde! ... Magia Negra  sempre perigosa, entende?
Bem ou malfeita, acho que malfeita pode ser perigosa para voc. ...Se
voc continuar chamando-o desta forma, se continuar com inveja dele, vai
acabar gostando de fazer mal a ele, e depois no vai conseguir parar,
no vai conseguir parar."

        Ento ouviu sua prpria voz dizendo:

        "No, eu no vou fazer mal a ele. Posso no gostar dele, mas amo voc e
jamais faria algo que voc no fosse gostar."

        Repentinamente percebeu: Sue nunca o perdoaria se ele fizesse uma coisa
daquelas. Olhou o boneco aterrorizado. Ela tinha razo, aquilo se
tornara perigoso para ele, ele no percebera quando passara a ter a
inteno de usar o boneco, mas agora via claramente que se no tivesse
lembrado de Sue, ele usaria, mataria Potter, e iria se tornar exatamente
tudo o que no queria: ia se transformar em algum idntico ao seu pai. 

        Sem pensar exatamente no que estava fazendo, ele ergueu-se de um salto,
ocultando com cuidado o boneco entre as vestes, e pondo no bolso a jia
que dera a Sue. Saiu do banheiro e rumou em passos decididos para o
ptio de quadribol. Ergueu os olhos para ver aliviado que Harry estava
bem, que agora estava voando normalmente, sem vestgio algum do mal que
ele quase fizera. Continuou srio, mesmo diante do estrondo da torcida
quando Harry finalmente capturou o pomo. Ficou parado no mesmo lugar. S
se mexeu quando ele atingiu o solo e seus amigos o cercaram. Lentamente,
Draco se aproximou. Abriu caminho entre as pessoas e chegou at ele, que
o encarou com um pouco de raiva no olhar. Um silncio mortal se abateu
sobre todos em volta. Os dois ficaram em silncio por quase um minuto.
Draco ento comeou a falar:

        - Voc queria saber porque eu queria ser seu amigo, Potter, achou que
eu tinha sido falso... realmente, eu no queria me tornar seu amigo sem
uma segunda inteno. Acontece, que eu arrumei um problema nas frias, e
queria me livrar dele... realmente, eu no gosto de voc, assim como
voc no gosta de mim, mas se voc me perguntar, no foi por no gostar
de voc que eu fiz isso  ele sacou o boneco de vodu e entregou-o ao
boquiaberto Harry  e posso te garantir, Potter, de corao aberto, que
estou muito arrependido. Perdoe-me.

        Ningum sabia o que dizer. Draco Malfoy tinha ido longe demais.

CAPTULO 11- IMPERDOVEL

        Draco foi levado para a sala de Alvo Dumbledore na mesma hora, os
outros alunos olhando-o com receio, os rostos passavam e ele no os via,
mas sentia um alvio imenso, era como se todo o peso do mundo tivesse
acabado de ser retirado de cima dele. Realmente, no percebia a
gravidade de sua situao, diante de mil testemunhas confessara um dos
crimes mais graves de magia negra, ainda mais um feitio que era
considerado um recurso baixo, sujo e vil at mesmo pelos piores bruxos
das trevas. Mas ele no se importava com nada, apenas se livrara do
maldito boneco.

        Uma pessoa no o amaldioava. Algum que no momento ningum prestava
ateno: a sua vtima. No instante em que Draco entregara-lhe o boneco,
Harry tivera ganas de realmente atac-lo, como ele podia ter feito
aquilo com ele? Mas ento ele olhou para Draco e viu imediatamente o
remorso e o arrependimento numa expresso que ele nunca vira naquela
cara cnica que ele estava acostumado a detestar, e, mesmo contra sua
vontade, Harry sentiu pena de Draco Malfoy.

        Quando vira Draco entregar o boneco para Harry, Sheeba sentiu
primeiramente alvio, depois comeou a se preocupar, ao ouvir Sirius bem
ao seu lado dizer: "Garoto maldito, como teve coragem de fazer isso?".
Automaticamente Sheeba levantou-se pois sabia que teria de fazer algo
que nem Severo Snape, o maior protetor de Draco se animaria a fazer:
tomar para si a tarefa de defender o garoto. Ela levantou-se entregando
Hope, que estava em seu colo, para Smiley e foi andando rapidamente
atrs de Snape e da professora McGonnagal, que levavam Draco para a sala
de Dumbledore.

        Ao ficar frente a frente com Draco, Dumbledore olhou-o muito
decepcionado:

        - Porque voc fez isso, filho? 

        Draco encarou Dumbledore com uma expresso vazia nos olhos. Devia
contar a ele toda a histria, mas no queria que seu pai fosse levado
para Azkaban, e era isso que aconteceria se ele dissesse que seu pai
financiara para ele um curso de vodu na Amrica. 


. Na verdade eu no queria fazer mal a ele... era para ser uma
brincadeira  Dumbledore apertou os olhos e ele baixou os dele  Eu no
queria realmente ferir Harry Potter.

        . Onde voc aprendeu a fazer isto, Draco?

        . Na Amrica. Estive l nas frias. 

        . Seus pais sabem desse feitio?

. No  mentiu, olhando de frente para o professor, cujos olhos
liam atentamente sua expresso culpada.

. Draco... eu sinto muito, mas se no me falar toda a verdade eu
no poderei ajud-lo.

        . Eu estou falando a verdade.

        . Voc tentou usar o boneco hoje?

        . Tentei.

        . E porque mudou de idia?

. Eu percebi que no era certo, e desisti. Ento achei que o
melhor era pedir desculpas a ele.

. Draco, para determinadas coisas, apenas desculpas no bastam.
Voc mostrou e confessou um vodu na frente de toda a escola. Eu sei que
voc realmente est arrependido, mas o ministrio da magia no vai
querer saber disso.

        . Eu sei  a voz de Draco era mecnica.

        . Diga a verdade, e voc no ir para Azkaban.

. Mas serei expulso do mesmo jeito, no serei? Serei proscrito e
obrigado a viver como os trouxas. Um imperdovel. Meu pai ter mais
vergonha de mim assim do que se eu for para Azkaban.


        Algum bateu  porta da sala, Dumbledore deu permisso e Sheeba
apareceu.


. Professor, deixe-me defender Draco .  Draco olhou-a com a
mesma expresso vazia.

. Ele precisa querer a sua defesa, Sheeba.  Ambos olharam para
Draco, que disse:

        . No preciso que ningum me defenda. 

. Draco  Sheeba aproximou-se do rapaz  eu sei que voc no
queria ferir Harry. Entenda que preciso que voc colabore para que eu
consiga te livrar de ir para Azkaban.

. No tem mais importncia - Draco deu de ombros  Em Azkaban ou
fora de l, no sou mais ningum mesmo.


        Dumbledore e Sheeba se encararam, era preciso agora comunicar os pais e
o ministrio da magia. Draco ia ser expulso de Hogwarts.

        

        Quando a coruja de Dumbledore chegou s mos de Lcio Malfoy, este
empalideceu. No podia acreditar que o garoto tinha se deixado apanhar!
Pelo menos tivera a decncia de no incrimin-lo. Mas no queria um
filho proscrito, era preciso pedir ajuda ao mestre. O mestre prometera a
ele que isso no aconteceria. Comeou a invoc-lo, usando sua varinha
para formar a marca das trevas. Depois de alguns minutos, Voldemort
aparatou na sala de estar da casa.


. Acho bom voc ter um bom motivo para ter me chamado, Lcio.
No gosto de sair de meu esconderijo  toa.

        . Mestre... meu filho foi pego. Ele vai ser expulso de Hogwarts

        . O que ele fez?

        . Eles o pegaram fazendo o vodu....

. Voc no devia ter deixado ele levar o boneco para Hogwarts,
eu te avisei Lcio.... Eu sempre soube que de todos voc era o mais
estpido. Pelo menos ele conseguiu provocar dano em Harry Potter?

        . O garoto tem uma veste protetora.

. Ento, de nada serviu seu esforo, hein Lcio... seu filho se
sujou por causa de um truque rasteiro.

. Vo levar meu filho para Azkaban, mestre, o ministro da magia
est indo para l...

. Sossegue, Lcio. Seu filho no vai para Azkaban... eu fiz uma
aliana, e estava aguardando uma oportunidade para lan-la. Voc acaba
de me dar esta oportunidade. Em algumas horas volto para te buscar.
Esteja pronto.


        O bruxo desaparatou, deixando Lcio Malfoy perplexo

        Por acaso, Atlantis Fischer chegara a Hogwarts naquela noite, e olhava
abatido para Harry. Havia envelhecido desde que Willy desaparecera.


. Harry, eu no a encontrei, sinto que estive perto dela, mas
no a encontrei.  Harry encarou-o mudo e mostrou-lhe a fotografia.
Atlantis olhou para a fotografia e disse:

        . Isso pode no ser verdade, Harry. Pode no ser o que parece.


        Ainda mudo, Harry mostrou-lhe o bilhete que recebera nas frias.
Atlantis olhou uns segundos para o bilhete e disse:


        . Minha me ps um feitio de memria em Willy.

        . Porque voc diz isso? 

. Porque eu tenho certeza que ela fez o mesmo comigo para eu
esquecer o nome de meu pai. Feitios de memria so crueldade, eu sei,
mas minha me nunca teve medo de us-los.

        . Ento foi isso? 

. Tenha certeza.  uma esperana se acendeu em Harry, mas ele
lembrou-se de Draco e resolveu falar com Atlantis sobre isso:

        . Atlantis, voc acha que Draco Malfoy merece ser expulso?

. O que ele fez foi muito grave, e contra voc. No acredito que
esteja defendendo-o .

. Eu jamais o defenderia, mas Sheeba havia me dito que quem fez
o feitio contra mim havia sido manipulado, que no fizera para me
machucar, e realmente, quando ele fez o feitio, a ferida apareceu no
brao esquerdo, o lgico seria ferir o brao direito, pois eu no sou
canhoto... depois, quando ele usou o boneco hoje apenas me sacudiu um
pouco e logo se arrependeu. Ele podia ter me matado e desistiu, quando
teve a oportunidade nas mos. Nos ltimos meses eu sentia muita raiva de
Malfoy, mas quando ele me entregou aquele boneco e pediu perdo a raiva
simplesmente se foi.

. Lembre-se do que vou te dizer, Harry: h mais a do que pode
parecer. O perdo  uma arma mais poderosa contra o vodu que qualquer
contra-feitio. Acho realmente que Draco foi apenas um instrumento. H
algum por trs disso tudo.


        Na dia seguinte,  tarde o ministro Cornlio Fudge chegou a Hogwarts,
acompanhado de dois dementadores, que no atravessaram os portes,
ficando do lado de fora esperando-o Agora ele andava com eles por toda
parte, era desta forma que ele julgava estar se protegendo de Voldemort.
No sabia que as tremedeiras e o medo constante que sentia vinham
justamente daqueles que ele julgava estarem lhe protegendo. Toda escola
estava reunida no salo principal, Draco sentado no banco onde
normalmente os alunos eram selecionados. Severo Snape segurava a varinha
do rapaz. Na mesa da Grifnria, Harry, entre Rony e Hermione pensava num
meio de evitar que ele fosse expulso. Aquilo parecia-lhe injusto depois
que ele pedira perdo.

        Um breve interrogatrio se seguiu e Fudge perguntou a Draco se ele
desejava defender-se ou ser defendido. O rapaz apenas negou com a
cabea.

        A muitos quilmetros dali, Pedro Pettigrew estava em sua cela, insano
como qualquer cativo em Azkaban. Como sempre o ar estava tomado pelos
gritos de alguns, pelos murmrios de outros e pelo desespero de muitos.
Subitamente ele comeou a ouvir ao longe um som, repetido e progressivo:
"Clank" Clank!" O som foi se aproximando, como se viesse pelos
corredores. Ele ouviu o som bem na cela ao lado da sua. A porta de sua
cela abriu-se com o mesmo som, e a luz invadiu o cubculo. Ele cobriu os
olhos porque a luz o havia cegado momentaneamente. Conforme seus olhos
acostumaram-se, ele pde divisar um vulto familiar alto e esguio parado
na porta da cela.


        . Mestre?

        . Vamos, Wormtail, voc est livre.  hora de desaparatar. 


        Naquele momento, em Hogwarts, a varinha de Draco Malfoy foi quebrada
por Severo Snape. O rapaz no olhou, ficou apenas de cabea baixa.
Cornlio Fudge comeou a fazer um discurso:


. Eu quero dizer a vocs, estudantes de Hogwarts, que este rapaz
ser um exemplo para todos.  normal em uma escola de bruxaria um ou
outro aluno acabar desviando-se do caminho, mesmo sendo oriundo de
famlia nobre e honrada...

. Se a famlia Malfoy  nobre e honrada eu sou um seburrlho
verde  sussurou Rony para Harry

. ... E mesmo que ele tenha pedido perdo ao seu desafeto, ns,
do Ministrio da magia achamos por bem que ele no seja perdoado para
que toda a comunidade mgica veja como  tratado quem desobedece a lei
anti-vodu. Esta noite este rapaz ser levado sem direito a apelao,
mesmo sendo menor de idade, por ter confessado o delito sem o menor
remorso. Sua atitude fria repete em todos os detalhes a conduta comum
aos bruxos das trevas. Estamos cortando o mal pela raiz.

. H algo injusto aqui  sussurou desta vez Hermione para Harry
 ele devia ter direito a um julgamento normal.

. ... ento, pelos poderes a mim conferidos, declaro Draco
Malfoy proscrito para a comunidade mgica. Seu nome ser apagado da
Histria de Hogwarts, como aconteceu com todo imperdovel.


        O salo estava num silncio mortal. Draco continuava de cabea baixa,
sentado no banco do chapu seletor. Seu rosto estava indecifrvel.
Parecia algum cuja alma havia abandonado o corpo, sem levar-lhe contudo
a vida. O ministro conjurou duas algemas nele e mandou que se erguesse.
Ele olhou em volta e seus olhos encontraram os de Harry. Eles se
encararam at que o ministro ordenou que Draco o seguisse. O olhar dele
gravou-se na mente de Harry.

        As portas de carvalho se abriram e o ministro saiu junto com Draco,
entraram ambos num grande carro do ministrio, mas que vinha sem
motorista. O carro comeou a afastar-se, contornando o lago na direo
dos portes de ferro que guardavam Hogwarts. Ningum viu quando parou
bem em frente ao porto e a porta se abriu rapidamente. O carro seguiu
em frente e os portes fecharam-se atrs dele.

        Sendo empurrado pela floresta proibida, Draco no entendia o que estava
acontecendo. O ministro repentinamente emudecera e no respondia s suas
perguntas. Ele tentava perguntar onde eles estavam indo, o que estavam
afinal fazendo ali dentro, mas no tinha resposta. O homem simplesmente
o cobrira com uma capa de invisibilidade e o jogara para fora do carro,
e ele repentinamente se vira forado a andar sempre para a frente, em
silncio. Quando pensou em gritar, uma mordaa foi conjurada em sua
boca. Depois da atitude no julgamento, finalmente Draco sentia sua mente
clarear aos poucos e ele percebia que alguma coisa realmente estava
errada. Mas agora no conseguiria fugir, porque Fudge o havia
enfeitiado com um feitio de caminhada contnua e o mantinha preso
pelas algemas. Ele perdeu a noo do tempo at o momento que apareceu
diante dele a entrada do que parecia uma cripta, com uma escadaria que
descia para dentro da terra, mergulhando na escurido.

        - Lumos!  ele ouviu o homem dizer e uma luz surgiu  sua frente. Ele
ouvia gritos agnicos e desesperados ecoando pelos corredores escuros da
cripta onde mergulhavam, e subitamente lembrou-se da histria dos
errantes que ouvira um ano antes, quando havia conhecido Sue e ajudado a
matar os vampiros na floresta proibida. Ergueu os olhos para ver as
sombras que se moviam incessantemente nas paredes, as sombras dos
errantes presos no interior daquela cripta. No dava para ter idia de
quantos seriam, mas Draco sabia que deviam ser muitos. Agora Fudge havia
apagado sua varinha, pois haviam tochas de luz azulada iluminando as
paredes de pedra. Depois de muito andarem pelos corredores, chegaram a
uma porta de pedra gigantesca que se abria em par, e Fudge abriu-a .

        Entraram numa cmara circular com um tmulo negro no meio. As sombras
que Draco vira no corredor eram agora muito mais claras nas paredes, de
vez em quando era possvel divisar o que parecia ser uma expresso de
dor num ou noutro rosto que aparecia na orla da parede. Os gritos eram
altos e terrveis, abaixo deles ecoava um som baixo e ribombante, de
gelar a alma. O Homem tirou-lhe a mordaa, mas deixou-o algemado, de
costas para a porta por onde haviam entrado, agora fechada, e seguiu
para a outra porta, em frente quela, idntica em tamanho e forma.
Puxou-a e Draco pde ver quem o aguardava.

CAPTULO 12 - O SANGUE DO SACRIFCIO

        No castelo, Rony, Harry e Hermione tentavam manter uma conversa, o que
era muito difcil depois dos eventos da tarde. O sol se punha atrs das
montanhas de Hogwarts. Estavam na sala comunal da Grifnria. Sabiam que
estava havendo uma reunio muito sria na sala dos professores, e que
Atlantis estava participando por algum motivo dela. Provavelmente os
professores estavam discutindo a possibilidade de aumentar a vigilncia
sobre Hogwarts. O clima na escola no podia ser bom, no que algum
gostasse de Draco Malfoy, desde o fim do semestre passado, ele se pusera
numa espcie de exlio voluntrio dentro da prpria escola, no
conversava com quase ningum, no tinha amigos. Harry estava
interiormente arrependido por no ter tido um pingo de boa vontade com
ele. O que lhe exasperava, achava que agora tinha obrigao de estar com
muita raiva de Malfoy, porque afinal ele fizera um vodu contra ele, mas
algo o impedia.

        Hermione ento olhou para ele e disse:


        . Harry, no foi culpa sua.

        . O qu?

        . Ele fez magia negra, lembra?

        . Ah, o Malfoy... eu no estava nem pensando nele  mentiu.

. Estava sim  disse Rony  existem certas coisas que no se
consegue esconder dos amigos. Quando voc pensa em Willy, normalmente
fica olhando para o vazio, quando pensa em "voc sabe quem",
instintivamente fica com a mo na testa, mexendo na cicatriz... e quando
pensa no Malfoy normalmente voc faz uma cara assim  Rony imitou-o,
franzindo o cenho. 

. Est certo. Eu estava pensando no motivo dele ter feito magia
negra para mim. No faz sentido.

. Tem mais coisas que no fazem sentido aqui  disse Hermione 
eu no pude olhar bem os olhos dele, mas acredito que Cornlio Fudge
est escondendo alguma coisa... e algo que no  bom.


        Draco viu seu pai parado  porta, ao lado dele, um vulto alto, esguio e
encapuzado, que ele concluiu que s podia ser o tal mestre, que ele
nunca vira. Do outro lado havia um outro sujeito que ele tambm no
conhecia e finalmente, atrs de todos, sua me, com uma cara neutra. Seu
pai sorriu ao v-lo e disse:


        . Viemos te salvar, filho.

        . Me salvar?

. Sim. O mestre fez uma aliana com o Ministro, agora ele est
do nosso lado.


        Draco olhou para Fudge, que estava a um canto com uma cara apavorada.


        . E todo aquele discurso sobre eu ser um exemplo? Para onde foi?

. E-eu aderi, entende? No tem mais jeito... ele se aliou a
eles... o ministrio estava muito dependente deles... ento...

. Do que este sujeito est falando?  Draco encarou o pai e os
outros. O bruxo alto baixou o capuz e Draco tomou um susto. No
imaginava que ele fosse to feio.

. Boa noite, Draco  a voz do homem era fria, mas seu tom era
suave.  Imagino que voc queira entender porque est aqui.  Draco
assentiu  Bem, primeiro vou explicar como chegamos aqui... Azkaban no
mais existe. Os dementadores se aliaram a mim e libertaram meus
seguidores, todos eles. Em breve, no haver mais o ministrio tambm.
Eles ainda no sabem, mas Cornlio Fudge jurou lealdade na madrugada
passada  "falso", pensou Draco, lembrando que o sujeito acabara de
prescrev-lo.  quando sairmos daqui esta noite, tudo mudar no mundo da
magia... Junte-se a ns e voc deixar de ser um proscrito.  O bruxo
fez um gesto com a varinha e as algemas de Draco desapareceram. 
colabore e ser libertado para sempre, Draco.

        . Eu tenho escolha?

. Na verdade, no. Seu pai  um dos nossos. Sua me acaba de
aderir tambm... l fora, num cemitrio alm dos muros de Hogwarts eles
esto se reunindo, os meus seguidores. Comearemos a nossa dominao por
aqui.

        . Vocs querem entrar em Hogwarts?

. No. Eu quero destruir o lugar  um brilho sinistro apareceu
nos olhos vermelhos de Voldemort. As portas desta cmara nunca se abrem
ao mesmo tempo. Ou abre-se a porta norte, que vai para Hogwarts, ou a
porta sul, que vai para Hogsmeade. Nunca as duas ao mesmo tempo. E eu
ainda no posso cruzar a porta norte... mas existe uma fora presa nesta
cmara, uma fora maligna muito antiga que pode ser libertada esta
noite.


        Draco olhou para o bruxo. Continuava no gostando dele. Ele
representava todos os anos de falta de ateno que recebera do pai, toda
a falta de amor com que fora criado. Ele tornara seu pai um escravo, no
ia fazer o mesmo com ele, isso era bem claro.


        . O que acontece comigo se eu no aderir? 


        Voldemort olhou para Lcio Malfoy de forma estranha e disse:

        - Eu avisei ao seu pai que isso aconteceria... eu sabia bastante sobre
voc, Draco. Tinha um informante em Nova Iorque. Igor, venha.

        Draco viu o professor de vodu entrar na cmara, o bruxo americano
continuava com a mesma cara de ratazana, sorria da mesma forma cnica.

        - Ol, Malfoy  ele disse  eu vejo que voc no sabia da extenso do
poder do mestre. Eu estive vigiando-o durante todo o curso... e dei uma
pequena ajuda para voc, fazendo uma poo bem mais forte para seu
boneco. Voc nem notou... seu pai sabia de tudo. Sabia da trouxa, ns o
avisamos. Pattica tentativa de enganar um death eater, meu garoto. Foi
bom, voc nos deu munio. Precisvamos mesmo de uma inocente.

        A temperatura da cmara comeou a cair. Draco viu que trs vultos
aproximavam-se pelo corredor. Ento ele pde ver quem eram. Dois
dementadores traziam Sue, que no conseguia enxerg-los, ela estava
insana pela presena deles, estava area e olhava o vazio.


        . Sue! O que vocs fizeram com ela?

. Nada ainda... voc no agiu conforme o nosso plano, sabe? 
Zimmerman comeou  Primeiro: No era para ter feito amizade com aquele
bruxo idiota do deserto... mas isso era difcil de evitar, tambm no
era para ter recusado a amizade daqueles meninos to inteligentes que
estavam fazendo o curso. Eu avisei seu pai que a trouxa estava sendo uma
pssima influncia, voc no queria fazer mal ao Potter, estava
perigando fazer algo errado com o boneco. Ento, eu acrescentei alguns
ingredientes  poo do seu boneco para aular o dio incipiente que
voc sentia pelo garoto Potter e deu certo, mas claro que no atravessou
a roupa protetora do garoto. Eu esperava que voc deixasse o boneco para
trs achando que ele no funcionava, mas voc o trouxe. O que foi ruim.
Seu pai estava avisado e tentou ficar com ele, mas voc tambm no quis
colaborar. Conclumos que na verdade por causa desta garota  apontou
Sue, que olhava para o nada  voc queria pedir perdo ao garoto... 
Voldemort o interrompeu:

. Neste meio tempo eu j estava tecendo a aliana com os
dementadores, e atravs deles cheguei a Fudge... achamos que no
precisaramos mais de voc.. Ele nos traria a Hogwarts. Ento, voc nos
ajudou, dando um motivo para que ele viesse at aqui.

. Mas ele havia estado aqui dias atrs... no casamento do
Weasley  disse Draco

. Ainda no tnhamos conseguido convenc-lo a aderir, mas agora
ele est do nosso lado, Draco, e voc vai ter que escolher de que lado
vai ficar tambm. A pedra do tmulo no centro desta cmara liberta os
errantes que esto presos nas paredes desta cripta. Para isso  preciso
derramar sobre ela o sangue de um humano inocente. Ou voc adere e
mostra sua lealdade sacrificando esta trouxa por ns, ou ns
sacrificamos voc e libertamos os errantes do mesmo jeito. A escolha 
sua.


        No havia o que escolher, Draco no ia permitir que matassem Sue. Ele
olhou para eles e disse:


. Libertem-na. Eu morro no lugar dela, no tenho mais nada a
perder.

. No  assim to simples. Ns no vamos libertar uma trouxa...
vocs dois vo morrer  um punhal surgiu na mo de Igor Zimermann, e ele
avanou para Sue rapidamente, Draco puxou-a de entre os dementadores,
pondo seu corpo entre o dela e o do bruxo. Repentinamente, Narcissa
Malfoy saiu de trs do marido e atirou-se na frente do filho
abraando-o. Ela podia ser forada a aderir ao mestre das trevas, mas
no podia permitir que matassem seu nico filho. Nenhum deles percebeu
que Voldemort vagarosamente retrocedia nas sombras, ele era o nico que
sabia o real perigo de se libertar errantes, e queria pr-se a salvo no
instante derradeiro. Wormtail o seguiu. Cornlio Fudge continuava
trmulo em um canto. Zimmerman disse:

. Saia da frente, mulher, ou eu mato voc, quanto mais sangue a
pedra beber, melhor.

. Mate-me mas poupe meu filho! Os olhos de Narcissa Malfoy
estavam cheios de lgrimas, ela nunca fora realmente m, talvez apenas
um tanto ftil. Mas a nica coisa que amava na vida era o filho e no ia
deix-lo morrer.


        Lcio assistia a tudo impvido. Repentinamente ele tomou a faca de
Zimmerman, puxou Narcissa e a jogou sobre a pedra de sacrifcio. Nesse
instante a porta sul fechou-se bem atrs dele, e ele comeou a golpear
Narcissa repetidamente com o punhal. Zimmerman assistia fascinado, com
um sorriso maligno enquanto o sangue da mulher de Lcio vertia em jatos
sobre a pedra. Draco ainda gritou desesperado, mas j era tarde, as
ltimas palavras de sua me foram:

        - Fuja, Draco!

        Um som estrondoso sacudiu a cmara e Draco entendeu. A pedra se partiu
sob o corpo de Narcissa e ele, vendo a porta sul fechada, entendeu
porque Voldemort sumira... os errantes iam matar todos ali. Raciocinando
rpido, empurrou a porta Norte e puxou Sue por ela, seu pai correu na
sua direo com a faca na mo, mas ele foi mas rpido, empurrando a
grande porta de pedra, e fechando-a com um estrondo. Achou que tinha
pouco tempo. Sue ainda parecia fora da realidade, e ele puxou-a
correndo, a garota ia tropeando pelos corredores escuros arrastada por
ele, subitamente pareceu retornar ao estado de conscincia normal e
gritou:


        . Draco!  voc?

        . Sou, corra! Agora no h tempo para explicaes.


        Draco percebeu que as sombras nas paredes estavam mais agitadas que
nunca, em breve romperiam a porta Norte e viriam atrs deles, tinham que
alcanar Hogwarts o mais rpido possvel. Ele e Sue corriam com todas as
foras, mas ele comeou a escutar l no fundo do corredor o som de
passos arrastados e lentos... a porta fora aberta. Ele viu a abertura da
cripta e puxou Sue por ela, gritou que corresse e eles cruzaram a
floresta, ele no lembrava mais para que lado devia correr para chegar
mais rpido ao castelo, mas viu ento a sombra da torre sul de Hogwarts
e olhou para Sue, que corria, a cara desesperada, bem atrs dele. A
floresta parecia no acabar nunca, a sorte era que se os errantes eram
mesmo mortos vivos, como ele aprendera na aula de Sirius, eles andariam
se arrastando de forma lenta. Se eram um perigo  porque eram muitos. A
orla da floresta finalmente apareceu, ele correu com suas ltimas foras
e comeou a esmurrar com violncia a porta do castelo. Rbeo Hagrid
apareceu olhando-o com estranhamento:


        . Mas o qu?

. Por favor, deixe-nos entrar.  uma armadilha... eles
libertaram... os death eaters, eles esto aqui...


        Hagrid no sabia o que estava acontecendo, mas era bom de instinto e
sabia que s podia haver algo muito errado. Quando ele deixou os dois
entrarem, Draco perguntou:


        . H algum fora do castelo?

. Bem, creio que no. Os professores esto em reunio, eu mesmo
estava l, e os alunos esto em suas casas.

        . Errantes...  foi o que Draco conseguiu dizer. 


        Hagrid arregalou os olhos e saiu em busca de Dumbledore. Finalmente Sue
e Draco se encararam. Mas ficaram em silncio. Ela estendeu os braos
para ele e ele a abraou. Ele queria chorar, mas no conseguia.


        . Minha me, Sue... ele matou minha me.

        . Quem?

        . Meu pai... por causa daquele estpido mestre...

. Malfoy?  Draco ouviu uma voz e viu Harry olhando-o, ele
estava na porta do salo.  O que aconteceu?

        . Potter... Eu o vi... 

        . Quem?

. Aquele que te fez isso.  apontou a cicatriz - O mestre de meu
pai. Voldemort.


        Harry o encarou. Nunca tinha visto Malfoy falar o nome de Voldemort.


        . Voc diz o nome dele?

. Poucas vezes falei em pblico... fazia parte da encenao de
famlia respeitvel que meu pai fazia. Meu pai est morto. Minha me
tambm.  Ele olhou srio para Harry  Voc lembra dos errantes?  Harry
baixou a cabea e ele respirou, antes de dizer:  Ele os libertou.


CAPTULO 13  SEIS NOTVEIS E UM RENEGADO.

        Quando os professores chegaram ao salo, Rbeo estava plido, acabara
de lembrar-se de canino, s na cabana  beira da Floresta Proibida. Ele
gemeu e olhou para Harry, dizendo:


        . Canino, tenho que peg-lo...

. Rbeo  a voz de Dumbledore soou atrs dele  se h errantes
l fora, ele j devem estar prximos... no posso permitir.

. Professor  disse Harry  eu sou mais rpido que Hagrid...
deixe-me resgatar Canino.


        Hagrid olhou para Dumbledore, que disse:


        . Se abrirmos a porta e voc ver algum errante, no v.

. Deixe-me ir com ele  Draco, que estivera em silncio
aproximou-se  Eu tambm corro bastante e posso soltar o co enquanto
ele me d cobertura.

        . No percam tempo ento.


        Silenciosamente, Dumbledore abriu as portas do castelo e Draco e Harry
saram. Ouvia-se vindo do fundo da floresta proibida um som baixo e
gorgolejante. Era o gemer dos errantes se aproximando. Dentro da cabana
de Hagrid, Canino gania desesperado. Harry postou-se  porta da cabana ,
e Draco abriu-a, entrando rapidamente. Canino rosnou quando o viu mas
ouviu a voz de Harry dizer:

        - Calma Canino, ele est comigo.

        O co deixou que o rapaz se aproximasse, e ele o soltou. No momento em
que chegou  porta da cabana, Draco viu algo que Harry j vira, e que
era apavorante.

        Cerca de cem metros adiante, a floresta proibida estava morrendo. As
rvores estavam murchas. Pssaros fugiam para o cu. Um arrastar de ps
e os gemidos murmurantes e agonizados de gargantas apodrecidas enchia o
ar. E da floresta vinha o cheiro de coisas imundas, de morte, de
decomposio. O cheiro nauseabundo dos errantes. Ele olhou para Harry e
os dois comearam a correr para o castelo, Canino os acompanhou, ganindo
como um filhote, ainda se viravam para ver l atras as sombras
cadavricas dos monstros que vagarosamente iam se aproximando,
espalhando a morte conforme se aproximaram. Entraram pelas portas de
carvalho e viram que o salo estava cheio, todos os alunos e professores
de Hogwarts haviam se reunido ali assim que eles saram, e estava
havendo uma chamada, ningum que ficasse do lado de fora escaparia dos
errantes. Quando o ltimo aluno respondeu "presente", Dumbledore disse:

         - Isolate!

        Ouviu-se o som de todas as portas e janelas sendo trancadas, quase
simultaneamente. Um escudo de luz se formou, visvel atravs das janelas
e alm dele, podia se ver os primeiros errantes atingindo o gramado em
volta de Hogwarts. Dumbledore parecia ter se preocupado tambm com o
lago, pois uma camada azulada cobriu a gua.

        - Isso nos dar tempo  disse o velho bruxo, mais srio que Harry
jamais o vira  para libertar a sentinela. Todos aqui a partir de agora
tem que estar unidos para defender Hogwarts. Poderamos conseguir
vassouras e voar para longe daqui, mas no podemos permitir que coisas
como os errantes entrem em Hogwarts. Seria o fim do mundo da magia. Toda
magia de Hogwarts morreria. Se algum quer ir embora, levante a mo e eu
consigo uma vassoura para cada um, que poder partir atravs da torre
Norte.

        Pouqussimos alunos, incluindo Crabble, Goyle, Emlia Bulstrode e mais
trs ou quatro, todos da Sonserina levantaram as mos, olhados pelos
outros com um pouco de desprezo. Dumbledore murmurou alguma coisa para
Madame Hooch e eles foram levados  Torre Norte, de onde partiriam,
orientados pela professora para sair do alcance dos errantes. Todos os
outros preferiam morrer  entregar a escola. Dumbledore recomeou:

        - Este escudo pode durar at 24 horas. Acaba de anoitecer, o que nos d
at o anoitecer de amanh para libertar o nico ser que pode destruir os
vinte mil mortos vivos que esto l fora, algum que est esperando por
isso h mil e duzentos anos. Preciso de sete pessoas.  dezenas de mos
se levantaram, os professores o olharam, pensando que seriam eles os
encarregados de soltar os errantes. Atlantis Fischer tambm parecia
querer participar.  No adianta querer ser heri  continuou Dumbledore
 No serei eu que escolherei as sete pessoas, e sim a sabedoria desta
escola.

        Dumbledore fez um movimento e o chapu seletor apareceu em sua mo. A
professora Minerva trouxe o banquinho e ps no centro do salo.
Dumbledore ps sobre ele o chapu, que comeou a falar, em tom srio ,
mas ainda assim em versos:

         Antes, muito antes de aqui chegarem os fundadores

        Houve um massacre feito por necromantes

        E os mortos foram escravizados pelos captores

        E cada cadver tornou-se um errante.

        O mal tomou a alma dos cativos

        Mudando de quem os toca a sorte

        Por onde passam estes mortos vivos

        Nada cresce, apenas a morte

        Apenas um ser os podia tocar

        O filho perdido de um mundo extinto

        Grande de corao, mas sem luz no olhar

        Fraco de aparncia, imbatvel no instinto.

        Os captores dos errantes se apavoraram

        Sabendo que o guerreiro seria sua perdio

        E na tumba negra os errantes encerraram

        Selando sua pedra com uma maldio

        Para libertar dos errantes a ira

        Sobre a tumba devia verter sangue inocente

        Sangue quente sobre a pedra fria

        Para o jugo de morte caminhar novamente

        O Guerreiro sbio decidiu esperar

        Impotente diante da maldio

        O momento certo para lutar

        E livrar a plancie da perdio

        Mas a havia uma complicao:        

        Num sono de morte resolveu mergulhar

        Mas guerreiro, montaria, espada, escudo

        No mesmo lugar no podiam repousar

        Assim o rapaz ao sul foi confinado, 

        O escudo  leste, a montaria ao norte

        No oeste a espada, tudo bem guardado

        Bem vigiados, para no fugir  sua sorte.

        Assim, sabendo que chegou a hora

        De tirar o guerreiro do sono que mergulhou

         preciso escolher os que faro a obra

        De acord-lo para a batalha que tanto esperou.

        Para recuperar a espada no oeste, 

        Sirius Black e Rony Weasley iro

        Ao norte para despertar a montaria

        Harry Potter e Draco Malfoy seguiro

        Neville Longbotton pode parecer improvvel

        Para com Hermione Granger seguir em misso

        Mas seus conhecimentos o faro notvel

        E junto com ela o escudo tirar da escurido

        Finalmente ao sul, onde repousa o guerreiro

        Ir solitrio, o bruxo para sempre marcado

        Atlantis Fischer, o nobre cavaleiro 

        Para esta misso ser designado.

        

        O chapu seletor quedou-se mudo e todos olharam para os escolhidos:
Harry, Rony, Hermione, Atlantis, Neville, Sirius e Draco. Alvo
Dumbledore olhou-os e disse:

        - Vamos para minha sala, preciso orientar o que cada um ir fazer.

        Eles o seguiram em silncio. Caminharam at a sala do diretor, onde ele
abriu um grande mapa sobre a mesa, que devia ser muito antigo. Era um
mapa mgico, onde as coisas apareciam animadas, como o mapa do maroto.
Via-se a massa dos errantes cercando Hogwarts, e uma outra massa
cinzenta aglomerada no cemitrio de Hogsmeade. Quatro pontos brilhavam
no mapa, um em cada direo. Dumbledore comeou a explicar o que cada um
faria:

        - Sirius e Rony: Aqui no p desta montanha h uma fonte, nesta fonte h
um guardio cheio de ira, contornem sua ira e conseguiro a espada.
Hermione e Neville: No se preocupem com a aparncia da criatura que
est com o escudo, mas sim com a sua astcia, vocs vo ach-la numa
casa com um jardim, pouco alm deste ponto. Provavelmente ele vai querer
negociar com vocs, usem a sua inteligncia e ele no conseguir
envolv-los. Draco e Harry, a montaria no tem guardio, mas nem por
isso ser fcil para vocs... No o despertem de forma brusca ou iro se
arrepender. Atlantis, voc deve ir a esse ponto, alm de Hogsmeade e
abrir a porta de uma grande cripta escavada na pedra. Veja este smbolo
 ele deu um pergaminho ao bruxo  ele marca a porta da cmara. Toque
com este pergaminho a primeira porta e ela ir se abrir. No toque na
pedra tumular, deve retir-la usando magia, ou do contrrio voc ir ser
morto pelo feitio que guarda a cmara do sono do guardio. Quando ele
estiver desperto, nenhuma fora das trevas se aproximar. Eu vou
lev-los para a torre e vocs partiro de vassoura. No se preocupem com
os errantes, vocs estaro todos alm dos muros de Hogwarts. Quando
conseguirem seus objetivos, voem todos para o ponto sul. Cada um de
vocs levar isso  ele entregou a cada um uma espcie de bssola  ela
mostrar o quo perto esto de seu objetivo, e do objetivo final ao sul.

        Todos foram pegar as vassouras. Harry pegou sua Firebolt, e Draco pediu
ao time de Quadribol da Sonserina que cedesse as Nimbus 2001 para os
outros. Foi um pouco difcil, ele precisou argumentar que se no
fizessem isso, provavelmente no haveria mais escola para praticarem
Quadribol. Quando o grupo se reuniu no Salo, Dumbledore ordenou que
viesse comida para eles e eles comeram, sendo observados pela escola
toda, que tambm estava reunida para o jantar. Draco pediu  Sue que
ficasse do seu lado enquanto jantavam. 

        Finalmente chegou a hora de rumarem para a Torre Norte: eram exatamente
dez horas da noite.

        Num canto, Neville despedia-se de Gina:


. Eu queria que voc soubesse de uma coisa que eu nunca te
disse: Gina, eu te amo  ele a abraou: - eu no sei porque o chapu me
escolheu, no sou bravo nem forte, mas se voc disser que tambm me ama,
eu acreditarei nisso...


        - Eu te amo, Neville. E voc  bravo e forte.

        Harry pegou a foto que tinha junto de Willy e a ps no bolso da veste,
apertou a mo dos outros notveis e abraou Hermione e Rony, ao mesmo
tempo:


        . Tudo vai dar certo  ele disse.

. Amanh a esta hora estaremos rindo disso  respondeu Rony, que
apesar disso estava muito srio. Ele beijou Hermione e disse: - No se
atreva a morrer.  Ela riu e respondeu:

        . Se voc morrer, eu vou ficar muito zangada com voc.


        Sirius beijou a filha, que estava no colo de Sheeba, que tinha lgrimas
nos olhos. Ela entregou Hope para Smiley por um instante e abraou com
fora o marido, dizendo:


. Voc vai sobreviver, eu sinto  Ela sorriu e o beijou de leve
na boca  mas, por favor, volte inteiro para mim.

. No se esquea que eu te prometi outro filho  e ele riu 
para quem me esperou tanto, voc est muito impaciente... uma noite
passa depressa.   Nesse momento Harry se aproximou e abraou os
padrinhos.


        Draco estava frio num canto e Sue se aproximou:


        . Draco... me perdoe por ter te tratado to mal.

. A culpa no foi sua  ele acariciou o rosto da garota - eu fiz
muitas coisas que no devia. Ele ergueu-se e juntou-se aos outros sem
beij-la.

        .  hora  disse Dumbledore.


        A todos ficaram olhando enquanto os sete guerreiros subiam para a torre
Norte. Ao chegar l, Dumbledore enfiou a mo no bolso e tirou a varinha
de Draco, entregando-a a ele. Estava inteira:


. Eu a consertei. Use-a com sabedoria.  Draco balanou a cabea
e olhou para Harry. Os dois se encararam por um minuto em silncio, e
ainda em silncio, voltaram os olhos para a negra noite sem lua nem
estrelas. L adiante nuvens se adensavam sobre Hogsmeade. Ento, olhando
para direo que deviam tomar, os sete levantaram vo ao mesmo tempo.
Seis notveis e um renegado.


CAPTULO 14  MISSES E REVELAES.

        

        Sirius olhava as montanhas no horizonte, pensando no que encontrariam
quando chegassem l. Ele, como adulto, sentia-se responsvel por Rony, e
ao mesmo tempo preocupava-se com Harry e os outros, principalmente com
Harry. Ele no entendia porque o chapu seletor o colocara junto com
Draco, justamente o sujeito que fizera um vodu contra ele... mas Draco
revelara-se capaz de ser confivel ao avisar a Dumbledore que os
errantes estavam vindo. Sirius lembrava-se intimamente do dio que ele e
Lcio Malfoy sentiam um pelo outro na poca que eram estudantes em
Hogwarts. Um dio de famlia, porque as famlias Black e Malfoy eram
inimigas desde muito, pois eram os maiores comerciantes bruxos da
Inglaterra, rivais desde sempre.

        Como professor, sempre lutara contra a averso que sentia por Draco,
mas agora, que sabia que Lcio Malfoy estava morto, graas  sua
burrice, e que arrastara para a morte a prpria mulher, no podia deixar
de sentir uma certa simpatia por Draco, afinal, ele agora era tambm um
rfo, como Harry, e com certeza quando a tormenta passasse e ele se
desse conta que estava s no mundo, iria precisar de ajuda.

        Mas a viso da montanha, espanou estes pensamentos da sua cabea. Era
necessrio descobrir em que ponto achariam a fonte, e principalmente, o
que deveriam enfrentar para conseguir obter a espada do guerreiro. Olhou
a bssola, que brilhava intensamente, os muros de Hogwarts j haviam
ficado bem distantes, era hora de descer.

        Chegaram ao sop da montanha, e comearam a percorrer o caminho pela
vegetao a procura do que seria a fonte. Haviam acendido luzes na ponta
de suas varinhas, mas ainda assim a tarefa era bem difcil, talvez
demorassem horas e horas para acha-la.

        Hermione e Neville tambm procuravam o lugar que Dumbledore havia
descrito, uma casa com um jardim, e isso podia parecer mais fcil de
achar que uma fonte numa montanha, mas estava bastante escuro l
embaixo. Hermione julgou ver uma fumaa no horizonte e mostrou a
Neville. Realmente parecia haver uma chamin de uma casa em algum lugar
mais adiante, logo depois de uma rea de floresta no muito densa, eles
viram um rio l embaixo, um rio que vinha das montanhas ao Norte depois
passava prximo a Hogsmeade. Logo depois da margem dele, eles pousaram,
pois havia uma pequena estradinha. Foram andando por ela at que
chegaram a um lugar bizarro.

        Talvez aquilo fosse um jardim, mas no parecia... Neville segurou o
brao de Hermione, no deixando que ela avanasse ainda. As plantas que
formavam o jardim ele conhecia muito bem. Nenhuma delas podia ser
considerada exatamente amigvel. O jardim tinha entradas por vrias
alamedas. Ele observou-as e disse:


. Veja: aqui tem visgo do Diabo. Se seguirmos por ali, ele pode
nos pegar. A alameda do centro est cercada por casulos jibia, est
vendo suas flores?

. Sim, disse Hermione. Aquelas flores que se jogam sobre um
homem e o enrolam, encasulando-o e matando por sufocao, certo?

. Exatamente. Olha a alameda do canto: Aquelas so papoulas de
sono... o perfume dela adormece qualquer um por dias... temos que
decidir qual a menos ruim de usar.

        . O que voc acha, Neville?

. Pelo que eu sei, o visgo do Diabo  o mais previsvel, basta a
gente conjurar um fogo e ele no vai se aproximar, certo?

        . Acho que  a melhor opo.


        Draco e Harry neste momento haviam achado tambm o seu objetivo. Quando
Dumbledore dissera "montaria", ambos haviam concebido um cavalo em suas
mentes... mas talvez no se tratasse disso. A porta da tal caverna onde
a criatura estava supostamente adormecida tinha uns bons doze metros de
altura e mais de vinte de comprimento e estava cerrada com uma grande
porto de ferro, fechado por um cadeado do tamanho de uma mala, que no
lugar do buraco de fechadura tinha um rosto adormecido. Draco olhou para
Harry e perguntou:


        . Voc j viu um destes antes?

. Nunca. Eu j vi portas falantes, mas cadeado  o primeiro.
Acho que vamos ter que acord-lo.

. Ei, companheiro. - Draco sacudiu a fechadura, que chacoalhou
com um barulho metlico e abriu um par de olhos furiosos:

. Voc no tem sensibilidade, garoto???  assim que acorda o
guardio da montaria??? Quem so vocs e o que querem?

. Estamos em misso  disse Harry - precisamos acordar a
montaria. Os errantes foram libertos.

. Ah, eu sabia que um dia meu sossego ia terminar... se vocs
usarem esta delicadeza para acordar a montaria estaro mortos antes que
digam ai... e no  to simples assim passar por mim... vo ter que
responder uma pergunta corretamente.

. Isso no  hora de charadas... porque voc no deixa logo a
gente passar?  Draco disse mau humorado.

. Seu amiguinho  muito apressado, garoto  a fechadura comentou
com Harry, ignorando Draco.  So as regras. Fechaduras vivas sempre
seguem as regras  Harry pensou em Doorperson, a porta falante de
Sheeba. Realmente, ela era cheia de regras e padres.

        . Faa a pergunta ento, cadeado.  Disse Harry com pacincia.

        . Pode me chamar de Locky.

        . Ok, Locky.

. Muito bem, para passar por mim devem descobrir o que aguarda
no fundo da galeria para ser desperto. Vocs tero trs dicas e trs
tentativas... primeira dica: So tima companhia em dias frios,
principalmente se voc tem uma lareira apagada. O que acham que pode
ser?

. No podemos ouvir todas as dicas antes de tentar?  perguntou
Harry

        . Perdeu a primeira tentativa

        . Viu a besteira que voc fez, Potter?

. Ora, cale a boca, Malfoy... voc tambm no disse nada que se
aproveite ainda.

. Se os dois comearem a brigar, adormeo novamente e adeus
montaria  ameaou Locky.

. Est bem  disse Harry dando um olhar atravessado para Malfoy
 diga a segunda dica.

. A montaria  feroz e perigosa, mas seu corao  fiel. Se
conquistarem o corao dele, tero sua amizade para sempre... mas fiquem
longe de suas ventas e boca, seu sorriso pode ser perigoso.

. J sei!  um cachorro. Cachorros so muito fiis, so peludos,
tima companha para quem sente frio.  Draco disparou confiante.

. Voc j viu algum cachorro rindo, garoto? D adeus a segunda
tentativa  Harry apenas olhou para Draco, que baixou a cabea
envergonhado.

. Terceira dica  disse Locky  e a mais importante: no tentem
acord-lo fazendo ccegas.


        Subitamente Harry lembrou-se de um ditado que ouvira em algum lugar...
como era mesmo? "Nunca faa ccegas num...


. Drago adormecido!  Disseram ao mesmo tempo ele e Draco. Eles
se olharam espantados.

        . Voc conhece esse ditado?  Harry perguntou

        . De onde voc acha que meu pai tirou meu nome?

. Vocs dois so muito engraados  disse Locky  podem passar,
e lembrem-se bastante da segunda e da ltima dica. 


        O cadeado se destrancou e eles passaram pelo gigantesco porto de metal
que se abriu.

        Enquanto isso, Sirius e Rony, depois de seguir um riachinho, finalmente
chagavam  fonte deste, esculpida em forma de rosto numa pedra. Um rosto
zangado. Atravessada dentro da boca do rosto de pedra, sobre sua lngua,
estava a espada. Sirius se aproximou e olhou o rosto de frente. Tinha
uma desconfiana.


. Vamos pegar a espada  disse Rony. Sirius segurou o brao que
ele estendia e disse:

. No desta forma, veja.  Ele pegou um galho e estendeu na
direo da boca da escultura. A boca se fechou, quebrando o galho com
uma mordida. Olhou com a cara zangada para Sirius. 

. Aiaiai... murmurou Rony  Como vamos tirar a espada sem ter o
brao arrancado?


        A cara da fonte olhou-o com um sorriso malicioso. Os dois se
entreolharam e Sirius respondeu:


        . Dumbledore disse que deveramos contornar a ira da criatura.

        . Como se contorna a ira de algum?

. Veja a posio da espada... ela est solta dentro da boca da
fonte...


        A fonte tinha a boca semicerrada, realmente, a espada estava solta l,
se a fonte abrisse um pouco mais a boca, talvez ela sasse. Subitamente
Sirius lembrou-se de uma coisa. Quando algum ouve algo muito engraado
quando est comendo ou bebendo alguma coisa, acaba cuspindo o que tem na
boca. Ele entendeu porque deveriam "contornar o mau humor" . Precisava
descobrir o que aquela criatura achava engraado. S uma gargalhada
funcionaria. Ele olhou para Rony, que normalmente era um garoto muito
engraado.


. Eu sei um jeito de resolvermos nossa situao, Rony...  ele
disse, dando um tapa nas costas de Rony que fez o garoto cair com a cara
dentro da gua que a fonte jorrava. Ele levantou-se furioso e disse:

        . Voc ficou maluco, Sirius?

. Fiquei, Rony... completamente insano... vou pegar voc e
colocar numa poo de encolhimento  o garoto ficou apavorado, Sirius
avanou na sua direo com uma cara de maluco, e ele comeou a gaguejar:

        . Si-Sirius, sou eu, Rony, le-lembra?

        . Eu no sou Sirius, garoto... Eu sou um monstro...


        Sirius prestava ateno na fonte, que ia se interessando pelo que
estava acontecendo... imaginou que algum mau humorado acharia graa em
algum numa situao de medo ridcula como a que ele estava botando
Rony. Ele prosseguiu:


. Tive uma idia melhor... vou encolher apenas algumas partes do
seu corpo... advinha por onde vou comear?

. SOCORRO!  Rony gritou e a fonte deu uma gargalhada, expelindo
a espada longe, muitos metros adiante. Rony ficou trmulo, e Sirius
correu at a espada, e deu uma olhada triunfante para a cara da fonte,
que parecia zangada e perplexa

. Obrigada, Rony, e desculpe se te apavorei.  Sirius disse
olhando para Rony, que tremia ainda um pouco, mas comeou a rir.

        . Tudo bem, Sirius... tudo bem. Pelo menos temos a espada.


        Hermione e Neville haviam avanado por dentro do Jardim, que na verdade
era um labirinto de alamedas, sempre cercado por plantas perigosas. Os
conhecimentos de Neville ajudaram muito para que eles pudessem se
defender de cada planta. Finalmente, atingiram o ponto central e deram
de cara com uma casinha minscula. Um ser esquisitssimo estava sentando
na porta dela, sobre o escudo. Era feio demais. Tinha uma boca rasgada
de orelha a orelha, e dentes enormes, projetados para frente, seu corpo
era longo e suas pernas curtas, os braos arrastavam no cho. Ele olhou
os dois com um par de olhos pequenos e pretos, bem juntos no meio da
face larga, entre os quais havia um nariz comprido e pontudo... era um
elfo jardineiro, espcie de variedade de elfo domstico, um pouco mais
rebelde.


        . O que vocs querer?

        . O escudo que est com voc.

. Golias no d escudo. Mestre deu pra Golias guardar muito
tempo atrs. Golias s d escudo para mestre.

. Este escudo no  seu, Golias  disse Hermione, no seu tpico
tom mando. Viemos peg-lo para seu mestre.

. Mestre sumiu muito tempo atrs. Golias ficar cuidando de
jardim... fez jardim bonito, cheio de plantas bonitas.

. Golias  comeou Neville, para a surpresa de Hermione  Eu sei
uma planta que falta no seu jardim...

        . No falta planta nenhuma no jardim de Golias.

        . Eu no vi nenhuma savarina cinzenta...

        . Golias no conhecer esta planta.

. Uma planta forte... se Golias quiser, eu troco o escudo pelas
sementes...  Neville ps a mo no bolso da veste tirou umas sementes
cinza claras.

        . Eu no quer trocar... o que fazer savarina cinzenta?

. Na verdade no faz nada... mas seu ch  mais gostoso que ch
de visgo do Diabo... no estou vendo nenhuma planta boa aqui para fazer
ch.... e tem um bule ali. Voc gosta de ch?

. Golias gostar de ch, mas plantas que d bom ch no crescer
no jardim de Golias... ter medo das plantas bonitas de Golias.

. O que me diz da troca? A savarina cinzenta  uma planta que
no tem medo de nada...

        . Golias querer ento. Mas dar a semente primeiro.

. No.  Disse Hermione, antes de Neville  se ele te der as
sementes voc ainda assim no vai dar o escudo. Ela vira isso nos
olhinhos maus do elfo O elfo olhou feio para ela e disse:

        . Ento no ficar com sementes e vocs perder escudo.

. Eu vou fazer melhor  disse Neville, indo at o lugar onde
havia um vaso sem plantas.  Vou plantar a savarina aqui e faz-la
crescer. Ele enfiou algumas sementes na terra, pondo o corpo entre ele e
o duende, que no via o que estava acontecendo, e fez um pequeno feitio
que Madame Sprout ensinara a ele para crescer plantas... as sementinhas
comearam a germinar. O duende se levantou e foi olhar, esquecendo o
escudo. Hermione viu e pegou-o rapidamente.

. Peguei, Neville!  O duende comeou a imprecar e Hermione
disse:

        . Foi uma troca justa. Voc tem uma planta e ns temos o escudo.


        Quando saram de l Hermione perguntou a Neville porque estava com
sementes no bolso:


. Voc sabe como eu esqueo de tudo... comprei essas sementes em
Hogsmeade para plantar na estufa e as esqueci no bolso.

        . E elas do mesmo um bom ch?

. O gosto no  bom, mas  timo para quem sofre de lumbago. Eu
estava plantando para minha av.


        Atlantis j chegara tambm ao seu objetivo h algum tempo, com relativa
facilidade, mas a cripta do guerreiro era profunda, ficava metros abaixo
da entrada, uma pequena capela morturia, atras de uma colina, um
quilmetro alm de Hogsmeade. Ele vira os death eaters reunidos no
cemitrio, e mais de trezentos dementadores cercando toda cidade.
Imaginou os moradores em suas casas paralisados de medo e sentiu o peso
de sua responsabilidade em despertar o guerreiro. Estranhamente, no
havia reconhecido Voldemort entre aqueles bruxos, tinha uma descrio da
aparncia que ele assumira, bem diferente da viso que tivera dele em
sua infncia, sabia que ele no estava no cemitrio, mas em algum outro
lugar.

        Ao pousar na frente da capela, comparou o smbolo do pergaminho com o
que via esculpido no porto de pedra. Eram idnticos. Enrolou o
pergaminho e com ele tocou o smbolo escavado na pedra. A porta se abriu
e ele entrou. Queria fechar a porta da capela e no conseguiu. Olhando
ainda um pouco apreensivo para escurido da noite atrs de si, resolveu
descer as escadas que desciam do centro da capela. Lembrou-se que
Dumbledore dissera que uma vez acordada a sentinela, o mal seria
afastado. Melhor no perder tempo. Assim que comeou a descer os degraus
de pedra, uma sombra moveu-se silenciosamente atrs da colina e veio na
direo da capela.

        Conforme ia descendo as escadas, Atlantis sentia pensamentos desconexos
invadirem sua mente: "No, no v, o guardio no pode ser desperto...
voc vai morrer Atlantis Fischer... ns somos a voz da revelao... no
avance... ns vamos te enlouquecer...". Atlantis parou um segundo. Sabia
do que se tratava. Era um tipo de feitio para confundir a mente, devia
estar ali para afastar eventuais curiosos e mal intencionados, era
preciso manter claro na mente seu objetivo.

        "Atlantis... voc no quer recordar o nome de seu pai?"  Atlantis
procurou ignorar o que a voz repetia incessantemente, ele sabia quem era
seu pai, era Aristteles Hemerinos, o homem que o criara com amor e
acreditara nele, apoiando-o quando todos o haviam virado as costas. O
homem que ensinara a ele como se transformar em animago. Sabia que
Hemerinos era seu pai, no sabia o motivo porque ele sempre negara, mas
tinha essa certeza.

        "Hemerinos no  seu pai, Atlantis... pela simples razo que ele era o
pai de sua me... ele era seu av."


. Calem-se !  Atlantis perdeu o controle. Aquilo estava
afetando seus nervos. Ele comeou a correr escada abaixo, tinha que
atingir logo o tmulo da sentinela. A escurido o envolvia e ele
escutava o eco de seus passos, ento, depois de algum tempo, ele no
soube dizer quanto, chegou a uma sala escura.

. Lumos!  Ele disse. Viu uma sepultura coberta por uma pedra
branca como a neve, e duas tochas nas paredes, onde conjurou fogo.
Ergueu a varinha para afastar a pedra, mas ela saiu subitamente de suas
mos.

. Expeliarmos   ele ouviu uma voz dizer atrs dele.. Virou-se
para ver Voldemort pela segunda vez na vida. O bruxo estava parado no
fim da escada. Olhava-o com os olhos vermelhos e um sorriso na boca de
cobra  Quanto tempo, Atlantis. Voc mudou.

        . No adianta, Voldemort, voc no vai me impedir.

. Atlantis... voc no quer recuperar a sua antiga aparncia e
voz?

        . Eu no quero nada que venha de voc, monstro.

        . Mas voc tem muito mais vindo de mim que pode imaginar...

. Eu no tenho mais seis anos, Voldemort. Voc no vai me
enganar como quase conseguiu fazer quando eu era uma criana. Voc pode
at me matar, mas antes eu vou libertar a sentinela.

. Voc nunca soube porque o feitio de decapitao de Sarina
falhou, no  mesmo? Nem porque o seu feitio da memria desmemoriou
Artmis por tanto tempo... Atlantis, no adianta fugir. Voc tem
proteo. A minha proteo

        . No adianta, voc no vai me comprar com esse tom suave.

. Voc se parece com sua me... sabe que eu a conheci. No sabe
o quanto eu a conheci, Atlantis.


        Um sinal de alarme soou na cabea de Atlantis e ele comeou a juntar os
fatos... se Hemerinos no era seu pai e havia dito a Voldemort... se
Voldemort dizia que ele tinha proteo e que ele tinha mais de Voldemort
que podia supor... ento...

        - Nunca!  repentinamente ele soube quem era seu pai e viu o quanto
isso era bvio, mas virando as costas para ele, puxou com fora a pedra
do tmulo, usando as ltimas foras para libertar a luz que encerrava.
Voldemort foi expelido, aparatado para fora do tmulo. A porta da capela
se fechou com estrondo e do fundo do tmulo um vulto se ergueu.

        Na escola Desert Stone a aluna Mina Moore deu um grito. Algum precioso
para ela acabara de morrer.

CAPTULO 15  FIDIAS E LUC

        Harry sentiu uma dor percorrer sua testa, e ps a mo sobre ela. Draco
olhou para ele intrigado:


        . O que houve?

        . No sei. Uma dor rpida. 

        . Ser que o sujeito est por perto?

. No, foi diferente.  Harry calou-se e os dois voltaram a
ficar em silncio. Continuaram descendo pela passagem ampla. Draco ento
perguntou, hesitante:

        . Voc me odeia, Potter?

        . No exatamente. Mas no posso dizer que goste de voc.

. Eu acho que s vou consertar o que fiz salvando sua vida...
por aqui parece que as pessoas resolvem as coisas dessa forma.

        . No foi culpa sua. Voc foi usado.

        . E o idiota aqui nem notou.

. Eu tambm no notaria, se fosse voc. Porque afinal de contas
voc fez o vodu?

        . No ria. Era a nica forma de ir a Nova Iorque encontrar Sue.

        . Eu no vou rir. No tem graa.

. Exatamente. O sujeito que foi meu professor era um
deles...disse que ps algo no boneco para aular o dio entre ns.

        . Isso no vem ao caso, Malfoy, esquea.

        . Te garanto que eu no vou esquecer nunca.


        Chegaram ao fim da descida. Era um lugar amplo, escuro e frio, meio
quilmetro abaixo da terra. Era to escuro que nem com as luzes das
varinhas conseguiam enxergar nada. No dava para saber onde estava o tal
drago. S ouviam seu ressonar, agora estrondoso


. Muito bem  disse Harry  eu no me lembro se no
livro monstruoso dos monstros eles ensinam a acordar drages... mas
creio que no...

        . Primeiro temos que achar onde est o drago, no  mesmo? 

. Vamos pelo som  o ronco do drago soou potente em algum lugar
adiante. A cmara parecia alta e larga demais. Eles foram andando, at
que bateram em algo como uma pedra cinzenta e bem lisa.

        . Acho que no  aqui...  Disse Draco. Vamos tentar do outro...


        Uma nesga de luz azulada apareceu na pedra ao seu lado e ele deu um
pulo. Ele e Harry aproximaram as varinhas com cuidado e perceberam que a
pedra era na verdade a cabea do Drago, que dormia encostado  parede.
A luz azulada viera de um olho que ele quase abrira.


        . Como voc gosta de ser acordado, Malfoy?

. A  que est, eu odeio ser acordado. Gosto de dormir at ter
vontade de levantar.

. Hum, eu tambm. Como vamos fazer esse bicho ter vontade de
levantar? Ele est dormindo h mil anos e no parece disposto a
acordar...

. Ele no foi posto aqui para esperar? Temos que dizer a ele que
a espera acabou.

        . E ele vai entender?

. No sei. Onde ser o ouvido dele?  os dois se aproximaram da
cabea do Drago, que estava oculta nas sombras, procurando algo como
uma orelha. Ento, Harry disse:

. Se ele  fiel como disse Locky, ento o certo  falarmos de
seu dono. Mas qual  o nome do guerreiro? No importa... ei, Drago -
Harry disse com suavidade  acho que est na hora de voc acordar, seu
dono precisa de voc... drago bonzinho

        . Cham-lo de bonzinho  meio idiota, no acha?

. Cala a boca, Malfoy. Tem uma idia melhor?  Harry virou-se
para ele e quando virou a varinha, viu que sua luz passou por uma
inscrio na parede oposta. Ele mostrou a Malfoy e ambos levantaram-se
para l-la, iluminando um pedao de cada vez. Harry ia murmurando
conforme lia:

. Fidias, drago da raa da luz, filho de Atlas e Maraoni,
nascido na stima Lua, no ano em que os homens trouxeram ao mundo o
ltimo guerreiro da luz...  Harry notou que conforme ia lendo, parecia
que a inscrio ficava mais fcil de ler, como se a cmara estivesse
sendo iluminada.  Fidias, pertencente a Luccas Lux, o ltimo de sua
raa sobre a Terra, dever despertar quando a sombra dos errantes cobrir
a ...  Harry sentiu que Draco o cutucava e percebeu que agora a cmara
estava realmente iluminada. Virou-se para dizer alguma coisa mas levou a
mo aos olhos, uma luz resplandecente o cegava.


        O Drago estava acordando, e Draco percebera isso antes dele. Mas ambos
demoraram alguns minutos para conseguir olhar direito para ele. Mesmo
para quem no achasse drages e monstros maravilhosos como Hagrid, olhar
para um drago como aquele era fascinante. Enquanto estivera dormindo,
estava cinzento e escuro, conforme estivesse apagado. A inscrio que
Harry lera o acordara e ele fora iluminando-se aos poucos, a partir dos
olhos, que eram azuis e redondos, francos e leais. Depois, a fronte do
drago, que tinha um chifre dourado e uma placa ssea na frente da
cabea da mesma cor, iluminou-se e seu chifre comeou a brilhar, ele
levantou o pescoo longo e flexvel como de um cisne e sacudiu a cabea,
a luz foi descendo pelo pescoo e atingiu o tronco, onde se abriram
amplas asas brancas e translcidas, suavemente luminosas como todo ele,
por fim, ele ergueu-se sobre as quatro patas e iluminou-se de um todo,
sacudindo da cabea  cauda, deixando os dois rapazes boquiabertos.

        O Drago encarou ambos com uma expresso de dvida impressionante.
Harry sorriu e ele sorriu de volta. Abriu a boca num bocejo, tomando o
cuidado de bocejar na direo oposta a que estavam, lanando no ar uma
chama azul. A temperatura da cmara subira pelo menos dez graus. O
Drago voltou a olhar para eles como que perguntando porque o haviam
acordado. Harry pensou em dizer alguma coisa, mas o que falar para um
drago?


. Fidias?  Perguntou Harry. O drago sorriu, parecia
reconhecer o prprio nome.  Precisamos lev-lo para seu dono...

        . Voc j viu drago rindo alguma vez?  sussurrou Draco

. Nunca - respondeu Harry  Fdias, como vamos sair daqui?  O
drago apontou com a cabea algo atrs deles. Era um sela com arreios. O
drago mansamente deixou-se selar e ambos montaram na sela ampla, Draco
atrs segurando as vassouras dos dois.

. Isso parece divertido. Eu nunca montei um drago antes. Vamos,
Fdias  Draco disse. O Drago andou at o incio da rampa, ento bateu
as asas imensas e eles comearam a subir voando, a luz se espalhando 
sua passagem. Ao passarem por Locky, o cadeado ficou gritando:

        . Boa sorte Fdias! Lembranas a Luc.


        Draco e Harry viam que l embaixo era possvel divisar os campos
iluminados pela luz do drago, que voava muito depressa, em alguns
minutos sobrevoavam Hogwarts, e a viso l debaixo no era das melhores.
Os errantes j haviam cercado o castelo, e por onde olhavam, viam a
vegetao morta  sua passagem. O sorriso morreu nos lbios de ambos.
No sabiam que dentro do castelo, as pessoas viam o drago j gritando,
a esperana se acendendo no corao de todos. Sheeba sorriu pensando:
"Harry conseguiu".

        Precisaram elevar-se acima das nuvens para atravessar Hogsmeade. Eram
tantos dementadores a cercar a cidade que nuvens a cobriam, estava
nevando como se fosse inverno. O Drago passou por Hogsmeade e comeou a
descer vagarosamente. Harry viu com alegria os vultos de Sirius, Rony,
Hermione e Neville l embaixo. Sentiu falta de Atlantis, mas alegrou-se
ao perceber, conforme se aproximavam, o fascnio de todos pelo Drago.
Saltaram e ele disse:


        . O nome dele  Fdias. Onde est Atlantis?

. No sabemos  disse Sirius preocupado.  J era para ele ter
libertado o guerreiro. Algo no vai bem.


        O Drago aproximou-se da porta da capela e tocou-a com o chifre. Esta
se abriu e eles viram uma pessoa parada  porta. Carregava um corpo
inerte. Ele avanou na direo deles. Era um rapaz alto, de ombros
largos, mas de aparncia realmente muito jovem. Usava uma cota de malha,
tipo de roupa de metal tranado, que lhe cobria todo corpo, inclusive a
cabea, apenas o rosto plido estava de fora. Usava uma tnica
igualmente branca por cima, com um escudo negro com um drago prateado
na frente. Avanava em passos lentos e depositou o corpo no cho. O
corpo era de Atlantis. Ele estava morto.

        Harry reparou ento uma coisa no rapaz. Seus olhos eram negros, mas o
fundo das pupilas era bao e cinzento. Ele no enxergava. Era cego.
Comeou a falar:

        - Este homem perdeu a vida por tocar na minha pedra tumular. Mas no
foi culpa dele. Um outro, que sei que era trevoso, pois foi expelido,
tirou sua varinha e ele precisou sacrificar a vida para me libertar...
Depois que tudo acabar, ele merece uma homenagem. Vs sois os
guerreiros. Sinto pelo seu cheiro que sois todos confiveis, embora
sinta cheiro de culpa naquele que cheira como gua de charco em uma
tarde fria  ele ps a mo sobre o ombro de Draco  continuou avanando
 O que cheira a leite azedo esqueceu novamente de lavar atrs das
orelhas, - ele tocou Neville  E tu cheiras como um co que dormiu ao
relento  ele apontou Sirius  este atrs de mim cheira a tacho
enferrujado  era Rony - e tu, a escama de drago cozida e a amor
perdido...  Disse para Harry - S esta senhorita cheira
maravilhosamente bem  ele aspirou o ar profundamente  frente de uma
assustada Hermione  Orvalho da manh e sndalo.

        Rony olhou o rapaz indignado. Se ele no fosse salvar Hogwarts dos
errantes, com certeza teria sido atacado. Mas recomeou a falar:


. Se fui desperto,  porque precisam de mim na
plancie. Apenas para manter-me informado... por quantos anos estive
morto para o mundo.

        . Mil e duzentos  Disse Sirius

. Muito bem, meu nome  Luccas Lux, mas podeis chamar-me apenas
Luc. Quem libertou os errantes est adiante cercando uma cidade Eu posso
ouvi-los. Convm para o bem de seus habitantes, que vs combateis os
trevosos que l esto espalhando o terror... os que cheiram a frio de
tmulo precisam ser combatidos com mais cuidado... Mas vs tereis ajuda,
sinto o cheiro da fada e do lobo que j esto na cidade... melhor
apressar-vos. Eu seguirei logo meu rumo, no h tempo para ser perdido.

. Voc vai combater os errantes sozinho?  Draco perguntou
abismado. Ele vira os errantes, eram muitos, mais que poderia conceber.

. Estive esperando por este dia debaixo da terra por mil anos,
gua de Charco. E mesmo que quisesse ajuda no poderia t-la. Apenas eu
e Fdias somos capazes de tocar os errantes sem sermos mortos. Por
favor, minha arma e escudo. Sinto neles o cheiro de erva madura e fonte
da montanha... espero que estejam bem.  eles entregaram as armas do
rapaz, que comeou a brilhar assim que tocou nas aramas, e andou sem
hesitao na direo do Drago, que abaixou-se gentilmente para que seu
dono subisse  cela. Ele acenou ligeiramente para todos, que o olhavam
sem saber o que dizer.

        . No perdei tempo. O lobo e a fada precisam de vs!


        O drago abriu as asas e alou vo, levando Luc na direo de Hogwarts.
Todos entreolharam-se cheios de perguntas, mas aquele no era o momento
de respond-las. Sacaram as varinhas e comearam a pensar no que fariam.

CAPTULO 16  O LOBO E A FADA

        Horas antes de Hogsmeade ser invadida pelos Death Eaters, o monitorador
mgico Mario Murad havia sado para comemorar a vitria do seu time de
Quadribol, os Vultures, no campeonato local... ele tinha mesmo que
comemorar, afinal os Vultures s ganhavam os campeonatos locais mesmo...
mas no foi sem um certo sentimento de culpa que deixou um estagirio
vigiando os aparelhos e mapas de monitoramento de energia mgica.
Afinal, nenhum estagirio era capaz de fazer esse servio como ele.

        O trabalho de Mario Murad era exaustivo e ele trabalhava demais, porque
afinal de contas era o melhor monitorador mgico do mundo. Trabalhara
durante muitos anos para o ministrio da Magia, mas depois de se
aborrecer com Cornlio Fudge por um sem nmero de motivos, comeara a
trabalhar e residir na Fundao de Aristteles Hemerinos, onde conhecera
e se tornara grande amigo de Silvia Spring.

        Eles estava no meio da comemorao, junto com alguns outros bruxos
torcedores dos Vultures no Caldeiro Furado, quando sentiu que algo de
grave devia estar acontecendo. Era melhor ver se estava tudo bem com o
estagirio. Ele foi, adernando ligeiramente depois de tanta cerveja
amanteigada, andando para a fundao e rapidamente chegou  sala de
monitoramento, que era coberta de mapas do mundo e principalmente da
Inglaterra, que podiam ser ampliados e mostravam quando algo no ia bem
no mundo mgico. Ele abriu a porta e parou.

        O estagirio olhava apavorado para os mapas. Virou-se quando ele
entrou, a boca aberta, em pnico. Mario Murad arregalou os olhos quando
viu os mapas: Sobre Hogwarts havia uma massa de energia maligna to
forte, to poderosa, que s podia significar tragdia. Hogsmeade estava
inteira tambm tomada por uma outra fora, to terrvel quanto a
primeira. Ele abriu a boca para perguntar qualquer coisa, quando o
apavorado estagirio apontou-lhe algo no mapa: Azkaban tinha
simplesmente desaparecido.


. Essa no!  Mario sentou-se na frente dos mapas,
tirando o estagirio do lugar  precisamos achar todos os Aurors
disponveis e mand-los agora para Hogwarts... Eu tenho certeza que
"ele" voltou...

. Ele quem, professor Murad?  Estagirios bruxos no so mais
inteligentes que estagirios trouxas.

. O que no deve ser nomeado, Spike. Me ajude a procurar Moody
Mad Eye no mapa agora.

. Ele est no Japo, professor, j procurei. Parece que tem um
maluco l dando vida a brinquedos assassinos.

        . Isso  pssimo... Avatar Fernandez?

        . Nas Filipinas. Combatendo o bruxo das salamandras vulcnicas.

        . Droga! Tem algum maldito Auror disponvel? 

        . Receio que no, pelo menos no ao alcance de uma coruja. 

. Droga, droga!!! Tem que haver algum... Lupin! Onde est
Lupin? Ele no  auror, mas  bom nestas coisas!

        . Err... professor, ele est aqui.

        . Aqui?

. Na fundao... veja  o estagirio apontou o mapa da fundao.
Realmente, Remo Lupin estava l.. Junto com Silvia Spring, nos aposentos
dela.

. Vou l cham-lo  Mario parou. Silvia e Remo eram namorados...
no queria interromper nada. Spike, o estagirio, olhava-o com uma cara
idiota.

        . O senhor no vai cham-lo, professor? 


         Mario olhou o estagirio e resolveu ir atrs de Silvia e Lupin assim
mesmo. Subiu os degraus que levavam ao quarto andar, onde morava Silvia
Spring, a residente mais antiga, num confortvel apartamento de
cobertura. Bateu duas vezes na porta e ouviu alguns barulhos l dentro
"Droga, droga, droga", pensou, "que coisa mais embaraosa." A porta se
abriu um pouquinho e o rosto de Silvia Spring apareceu, pela metade. Ela
sorriu e abriu o resto da porta. Tinha uma xcara na mo.


. Ol, Mario.... eu e Remo estvamos tomando um
chocolate, ele acaba de chegar, veio me visitar... voc aceita?  Mario
olhou a cara de poucos amigos que Remo Lupin fez, sentado no sof. Se
aquela fosse uma visita social, ele sairia correndo.

. Na verdade eu preciso falar com ele, Silvia... desculpe, eu
sei que ele tem passado muito tempo na Irlanda e vocs quase no se
vem... mas est acontecendo algo grave, e creio que ele pode ajudar.


        Remo levantou-se de um salto e chegou at ele. Rapidamente Mario
resumiu a situao que vira nos mapas, e sua desconfiana de quem
estaria por trs disso. Finalmente disse que no havia nenhum auror
disponvel no momento.


. Eu vou para l agora  Lupin disse, sem hesitao. 
comunique o ministrio

        . Eu vou com voc  a voz de Silvia Spring estrilou atrs dele.

. Silvia, por favor... no se meta nisso. Voc entende muito de
fadas, no de foras das trevas.

. Como assim, no entendo? Voc sabe quem foi que reprimiu a
ltima tentativa das fadasombras de invadirem Seelie? O senhor j
enfrentou uma fadasombra? Elas so terrveis e eu enfrentei oito de uma
vez  Silvia falava muito rpido, sua voz ia se esganiando e um vergo
vermelho apareceu na sua testa.

. Est bem, ento voc vai aparatar comigo para Hogwarts  Remo
olhou para ela triunfante. Silvia no era capaz de aparatar, nem de usar
p de flu sozinha, por causa de sua natureza de meio-fada. No podia pr
as mos em nada mgico tambm, portanto no usava vassoura. S conseguia
voar com um tapete voador (e era a nica com autorizao para isso) e s
ia para lugares distantes de Metr bruxo.

. Eu no consigo aparatar, voc sabe disso, Remo. Vamos no Ali 
Ali era o tapete mgico dela

        . Voc sabe o que eu penso daquele trapo velho...

. Bem, eu no queria interromper, mas... VOCS ESTO PERDENDO
TEMPO  gritou Mario  escute, Lupin... eu tenho um jeito  cochichou
qualquer coisa no ouvido dele , que assentiu e arrastou-a para o lado de
fora da fundao, de onde no se podia aparatar, assim como em Hogwarts.
Mario Murad ficou em sua sala e lhes desejou boa sorte. Foi para a
janela por um instante para ver se tudo ia correr bem. Lupin e Silvia
chegaram ao ptio da fundao e ela perguntou:

. O que afinal de contas...  No teve tempo de dizer nada. Remo
a abraou e beijou com fora, de forma a tirar seu flego, ento,
aparatou com ela para Hogsmeade.


        Na janela, Mario suspirou aliviado. "D certo com trouxas, ento d
certo com meio fadas"  pensou  "Espero que eles cheguem a tempo!"
Suspirou e foi tirar o uniforme vermelho e preto dos abutres... no era
a primeira vez que o trabalho estragava uma comemorao.

        Silvia e Lupin aparataram na praa central de Hogsmeade. Ela ia
protestar pela forma que ele usara para transport-la, mas ao ver o
estado da cidade, no conseguiu.

        Nevava sobre Hogsmeade. E muito. Eles olharam em volta e viram que a
cidade estava deserta e escura... provavelmente os que conseguiram,
haviam fugido, e os demais deviam estar trancados dentro dos pores das
suas casas. Lupin sentiu um frio que ele conhecia bem.


. Dementadores. Muitos, provavelmente todos os que
existem

        . O que ser que tomou Hogwarts?  Silvia perguntou

. No sei, e tenho medo de me fazer esta pergunta. Voc ainda
sabe fazer aquele feitio de fada para nos deixar invisvel?

. Sei  ela executou o feitio rapidamente. No era possvel
para um bruxo comum ficar invisvel sem uma capa de invisibilidade, mas
Silvia sabia muitas formas de fazer isso  maneira das fadas.

        . Vamos andando, tenho um palpite. Seja silenciosa.


        Eles foram andando at o cemitrio da cidade, ele ia na frente e ela
atrs. Os portes do cemitrio estavam abertos, l dentro estava
acontecendo uma reunio. Lupin teve um calafrio de raiva ao ver quem a
conduzia. De p, sobre uma sepultura, Pedro Pettigrew, o Wormtail, dava
orientaes aos demais de como saqueariam Hogwarts depois que os
errantes "fizessem o servio". No havia sinal de Voldemort, o que era
mau. Lupin contou quantos eram: no total eram treze. E ele sabia quem
eram todos. Ficou imaginando formas de combat-los, e concluiu que no
conseguiriam se tentassem diretamente, no com tantos dementadores em
volta da cidade. Teriam que sair dali e combater primeiro os
dementadores.

        Naquele momento a reunio encerrou-se e os Death Eaters saram do
cemitrio, Lupin e Silvia saram do caminho, vendo que eles rumavam para
uma colina alm do cemitrio. Rapidamente tornaram a ficar visveis.


. Est claro agora... Voldemort os libertou, ele deve
ter feito um acordo com os dementadores. Temos que fazer algo, eles
esto dando fora para os death eaters.  Neste momento, Lupin ouviu um
som. Algum tentando se libertar, algum que estava debaixo da terra. Os
pelos da nuca dele se arrepiaram ao sentir a presena de um vampiro.
Vampiros e Lobisomens so inimigos naturais.

. Ei, eu sei que h um lobisomem a fora, eu posso sentir. Mas
eu no quero brigar com voc  disse uma voz audvel apenas para ele 
eu ouvi tudo que eles disseram e no posso deixar que eles faam o que
querem fazer com meu irmo!


        "Irmo?"  pensou Lupin  "ser possvel?"


        . Caius? Caius Black?

. Eu mesmo  respondeu a voz  voc deve ser aquele sujeito
aluado amigo de meu irmo. Me tire daqui, por favor.


        Rapidamente, Remo abriu com um feitio o tmulo onde Caius estava
preso. Ele saiu e disse:


. Eles foram encontrar Voldemort, que foi resolver um
"assunto pessoal", como disse o assistente dele... a coisa vai ficar
feia por aqui.

        . Remo, quem  esse?

        . Um vampiro, Silvia, no est vendo?

        .  o irmo de Sirius?

. Eu mesmo. No temos tempo para conversa. Qual  o plano? 
Lupin no gostou definitivamente do jeito do vampiro, mas era a ajuda
que iriam ter por enquanto. Podiam aproveitar, porque afinal, vampiros
eram naturalmente imunes a dementadores. Silvia teve uma idia, e juntos
os trs discutiram a melhor forma de execut-la.


        Alm da colina, Harry e os outros haviam depositado o corpo de Atlantis
dentro da capela, Harry sentia um bolo na garganta, aprendera a admirar
e gostar de Atlantis como um bruxo forte, inteligente e de bom corao.
No era justo que ele morresse desta forma. Agora, ele jamais veria
Willy de novo. Sentiu uma mo no seu ombro, era Sirius:

        - Harry, quando acabar, ns daremos a ele o enterro que merece. Agora
precisamos agir.  Harry assentiu, e saiu da capela, fechando os portais
de pedra, sentia-se deprimido demais para lutar. 

        Eles estavam tambm pensando num jeito de acabar com os dementadores,
Sirius disse:

        - Vou me transformar em co e ver quantos so. Voldemort deve ter
conjurado proteo para os Death Eaters andarem entre eles sem serem
afetados.  Ele se transformou em co e correu rapidamente subindo a
colina. Havia uma coluna de dementadores ao longo dos limites da cidade,
ele atravessou a colina e comeou a farejar, tentando ver se havia algum
Death Eater por perto. Sentiu o cheiro de Lupin, e achou-o em poucos
minutos. Ele estava com Caius e Silvia Spring, perto do norte da cidade.
Sirius transformou-se em homem novamente.


        . Sirius!  disse Lupin  ainda bem que voc apareceu. 

. Deixei cinco garotos alm da colina. Temos que sumir
rapidamente com estes dementadores daqui. Eu tenho medo dos Death Eaters
pegarem Harry e os outros. Eles libertaram os errantes

        . Eu calculei  disse Caius

. E ns libertamos a sentinela. Portanto, os errantes no momento
no so problema.

. Ns temos um plano. Com mais um, vai ficar mais fcil
execut-lo.


        Explicado o plano, eles se dividiram. Silvia e Lupin foram para o
Norte, Sirius para o Sul da cidade. Caius transformou-se em morcego e
comeou a voar, irritando os dementadores, que tentavam bater nele, ele
voava de forma louca, batendo nos rostos encapuzados, tinha que
deix-los furiosos o suficiente para distra-los, e no era tarefa
fcil, pois tinha que voar ao longo de toda a cidade, finalmente, a neve
se intensificou, os dementadores estavam com muita raiva, Caius
mergulhou junto a Sirius e disse:


. D o sinal!  Uma chama vermelha subiu em direo ao
cu, na mesma hora, pelo Norte e pelo Sul de Hogwarts ouviu-se um grito:

. EXPECTO PATRONUS!   Sirius, Lupin e Silvia conjuraram cada um
seu patrono .


        Da varinha de Sirius, saiu o espectro de um co com mais de quatro
metros, prateado, que correu na direo dos dementadores, que comearam
a fugir, ele deu a volta e os conduziu para a direo do cemitrio. Das
mos de Silvia saram dois patronos menores, na forma de fadas aladas e
prateadas, que voaram reunindo os dementadores ao sul, o patrono de
Lupin tinha a forma de um grande lobo. Haviam programado seus patronos
para juntar os dementadores em um ponto especfico, de forma a passarem
pelos portes do cemitrio. Silvia ento correu e  distncia apontou as
mos para o porto, pensando fortemente no reino das fadasombras. Nunca
havia aberto um portal para l, mas sabia que em portes de cemitrio
isso era relativamente fcil.


. Umberdeen, abra-se!  ele viu com satisfao que
atrs dos portes surgiu a paisagem rida de Umberdeen, e conservou as
mos postas de forma a evitar que qualquer coisa sasse de l. Os
dementadores comearam a ser sugados quando se aproximaram do porto, os
capuzes se baixavam com a fora do vento, mostrando seus rostos sem
olhos e bocas escancaradas em gritos terrveis. Silvia sentiu-se
apavorada ao ver que Caius tambm estava sendo sugado, ele se aproximara
demais dos dementadores sem querer. Rapidamente ela conjurou uma corda,
no um cordo faerie que seria complicado demais e lanou para ele, que
segurou.

. Sirius, Lupin! Segurem-no!!!!  ela gritou para os dois,
porque queria fechar o portal assim que o ltimo dementador passasse.
Lupin chegou primeiro, e com uma fora que seu tamanho no sugeria,
comeou a puxar Caius pela corda, at que segurava a mo dele, Sirius
Chegou nesse momento e eles o seguraram com fora, ele era atrado para
Umberdeen por causa de sua natureza maligna.


        Silvia viu que o ltimo dementador estava sendo sugado e gritou para
que o portal se fechasse, os portes do cemitrio se fecharam com um
estrondo e tudo acabou. Sirius, Caius e Lupin caram ao cho. 


. O que as fadasombras vo fazer com eles?  Caius
perguntou, mais pensando alto que qualquer coisa. Silvia deu de ombros.

        . Eles que so maus que se entendam. 

        . Sobrou um, eu sinto  disse Lupin, olhando para os outros.

. Um no vai fazer diferena  disse Sirius, vamos procurar os
garotos.


CAPTULO 17  NA RUNA DOS CORVOS

        Enquanto tudo isso se passava em Hogsmeade, dentro do castelo de
Hogwarts os alunos e professores restantes estavam trabalhando na
resistncia. Ningum mais poderia abandonar Hogwarts porque eles teriam
que fazer o escudo de luz resistir enquanto os errantes estivessem do
lado de fora. Tudo comeou perto da meia noite, quando Dumbledore
percebeu que o escudo no iria durar 24 horas se eles no cuidassem
dele, pois eram muitos errantes e havia ainda muito mais energia maligna
no ar. Ele reuniu todos no salo e orientou-os para que compreendessem o
funcionamento da resistncia. Ento, dividiu-os em turmas mistas de
alunos e professores que se reuniam em turnos de duas horas para que se
concentrassem e apoiassem o escudo. Apenas trs pessoas no paravam para
descansar, pois eram necessrios em todos os turnos: Dumbledore, Snape e
Minerva. Eles formavam um crculo central, que era cercado por outro
crculo, daqueles que se revezavam. Sheeba queria tambm participar, mas
Dumbledore no permitiu.


        . Seu beb precisa que voc descanse.


        Contrariada, Sheeba sentou-se num canto com Hope no colo, Smiley estava
ao seu lado. Ela estava tocando um boto que roubara da roupa de Sirius,
como sempre. Tambm vigiava a situao atravs da jia de comunicao de
Hermione. Naquele momento ela j sabia da morte de Atlantis e que a
sentinela j estava a caminho. Mas olhando pela janela, viu que ele
acabava de chegar.

        Era como ver a lua surgir atrs de uma nuvem. O drago e o cavaleiro
formavam um espectro luminoso, uma luz branca que variava do suave ao
mais intenso, no momento que se aproximou de Hogwarts, o Drago lanou
sobre os errantes que estavam  porta do castelo um jato de chamas
azuladas gigantescas, e pode-se ouvir o grito deles desintegrando-se, no
claro que se formou. O Drago pousou e Sheeba pode ver pela janela que
o cavaleiro desmontou dele. O Drago abocanhava os errantes com uma
fria que ningum suporia olhando seu aspecto geralmente pacato, j o
guerreiro avanava sobre eles e cada vez que um tocava seu escudo ou
espada, desaparecia como queimado por uma chama invisvel. Sheeba olhou
para a plancie coberta de errantes e imaginou quanto tempo seria
necessrio para eles acabarem com a multido de mortos vivos que a
cobria, segundo a lenda, vinte mil. Olhou para os bruxos que cuidavam da
resistncia e apertou um pouco sua filha ao encontro do peito.


. Amanh tudo isso ter acabado e seu pai estar de volta  ela
disse, mas para ela que para o beb.


        Na colina logo depois de Hogsmeade, Harry sentiu uma pontada na sua
cicatriz. Ele tremeu ligeiramente e Rony olhou-o:


        . Aconteceu alguma coisa?

        . No.  mentiu

        . Harry, voc no acha que isso est muito estranho?

. Eu acho que j era para o Sirius ter voltado  disse Neville,
um pouco assustado.  Parece que tem algum nos vigiando.

. Eu sinto a mesma coisa  disse Hermione.  Temos que fazer
alguma coisa, antes que eles peguem a gente de surpresa.


        Harry viu alguma coisa se mexer entre os arbustos e ergueu-se, julgou
ouvir algum sussurrar "mestre" mas , seja l o que fosse, afastou-se
rapidamente. Ele comeou a andar na direo dos arbustos. Uma mo o
deteve. Era Draco.


. Est louco? No siga uma coisa esquisita sozinho. Eu acho que
eu sei o que estava ali, 

        . Eu tambm sei. Era a cobra que pertence a Voldemort.

. Temos que nos manter juntos. Eles vo nos atacar a qualquer
momento. E de surpresa.


        Os cinco se ergueram e ficaram lado a lado, de costas para a entrada da
capela, as vassouras com que haviam chegado ali estavam encostadas na
porta. Repentinamente, comeou. Luzes verdes comearam a sair dos
arbustos e eles comearam a combat-las, da forma que sabiam, era
terrvel no conseguir ver o inimigo.


. Se continuarmos parados aqui no teremos chance  Disse Harry,
ele procurava esconder que j sentia mais dor na sua cicatriz, j era
suficiente estarem tentando resistir a bruxos escondidos nas rvores.

. Vamos formar um escudo  disse Hermione, Sirius ensinou em
defesa contra artes das trevas, lembram? Quando eu contar at trs. Um,
dois, trs... AGORA

. Isolate!-  eles gritaram e de suas varinhas saiu uma luz
azulada que os envolveu, eles ficaram sustentando o escudo, o que no
era fcil e para Harry estava se tornando particularmente doloroso

. Temos que sair daqui  Harry disse  Ou no vamos conseguir
resistir por muito tempo.

. Ainda temos as vassouras  Draco falou, elas esto bem atrs
de ns, mas vamos ter que parar de sustentar o escudo.

. Nada disso  Harry, vamos sair um de cada vez, eu posso ser o
ltimo.

. No seja idiota, Potter, qualquer um v que voc no est
bem...

. Isso no te interessa. Neville, pegue uma vassoura e v ,
Rony, quando ele sair, junte-se mais ao Malfoy.  Neville abandonou o
escudo e rumou para o cu, uma luz verde quase o atingiu, mas ele
conseguiu escapar, e sumiu na escurido.

. Hermione, sua vez  Hermione abandonou o escudo e voou
rapidamente para o cu, Olhando para trs, para defender-se de qualquer
feitio.

        . Muito bem  disse Rony - quem vai agora.?

        . V voc, Weasley, eu vou ficar com Potter at o final


        Rony pensou em dizer alguma coisa, mas no era hora para discusses,
ele abandonou o escudo e voou, uma luz verde chegou a encostar na sua
vassoura, mas ele lanou um feitio de impedimento e ouviu-se o urro de
um bruxo sendo atingido na escurido.


        . Malfoy, voc vai agora.

. Nem pensar, vamos juntos, eu no vou deixar voc morrer aqui
sozinho para que eu sinta culpa para o resto da vida. 

        . Est certo ento, no trs?

        . No trs. Um, dois

. TRS!  os dois disseram ao mesmo tempo e pegaram as
vassouras, Harry viu contrariado que iriam deixar duas vassouras para
trs, com certeza algum dos bruxos viria atrs deles, mas a prioridade
agora era fugir. Deu impulso ao mesmo tempo que Malfoy.


        Draco olhava para a frente, imaginando para onde iriam depois, viu que
as nuvens sobre Hogsmeade haviam desaparecido, e viu que l embaixo
haviam agora mais pessoas, antes de descer virou-se para comentar algo
com Harry e teve um choque.

        O garoto desaparecera.

        Harry sentiu sua Firebolt travar no ar assim que deu o impulso, e ele
despencou, junto com a vassoura. Ainda tentou recuperar-se, mas caiu.
Nada aconteceu com ele, que estava com sua roupa protetora. A vassoura
caiu no cho adiante. Ele ia erguer-se, mas alguns rostos maus o
cercaram, rindo malignamente. Ele viu os pais de Crabble e Goyle,
McNair, Wormtail, Sarina, Artmis, Sibila Trelawney e mais alguns que
no conhecia. 


. Pegamos voc  disse satisfeito Wormtail  os outros no
interessavam ao mestre.


        Ele foi amarrado e levado, sentia a sua cicatriz doer a medida que os
bruxos o carregavam pelas colinas. Chegaram a um lugar estranho, parecia
uma espcie de runa, o que restara de um castelo abandonado.
Perguntava-se se teria alguma chance. J passara por isso tantas vezes,
que j estava at se acostumando.


. Potter foi pego!  Draco disse assim que pousou. Rony olhou-o
com uma cara terrvel

        . Ele foi pego ou voc o entregou? 

        . Weasley, eu me recuso a responder perguntas imbecis.

. Porque voc fez tanta questo de ficar com ele, seu vendido?
Praticante de vodu filho de um death eater nojento.

. Calem a boca os dois  Sirius disse.  Rony, se Draco no
fosse confivel o chapu seletor no o teria escolhido para despertar o
drago, lembra? Agora temos que descobrir onde Voldemort levou Harry.
Vamos ter que voltar.

        . E se ele aparatou para longe com Harry?

. Ele no faria isso. Est na expectativa de Hogwarts cair. Ele
est aqui perto. Vamos.


        Chegaram  colina em minutos. Sirius transformou-se em co e farejou um
pouco, indo na direo de uns arbustos, l, tornou-se homem novamente. 


. Caius, acaba de me ocorrer uma coisa. Voc  mais indicado
para procurar Harry que eu. Eles esto esperando por ns, mas no por um
vampiro. Ele foi na direo daqueles arbustos, acho que voc pode se
transformar em morcego e procur-lo.

. No, eu vou como nvoa. Ser mais difcil que me percebam
assim.


        O vampiro desfez-se em nvoa branca que deslizou suavemente pelos
arbustos. Rony olhou desolado para Hermione, pegando a vassoura de Harry
que ficara cada no cho.


        . Tomara que eu consiga devolv-la.


        No momento em que chegaram  runa, dezenas de corvos levantaram vo
das janelas, gritando no ar. Harry sentia sua cicatriz doer como nunca
em toda sua vida, ele olhava impotente a sua varinha na mo de Wormtail,
pensando em como iria recuper-la. No conseguia ver muita coisa da
construo, mas sabia que Voldemort esperava l dentro.

        A runa era um pavilho alto e largo, meio destelhado, provavelmente
muito antigo, havia um salo no meio e mais nada, colunas sustentavam o
teto de par em par, ao longo do pavilho. Numa das extremidades havia
uma espcie de trono onde Voldemort estava sentado, a cobra sibilava aos
seus ps. Ele abriu a boca e sibilou para ela, apenas Harry o entendeu:


        . Ns o pegamos, Nagini, graas a voc.


        Harry sabia que com certeza a cobra os vigiara e dissera a ele onde
estavam. Foi posto de p, de frente para Voldemort, de tanto sentir a
dor, esta se tornara apenas um desconforto a mais, junto com a dormncia
no corpo pelas cordas apertadas demais. Ele olhou Voldemort srio. O
bruxo sorria:

        - Eu vou lhe dar ainda uma ltima chance, Harry Potter. Voc  um bruxo
de valor, tem mais talento que todos os inteis que me seguem juntos.
Junte-se a mim e eu ensinarei voc a fazer todo esse talento brilhar. Eu
no tenho mais nenhum herdeiro homem, meu nico filho est morto.

        "Filho?"  Harry pensou  "Eu nunca imaginei que ele tivesse filhos."

        - Voc no gostaria de ter sua namorada de volta? Eu posso ach-la para
voc

        Harry percebeu ento que Voldemort falava com ele em lngua de cobra,
no queria que ningum mais ouvisse. Harry no estava disposto a
respond-lo.


. O que houve, Harry? Em dvida? J notou que seu mestre nunca
est presente quando voc precisa dele? Onde est o grande Alvo
Dumbledore?

. Ele est defendendo Hogwarts dos errantes. Seus errantes vo
ser destrudos pelo guerreiro da luz.

. Voc no sabe a histria toda. Aqueles que prenderam os
errantes descobriram que sob este pavilho h um outro guerreiro
enterrado, mais forte que aquele, sedento por vingana. Um Sombrio. Eles
nunca descobriram como libert-lo, mas eu sei como. Assim que eu
resolver meu assunto com voc, esses inteis que me seguem vo
libert-lo para mim. Claro que isso custar a vida de alguns, mas eles
no sabem disso. Voc ainda no respondeu minha pergunta. Quer viver
para se tornar meu herdeiro ou morrer como uma carcaa velha?

. Eu no vou morrer. No sem antes impedir que voc liberte o
Sombrio.

. Isso que te faz interessante, Potter. Fora, fibra. Imagine o
que voc poderia ganhar se unindo a mim.

        . Esquea. 

. Voc no me d outra opo... vou ter que trocar de lugar com
voc. E mat-lo no meu corpo.


        Caius Black deslizava pela colina transformado em nvoa, usava a mesma
ttica que normalmente usava para procurar o alimento, e estava faminto
naquele momento. Dias debaixo da terra pensando em Lubna o haviam
derrotado, mas a partir do momento que enfrentara os dementadores, a
sede de sangue e vida se acendera novamente dentro dele, mas ele no
iria trair a confiana de seu irmo, principalmente porque tinha algum
vigiando-o muito bem, e de perto: o lobisomem, que sabia que vampiros
no eram confiveis. Havia muito alimento alm daquela colina, alguns
que no sentiriam diferena nenhuma em serem transformados em vampiros,
pois j no tinham muita alma mesmo.

        Ele sentia a pulsao de seus coraes adiante, ele sentia o calor do
sangue correndo nas suas veias, aquilo era suficiente para aular mais
sua sede... mas ainda no era a hora. Sabia onde eles estavam, agora
usava seus poderes de vampiro para ouvir o que diziam, mas apenas duas
vozes conversavam, em lngua de cobra, que ele no conseguia entender.
Mas conhecia os donos das vozes, precisava buscar os outros, mas antes
faria uma coisa.

        Uma bruxa loura e alta vigiava do lado de fora do pavilho. Ela no
podia v-lo, e nem ser vista pelos que estavam do lado de dentro.
Observou-a ... totalmente indefesa contra um vampiro. Entrou na sua
mente e se surpreendeu com o que encontrou. Seu nome era Artmis, e ela
tinha uma paixo reprimida por algum que ele conhecia muito bem. Podia
aproveitar-se disso. Comeou a cham-la em sua voz suave,
particularmente eficaz com mulheres solteiras e carentes como aquela.
Ela veio andando, atrada pela fora misteriosa. Ele se transformou em
homem atrs de um arbusto e disse:


        . Venha, Artmis, venha para mim...

        . Sirius? ela murmurou, olhando-o meio oculto nas sombras.

. No, parecido com ele, talvez...  Caius Black avanou para
ela, e antes que ela gritasse, selou seus lbios com um beijo de
vampiro. Ele sugou atravs de seus lbios todo o sangue de seu corpo e
ela caiu inerte. Ele sorriu para o corpo no cho e disse:

        . Quando voc renascer, eu venho busc-la.


        Rapidamente transformou-se em morcego e voou na direo de onde viera.
Alimentado, podia dizer aos outros onde estava Harry. 

CAPTULO 18  TROCA DE ALMAS

        Na Runa dos Corvos, Voldemort falava com Harry em lngua de cobra. Os
Death eaters permaneciam em silncio.


. Eu gostei muito de ter seu sangue em minhas veias, Harry
Potter. Agora, voc tem muito de mim e eu tenho muito de voc. No posso
saber o que vai na sua mente, mas pude sentir cada poder oculto que h
em seu sangue. Eu havia percebido isso em seu pai, mas no to de perto
como em voc. E voc ainda tem a fibra de sua me... algum capaz de
morrer por um objetivo  sempre mais forte do que pode parecer. Eu
gostaria de ser... voc.

        . Eu?

. Sim, poder ter dezessete anos novamente, renascer num corpo
jovem. Este corpo em que renasci pode ter poder, mas no vai me livrar
da decadncia fsica... e eu j estou neste mundo h setenta anos. 
hora de mudar de roupa.  hora de voltar a ser jovem. Eu vou possuir seu
corpo  Ele riu malignamente.

        . Eu no vou permitir. 

. Quem disse que sua autorizao  necessria, Harry? Antes eu
preciso morrer em parte, o que  arriscado, mas depois de despir meu
velho corpo de todo o poder que adquiri, eu estarei pronto para trocar
de lugar com voc, e forte o suficiente para mat-lo em meu corpo. Vou
guardar meus velhos poderes em um lugar seguro, com um portador. Quando
eu sair de Hogwarts na sua pele, eles sero meus novamente. Eu no vou
perder tempo. Falta apenas uma hora para o amanhecer. Quando o galo
cantar, eu serei Harry Potter, e serei um heri por ter matado Lord
Voldemort. - Ele comeou a rir, ainda sibilando em lngua de cobra

        . E seus seguidores?

. No precisarei mais deles. Vou deix-los para trs. Farei
novos, mais jovens, mais fortes e menos burros.

. No acredito. Homens como voc sempre se cercam dos medocres.
No conseguem lidar com ningum que no lhes seja inferior sem sentir-se
ameaado.  era um custo manter um duelo verbal contra Voldemort, agora
que a dor era insuportvel, mas as palavras vinham automaticamente 
boca de Harry.


        Voldemort chamou os seus seguidores. Eles se aproximaram e desamarraram
Harry, prendendo-o pelos pulsos a duas colunas, de costas para
Voldemort, que comeou uma invocao em uma lngua estranha. Aos poucos
seus olhos iam diminuindo, perdendo o formato de olhos de cobra, um
nariz ligeiramente adunco foi surgindo no lugar do nariz de cobra em
forma de fenda, a pele foi tornado-se menos lisa e a boca voltou a ser
uma boca de homem, seus cabelos embranqueceram e ele voltou
definitivamente  aparncia que teria se fosse Tom Riddle aos setenta
anos. Mas Harry no lhe via o rosto, apenas sentia que a medida que o
bruxo se despia de poder a cicatriz ia doendo menos.

        Harry sentiu que algum tocava sua testa e era a mo de Voldemort,
agora totalmente humana, a mo de um homem velho. Ouviu ento um zumbido
e sentiu que tudo escurecia, os Death eaters cantavam juntos uma cano
que o entontecia... sentiu que sua alma ia ser afastada de seu corpo e
ele morreria. Mas havia algo a fazer. Ele resistiu. Manteve os olhos
abertos, no trocaria de alma com Voldemort de graa, j resistira a um
feitio Imperius. A cicatriz ainda doa, mas era quase uma dor
suportvel. Concentrando-se, Harry lembrou-se de pedir ajuda a
Dumbledore, conservar a f nele. Mentalizou fortemente, pensando no
velho bruxo e em Fawkes. Lembrou-se ento de que tinha a mesma fora de
sua me, e sentiu que podia resistir mais.

        Um estrondo fez a mo de Voldemort sair de sua testa bruscamente, ele
sentiu que o bruxo cara atrs dele e sentiu a perplexidade dos Death
Eaters: algo no ritual no estava funcionando. Harry ouviu Voldemort
gritar que o erguessem e sentiu que o bruxo tentava toc-lo no mesmo
lugar, mas foi novamente atirado longe.

        Foi quando viu irromperem pelas diversas portas que cercavam a
construo os bruxos que vinham em seu socorro, seus amigos. Os death
eaters comearam a correr, no era apenas o mestre que no tinha tanta
considerao com eles... agora que ele se despira de seu poder, eles
tinham mais medo dos bruxos que enfrentariam que do mestre. Harry
comeou a imaginar para onde havia ido o poder de Voldemort,
perscrutando com os olhos, foi quando Rony apareceu do seu lado e disse:


        . Vou te soltar, sabe onde est sua varinha?

. No, me solte rpido!  Draco e Hermione davam cobertura a
eles, ele viu algum se arrastar pela sua frente, seguindo a cobra negra
que pertencia a Voldemort para fora do salo e disse:

. Aquele  Voldemort!  Rony acabou de soltar um dos braos dele
e ele puxou o outro, olhou para o lado e viu que Hermione acabara de pr
fora de combate Sibila Trelawney, Voldemort desaparecera em algum lugar
nas sombras e ele comeou a procurar sua varinha.

        . Deve estar com ele, vou peg-lo.

. No v sem sua varinha  disse Draco, derrubando um death
eater ele tambm. Mais adiante, Sirius parecia sentir falta de algum, e
disse qualquer coisa a Lupin antes de se transformar em co e sumir por
uma porta lateral. Silvia e Neville estavam conjurando cordas
fortssimas nos death eaters que eram postos fora de combate.


        Harry saiu pela porta lateral por onde Voldemort sara e Draco o
seguiu, Rony ia mais atrs. Os trs corriam pela floresta, Harry tentava
escutar a voz da cobra para localizar Voldemort, mas provavelmente ela
estava longe, j. Ele no podia perder Voldemort desta vez, no agora
que ele estava to fraco.

        Ele no viu que algum puxava Rony para trs de um arbusto, e continuou
correndo. Achara que escutara a voz da cobra, quando ela surgiu sobre o
peito de Draco, mordendo-o no ombro. Pulara sobre ele do alto de uma
rvore. O garoto gritou e Harry parou. Algum o pegou pelas costas.

        Do outro lado do pavilho, Sirius sara transformado em co atrs de
Wormtail, sentia seu cheiro, ele escapara como rato, novamente, mas
dessa vez no fugiria, ele no iria permitir, ia alcan-lo, antes que
ele estivesse longe. Viu o rato correndo na direo das colinas de
Hogsmeade, pensando se ele o alcanaria, ento, viu que ele se
transformava em homem, para tentar lanar um feitio em Sirius. Ele se
escondeu rapidamente atrs de um arbusto, rosnando, transformou-se em
homem e gritou:


. Pedro, acabou.  a ltima vez, seu mestre no est aqui para
te proteger.

. Voc no vai me pegar, de novo, Sirius, eu vou escapar.. voc
no tem coragem de usar um feitio proibido em mim... o mesmo no se
pode dizer de mim.

. No aposte.  Sirius saiu de trs de um arbusto, mas o que ele
viu o fez estancar. Wormtail no percebia a presena de um dementador
bem atrs dele, se aproximando rapidamente. Provavelmente Voldemort os
protegera contra a presena deles, mas no contra...

. Ento Sirius? Quem vai morrer?  Wormtail ergueu a varinha,
pronto para lanar-lhe um feitio, mas duas mos fortes o prenderam e
viraram-no, apavorado.


        Sirius virou o rosto. Mesmo ele, que era muito forte, no desejava de
forma alguma assistir ao beijo de um dementador.

        Artmis vampirizada tentava agora atacar Rony, que lutava contra ela,
mas estava difcil, porque a vampira era muito forte e ele no tinha
nada ali que pudesse combat-la, nada para conjurar em prata. Tentava
gritar para que Silvia, Lupin, Neville ou Hermione viessem em seu
socorro, podia v-los no salo, j no havia mais death eaters soltos.
Mas no adiantava, a nica coisa que podia fazer era se esquivar da
mordida enquanto conseguisse. Foi quando algo parou a vampira, que o
soltou. Ele viu Caius Black segurando os braos dela.


        . Desculpe, garoto, era para eu a ter pego a mais tempo...

        . Foi voc que...?

. Foi, foi... eu estava h uns dias enterrado, estava faminto.
Pelo menos no era um pescoo amigo,  melhor que vampirizar um de
vocs, concorda? Eu vou lev-la daqui. Est quase amanhecendo. Agradea
ao meu irmo, diga que pelo menos por enquanto eu estarei bem, mesmo sem
alma. Diga a ele que vou voltar a Nova Iorque. Um dia quem sabe eu tente
salvar a minha alma. Adeus, garoto


        Ele evanesceu como nvoa, levando Artmis e deixando Rony perplexo.


. Ele vai morrer, Harry... em alguns minutos. Eu posso salv-lo,
basta voc concordar.


        Harry vivia um dilema. A cobra mordera Draco e o mantinha imobilizado,
enquanto ele morria pelo seu veneno. Harry via nos olhos de Draco o medo
da morte, o garoto no entanto estava mudo, enquanto o veneno se
espalhava pelo seu sangue.

        Harry fechou os olhos e ia abrir a boca para concordar quando ouviu uma
coisa que fez o seu corao bater mais rpido. Os primeiros raios de sol
surgiam no horizonte e ele viu que uma fnix se aproximava rapidamente,
trazendo Dumbledore suspenso, segurando entre suas asas. Era Fawkes.
Voldemort se agitou e disse a Dumbledore, assim que ele pousou:


. No se atreva, Alvo... ou voc me enfrenta, ou cura o
jovenzinho que est morrendo ao seu lado... escolha.

. Onde voc colocou, Riddle? Onde est o poder que te fazia
menos humano?

        . No lhe interessa.

. Se voc o descartou,  porque queria trocar de corpo com
Harry... voc o colocou nesta cobra? Dumbledore olhou para Draco com uma
calma impressionante, parecia que no se importava com o menino
morrendo. Ento, para a surpresa de Harry, Dumbledore ergueu a varinha
na direo da cobra e disse:

. Caminos Aeros   a cobra desapareceu, feitio de teleportao.
Fawkes voou para cima de Draco e Voldemort gritou:

. No!  apontou a varinha para Dumbledore, mas este foi mais
rpido

        . Obliviate!


        Harry sentiu que as mos de Voldemort se afrouxavam. A dor em sua
cicatriz desapareceu subitamente. Dumbledore disse ento a ele:


. No pergunte depois sobre isso, est bem Harry?  E
desaparatou junto com Voldemort. Harry arregalou os olhos e olhou em
volta. Atrs dele sua varinha estava cada no cho. Ele viu Draco
erguer-se conforme a fnix chorava sobre sua ferida e perguntar:

        . Onde diabos eles foram?

        . Acho que nunca vamos saber. Est se sentindo melhor?

. Bem melhor  Draco acariciou o pssaro que agora estava
pousado sobre seu ombro.  Onde compramos uma dessa, Harry?

. Bem, acho que nem tudo se compra... parece que elas preferem
escolher o dono.  Harry se deu conta que pela primeira vez desde que
conhecera Draco, este o tratava pelo primeiro nome.

        . Que pena... eu adoraria ter uma destas. Ser que acabou?

. Para ns talvez, mas temos que voltar a Hogwarts, precisamos
ver o que aconteceu por l.


        Eles se reuniram rapidamente aos outros, no pavilho, Lupin e Silvia
disseram que iriam ficar vigiando os death eaters para que no fugissem.
Harry e Draco se juntaram a Neville, Rony e Hermione e foram procurar
Sirius. Encontraram-no vigiando o que sobrara de Pedro Pettigrew.


. O que foi isso?  Perguntou Rony, apavorado com a aparncia de
caveira do homem, que ainda assim estava vivo.

. Beijo de dementador. Belo fim...  Sirius olhava para o homem.
J no havia raiva. Talvez apenas mgoa com aquele que um dia fora seu
amigo, quase um irmo.  Vamos deix-lo a. No vai a lugar algum assim,
mesmo.

        . Sirius  Rony disse sem graa  seu irmo, ele... foi embora.

        . Caius foi embora?

. Foi. Ele agradeceu o interesse e tudo mais... mas disse que
est bem assim. Levou Artmis com ele. Ela, bem, ela virou vampira. Ele
disse que estava faminto... vai voltar para Nova Iorque.

. Caius. Sempre volvel. Mudando de idia de uma hora para
outra. Est bem. Vamos voltar para Hogwarts. Todas as vassouras esto
aqui?


        Rumaram rapidamente pelo cu para as torres de Hogwarts, Fawkes voando
atrs deles. L embaixo viam a batalha que Luc travava com os errantes,
mas ele j havia matado tantos que era impossvel imaginar como ele no
estava exaurido. Mas o guerreiro da luz permanecia lutando, sem
demonstrar cansao algum, sem derramar uma gota de suor, suas vestes no
tinham trao de sangue, ele sequer se arranhara. Era bvio que ele era
infinitamente mais forte que todos os vinte mil errantes juntos. Eles
desceram a escada da torre e quando chegaram ao salo, os que l estavam
pediram, ou antes imploraram, que os ajudassem a conservar o escudo pois
todos ali estavam exaustos. Eles tambm no estavam muito melhor, mas
procuraram juntar-se a eles, unindo suas foras conseguiriam sustentar o
escudo at que a sentinela terminasse o trabalho.

        As horas se escoaram, lenta e inexoravelmente como se fossem uma grande
tortura para todos, o feitio ficava cada vez mais difcil de ser
sustentado. Eles sentiam uma agonia de fome, cansao e sono, partilhada
por todos os alunos e professores de Hogwarts. Fawkes voava pelo salo,
cantando para dar nimo a eles, como a acender a esperana em seus
coraes, os que saam do crculo maior, onde os bruxos revezavam-se,
caam exaustos pelos cantos, dormindo ali mesmo, no cho. At que quando
o sol comeava a morrer no horizonte, as portas de carvalho de Hogwarts
se abriram e Alvo Dumbledore passou por elas, ao lado de Luccas Lux.


. Acabou  ele disse  no h mais errantes e o mestre das
trevas foi derrotado.


CAPTULO 19  AS FRIAS DE LUC EM HOGWARTS

        Hogwarts inteira mergulhou num sono profundo aquela tarde, e s
despertou muito depois, no dia seguinte, faminta. Apenas Luccas Lux e
Dumbledore permaneceram conversando, o guerreiro curioso em saber como
era a vida mil e duzentos anos depois de sua poca. Ficara sentado numa
poltrona na sala de Dumbledore por horas, emitindo a luminosidade fraca
que emitia em momentos de repouso.

        Dumbledore resolvera alguns assuntos naquele dia, antes de retornar a
Hogwarts: entregara ao ministrio os death eaters remanescentes e
comunicara as mortes de Cornlio Fudge, Lcio e Narcissa Malfoy, assim
como a de Atlantis Fischer, e a que daria dor de cabea com o Ministrio
Americano: Igor Zimmerman. Conversara com Silvia e Lupin sobre os
dementadores e comunicara tambm ao catico Ministrio remanescente que
eles j no eram confiveis, mas que a grande maioria tinha sido
deportada para o reino das fadasombras. Houve um ligeiro pnico a
respeito disso, ningum sabia o que substituiria os dementadores, mas
ele pediu um prazo para conseguir substituto. Enquanto isso, os presos
seriam isolados por um feitio de impedimento muito potente. Alm de
tudo que fizera, Dumbledore aproveitara as circunstncias para
reabilitar e inocentar Draco Malfoy, que foi reintegrado ao corpo da
Escola.

        Tambm foi a Londres comunicar de forma muito prosaica (usando um
telefone) a John Van Helsing que sua filha se encontrava s e salva em
Hogwarts. Pediu a ele que viesse busc-la no dia seguinte e comunicou
tambm a morte de Atlantis, sabia que eles haviam se tornado amigos.

        Dumbledore tambm dera um rumo seguro a Voldemort, que ningum nunca
soube exatamente qual foi. Ele apenas comunicou seu desaparecimento e
mostrou a varinha dele como prova que ele agora estava realmente despido
de todo poder. O que ele realmente manteve em segredo foi o lugar ermo e
incivilizado onde soltara a cobra que era a portadora dos poderes
mgicos dele, no em sua totalidade, mas no que ele tinha de mais
maligno. Ele ficou observando a cobra esgueirar-se pela mata virgem e
disse:


        . Adeus, Nagini... esquea que teve um mestre um dia.


        Depois que a escola despertou, ele avisou sobre o funeral de Atlantis,
que seria no dia seguinte e pediu a todos que fizessem, cada um a seu
modo, uma prece pelo Bruxo que sacrificara a vida por Hogwarts. Harry
sentiu um bolo na garganta, e pela primeira vez desde que tudo comeara,
ele pensou em Willy, distante dele e sem saber da morte do pai. 

        Atlantis teve mais homenagens que qualquer bruxo que j morrera
defendendo Hogwarts. Foi enterrado com sua varinha nas mos, como todo
grande bruxo, Dumbledore a recuperara de Voldemort quando o levara
embora. John Van Helsing, que viera buscar Sue, olhou o esquife do bruxo
descendo  sepultura e disse:


. No  justo, amigo... ainda haviam muitos vampiros
marroquinos para matarmos juntos.


        Um clima de luto e tristeza caiu sobre Hogwarts naquele dia, todos
sentiam a morte de Atlantis, mesmo estando feliz porque a escola estava
salva. Foi neste clima que Draco e Sue se despediram:


        . Draco... eu queria dizer...

. No diga. Eu sei o que voc vai dizer. Sue, eu preciso ficar
s, est bem?

        . Mas...

. No  voc. Eu ainda te amo. Mas preciso me encontrar antes de
encontrar voc novamente.  Ele pegou o queixo dela com a mo direita,
erguendo-o para que ela o encarasse  Eu prometo que vou te encontrar na
hora certa. Agora v.


        Ela foi embora, sentindo o corao ficar pequenino enquanto se afastava
de Hogwarts. Quando o trem de Hogsmeade fez a curva, deixando o povoado
para trs, finalmente ela desabou nos braos do pai e chorou. John Van
Helsing acariciou os cabelos da filha, era bom que ela chorasse. 

        Lupin e Silvia tambm ficaram na escola alguns dias. Ento no ltimo
dia, quando passeavam pelo jardim ele perguntou:


        . No  hora da nossa relao se tornar mais sria?

. Voc nunca quis ir comigo para o mundo das fadas...  ela fez
um muxoxo.

. Silvia... eu tenho um emprego, e sei quanto me custou
consegu-lo. Preciso deste emprego.

        . No mundo das fadas no precisaria.

. E que lugar eu teria l, Silvia? Um grande lobisomen
deslocado. Vou te dar duas opes: Case-se comigo, ou me deixe.

. Bem... j devem ter te dito que eu sou esquisita... que eu me
distraio e perco a noo do tempo... eu nunca pensei que fosse do tipo
que se casa. E eu gosto de ir para o mundo das fadas...

        . Isso  um no?

        . No? No!!!  um sim do meu jeito.


        Ele sorriu. Amava o jeito maluco da meio-fada.

        Os dias foram passando e a presena do guerreiro da luz aos poucos
comeou a mudar o clima em Hogwarts. Era impressionante a capacidade
dele de adaptar-se. Agora, falava como um jovem contemporneo, no usava
mais a linguagem antiquada de quando despertara. O que o aproximou dos
estudantes, e principalmente, das estudantes. Se ele no tivesse sido
to importante para Hogwarts, talvez logo teria arrumado problemas com
alguns rapazes, que no toleravam o jeito galante dele. Livre da malha
de ao, que trocou por uma veste comum, Luc comeou a explorar a escola.
Guardara as armas, mas parecia nem pensar em deixar o colgio ou voltar
a dormir. Nos primeiros dias, pedia ajuda s meninas(nunca, nunca mesmo
aos rapazes), para que o ajudassem a andar pelo castelo, pois afinal de
contas, ele no podia enxergar e queria ajuda at conhecer bem os
corredores. Cada dia, pedia ajuda a uma "guia" diferente. Aproveitava
para comentar o perfume de cada menina

        Hermione, que no entanto no suportava o guerreiro, era "Cheiro de
Sndalo", Gina, "Caramelo e Baunilha", Padma e Parvati, "Orqudea" e
"Jasmim Silvestre", at as professoras pareciam derreter-se quando o
rapaz aspirava o perfume de seus cabelos e dizia que cheiravam como
alguma flor ou doce. Assim, Prof Minerva era: "Erva Selvagem", Madame
Pomfrey "Alfazema" e Madame Sprout "Terra molhada de chuva". Ele
realmente chegou bem perto de arrumar um problema com Sirius ao chamar
Sheeba de "Mel e Pras Frescas". Mas antes que esse dissesse qualquer
coisa, o guerreiro falou:

        - Por favor, Co ao Relento... entenda que so apenas elogios. 

Fdias, o drago, passava os dias brincando do lado de fora, quem
passava por perto s vezes assustava-se ao sentir o calor que o Drago
emitia. s vezes viam o Drago e o Guerreiro fazendo brincadeiras
assustadoras um com o outro, dava a impresso que iam acabar se matando.
Eventualmente, Hagrid participava destas brincadeiras. Uma tarde muito
fria, a professora Minerva olhou pela janela e ficou chocada. Luc estava
mergulhando completamente nu no lago de Hogwarts. Mesmo admitindo-se que
o rapaz era adorvel, ele passara da conta.


. Senhor Lux... Devo exigir que o senhor vista-se imediatamente.


. Ora, Erva Selvagem... eu no nado neste lago h mil e duzentos
anos... doze sculos! Voc sabe o que so doze sculos? 


A professora olhou ao redor embaraada, principalmente ao notar que
algumas moas estavam curiosssimas na janela do segundo andar, coladas
ao vidro e cochichando entre si, como passarinhos.


        . Senhor Lux... o senhor est nu.

        . Claro que eu estou nu. Queria que eu nadasse de armadura?

        . Mas as moas...

. Elas esto olhando? Que timo. Ser que elas no querem nadar
tambm?

        . Senhor Lux... est um frio glacial. 

. Eu no sinto frio, Erva Selvagem... esqueceu que eu sou um
guerreiro da luz?

        . Eu sei... mas as meninas... isso no ... decente.

        . Ento porque a senhora est aqui fora olhando?


A professora saiu embaraadssima e foi retirar as garotas da janela.
Ele emitia calor e no sentia frio? No nadava h doze sculos? O
problema no era dela... mas no ia permitir que as moas o vissem nu,
isso no. Mais tarde, quando ele entrou, enrolado em uma toalha imensa,
riu ao ouvir o burburinho das garotas, olhando para seu belo corpo de
torso nu e pele muito branca. Foi para seus aposentos rpido. Era melhor
no abusar da hospitalidade da escola...

Ao contrrio de quase todos os homens da escola, Harry gostava de Luc.
Sabia que o rapaz estava apenas aproveitando depois de passar doze
sculos enterrado, esperando uma batalha que durara um dia e uma noite,
e ningum devia se enganar, no fora fcil para ele. Agora no havia
mais errantes. Mas Harry achou-se na obrigao de conversar uma coisa
com Luc.


. Luc  Harry chamou-o num domingo pela manh.. O rapaz estava
sentado numa poltrona da sala da Grifnria. Por algum motivo, ele podia
andar pela escola inteira, ao chegar diante de qualquer passagem, j
sabia a senha e se queria, simplesmente entrava. Naquele momento estava
de olhos fechados e parecia pensar.

. Ol, Escama.  Ele disse sem abrir os olhos  por acaso voc
tem algo grave a me dizer? Algo que voc viu na runa dos corvos?

        . Como voc sabe?

. Lembra que eu lhe disse que ouvira os planos dos trevosos? Eu
sei o que eles pretendiam fazer. Acordar o Sombrio, inimigo do meu povo
desde sempre. Posso no enxergar, mas ouo muito bem.

        . E quem  o Sombrio?

        .  uma histria muito comprida, Escama... quer ouvir?

        . Eu preferia que voc me chamasse pelo nome.

. Eu no chamo ningum pelo nome. Mas no seu caso vou abrir uma
exceo, Harry  ele sorriu e abriu finalmente os olhos negros  voc
que impediu que eles libertassem o sombrio. Livro Guardado me disse.

. Livro Guardado  Dumbledore?  o Guerreiro concordou com a
cabea e comeou a narrar sua histria:

. Meu povo no morreu, Harry, no morremos neste mundo, somos
imortais aqui. No enxergar este mundo  o preo que pagamos por ser
imortal nele. S morremos no nosso reino, que se fechou para sempre para
o mundo dos homens no dia que eu sa. Eu sou o ltimo neste mundo. Estou
aqui desde antes da era da magia. Bruxos primitivos me invocaram e eu
vim. Mas meu povo me avisou que estvamos afastados dos homens mortais,
porque eles haviam ofendido os primeiros de ns que estiveram por aqui.

        . O que eles fizeram?

        . Isso importa?

        . Na verdade no.

. Eu fui chamado para combater o Sombrio. Mas eu sou jovem para
um de meu povo, e ele era muito velho. Ento, eu sabia que ele era muito
mais forte que eu. No teria condio de derrot-lo. Usei ento minha
astcia, que s vezes vale mais que fora, e o atra para uma armadilha.
 o rapaz sorriu- ele ficou furioso quando percebeu, mas era tarde. No
sei se hoje ele est mais forte ou mais fraco que eu... no me interessa
saber, se um dia ele sair de l, descubro.

        . Voldemort disse que saberia libert-lo.

. No se preocupe com o trevoso... Livro Guardado deu um jeito
nele.

        . E se um dia ele voltar?

. Voc estar pronto para combat-lo. E se ele libertar o
Sombrio, ter minha ajuda.

        . Voc vai voltar a dormir?

. Depois de doze sculos debaixo da terra? S se fosse louco.
Agora eu preciso viver de novo. Sinto saudades das coisas que ainda no
fiz. Voar pelos lugares que no conheo, amar uma mulher, sentir o sol
das terras quentes batendo na minha pele. Este mundo  muito bom, vocs,
os mortais, deviam aprender a am-lo mais.

        . E voc nunca amou ningum?

        . Talvez esteja aprendendo agora.

        . E porque voc precisou ser separado das armas e de Fdias?

. Porque era a nica forma de conseguirmos repousar. Juntos
temos tanta energia que passaramos pelo menos mil anos acordados.

        . Acho que voc me disse tudo que eu queria saber.

. Mas no disse tudo que voc precisa ouvir. Lembra que eu disse
que voc cheirava tambm a amor perdido?

        . Lembro.

        . No sofra por isso. Acontea o que acontecer, no sofra. 


Ele levantou-se e Harry viu ele rumar para onde estava Hermione. Harry
pensou: "Rony no vai gostar disso..."


        . Ol, Cheiro de Sndalo... 

. Ol.  Hermione foi lacnica, era a nica garota em toda a
escola que no parecia cada pelo Guerreiro.

. Eu recebi uma proposta. Aceit-la ou no, depende do que voc
vai me dizer agora.


Hermione olhou para ele, ligeiramente aborrecida.


        . No entendo do que voc est falando...

. Eu posso ir embora daqui para sempre ou ficar. Depende do que
voc vai me dizer agora: Cheiro de Sndalo... voc realmente ama aquele
garoto que cheira a tacho enferrujado?


Hermione ficou vermelha, Luc pde sentir o calor do rubor que chegou s
faces dela e um sorriso maroto apareceu nos lbios do Guerreiro.


        . Ento, Cheiro de Sndalo? Responda.

        . Amo. Amo muito. 

. Era o que eu queria saber - ele ficou srio  Adeus, Hermione.
 Ele virou-se e saiu, ao passar por Harry disse: - Minhas frias
acabaram, Escama.


Harry s entendeu o que acontecera horas depois quando Rony apareceu com
uma coruja e a notcia:


. Acabou a reunio do ministrio, Harry. Meu pai me mandou uma
coruja... eles decidiram duas coisas: primeiro: j sabem quem vai cuidar
de Azkaban.

        . Azkaban no havia desaparecido?

. Eles a fizeram ressurgir, deu trabalho, mas est de volta no
mesmo lugar. Eles j tem um carcereiro, nenhum ser das trevas vai
conseguir passar por ele. O Guerreiro da luz.


A proposta. Era isso. Luc resolveu aceit-la porque Hermione lhe dissera
no... e ele mandara ele no sofrer por amor...


        . Qual  a outra notcia?

        . Meu pai  o novo ministro! Precisamos comemorar isso!


Harry arregalou os olhos. Isso era realmente algo a ser celebrado. Harry
levantou-se para cumprimentar Rony e viu o drago de luz afastando-se
pelo cu, o Guerreiro se fora.

CAPTULO 20 - E ASSIM TERMINA ESTA HISTRIA...

        Quando tudo voltou ao normal, Dumbledore retornou de vez a Hogwarts e
voltou a dirigir a escola, mas pouco aparecia. Comearam a haver boatos
que ele estaria doente. Harry se preocupou com isso e foi procur-lo. O
diretor realmente parecia um pouco mais velho, mas perfeitamente
saudvel. Ele riu quando Harry quis saber porque ele andava to recluso.


        . Na verdade estou fazendo uns planos para o futuro...


Harry no entendeu nada, quem faria planos para o futuro sendo to
velho?


. Professor, mais uma coisa... eu sei que me pediu que no
perguntasse, mas, existe alguma possibilidade de Voldemort voltar?

. Na verdade, no. Lembra-se quando eu te disse que se
impedssemos sempre que ele voltasse talvez ele no voltasse nunca?

        . Lembro.

. Pois bem... quando ele quis trocar de corpo contigo, ele no
quis te deixar no corpo poderoso, que havia reconstrudo, mas que ainda
assim no era um corpo jovem. Tinha a idade da alma dele. Ele retornou
ao seu antigo estado, procurando usar como portador de seus poderes a
nica criatura em que confiara. Aquela cobra que o acompanhava desde
sempre. O nico poder que ele se permitiu manter foi o de um bruxo
comum, os seus Death eaters que tentaram conjurar a troca de almas...
sua fora de vontade impediu, como a de sua me impediu que voc
morresse, muito tempo atrs.

        . E porque o senhor o levou embora?

. Eu retirei sua memria, mas se ele ficasse preso no meio da
magia, ele acabaria recordando-se de quem era... e conhecendo-o como
conheo, ele ia acabar fugindo e talvez retornasse. Levei-o para uma
pessoa cuidar. Algum que tem afeto por ele.

        . Existe uma pessoa que tem afeto por Voldemort?

. No. Essa pessoa tinha afeto por Tom Riddle, a quem conheceu
muito antes dele se tornar o que foi.

        . E se ele encontrar a cobra?

. Na verdade, a cobra est do outro lado do mundo, num lugar que
s eu sei. E como aqueles poderes pertencem s a Voldemort, ningum que
a encontre ir ususfru-los. Eu a tornei selvagem novamente, ela no
lembra tambm do mestre.

        . Ento acabou?

. Nunca podemos realmente dizer que acabou... outros sempre
viro.

. Harry, existe mais uma coisa que eu preciso lhe dizer. Um dia
antes de tudo acontecer, descobri onde est Willy.

        . Descobriu?  o corao dele disparou  onde ela est?

. No vou te dizer agora. Ela estava sob feitio fidelius, quem
me mandou uma coruja contando onde ela estava foi a fiel do segredo. Ela
no concordou com o procedimento da av de Willy. Mas eu estive com ela,
no vi Willy. Ela no quer permitir que vocs se encontrem.

        . Porqu?

        .  um motivo errado, ela acha que voc no far Willy feliz

        . Quem  ela para dizer isso?  Harry levantou-se indignado

. Algum que sofreu demais por amor... infelizmente, Willy 
menor de idade, sua av  responsvel por ela... assim que ela completar
a maioridade, quando voc estiver fora daqui, mandarei uma coruja dando
instrues para que voc a encontre.


Harry sentiu-se bem melhor. O feriado de Natal estava chegando e ele
agora tinha algo realmente para alegrar sua comemorao. Ia passar o
Natal com Sirius e Sheeba, e desta vez, s com eles e Hope: Rony estaria
filmando uma participao curta num novo filme: "O segredo do Drago
Cinzento", para o qual receberia cento e cinqenta Galees. Hermione
queria passar com os pais, Rony a visitaria em sua folga. Harry achou
melhor deix-los sozinhos.

Quando viu a relao de quem ficaria para o Natal, surpreendeu-se ao ver
o nome de Draco na relao. O rapaz agora era rfo, tutores cuidavam da
fortuna para ele, que em Hogwarts estava mais solitrio que nunca. Harry
procurou puxar assunto com ele um dia... sentia-se em dbito, depois de
tudo que acontecera.


. Draco?  Draco olhou-o com uma cara de espanto. No imaginava
que Harry o procurasse.

. Ol  ele fez uma cara neutra, assim que se recuperou do susto
e Harry pensou se devia prosseguir.

        . Vai ficar em Hogwarts para o Natal?

. Vou. Na verdade, serei o nico. Meus tutores no iam me querer
na casa deles. Talvez o Natal aqui no seja dos piores.

        . Passe o Natal conosco, na casa de meus padrinhos.

        . Mesmo que quisesse, no sei se poderia, Potter.

        . Pode me chamar de Harry.

. Est bem, Harry  Draco deu um sorriso torto  Meus tutores me
vem como um cifro ambulante... se eu sair daqui... entende. 

. Ah, dane-se, Malfoy, voc vai passar o Natal comigo. Eu te
devo essa.

        . Eu nem salvei sua vida.

. E isso importa? Depois de soltar um drago da luz e enfrentar
tanta coisa junto contigo, acho que vou realmente esquecer tudo. Tenho
que dar o brao a torcer. Voc pode ser um cara legal.

. No posso no, sou um cara terrvel... mas acho que vou
aceitar. Talvez seja melhor que os Natais que passei com meus pais.


Realmente, foi um bom Natal, no dos melhores, mas bom. Harry e Draco
no eram exatamente amigos, mas aprenderam a se suportar muito bem, e
at se divertiram juntos. Conversaram e descobriram que tinham mais em
comum que podiam imaginar. Sirius teve muito boa vontade com o garoto,
era hora de esquecer rixas seculares sem o menor sentido. Sheeba
observava-os sempre com Hope no colo, andava quieta, mas serena depois
que tudo se resolvera. Na ltima noite do feriado, Sirius a abraou,
eles j estavam recolhidos em seu quarto e Hope dormia tranqila.


. Muito bem, Sr Black... estamos sozinhos, finalmente. Aqueles
dois aborrecentes j esto em seus quartos, provavelmente falando sobre
coisas que s interessam a adolescentes, nosso beb j est dormindo
serenamente, acredito que esta noite ela no acorde...  hora da senhora
finalmente se dedicar ao seu marido.  Ele beijou-a e ela o abraou.
Depois de um longo tempo, quando ele estava brincando com os cabelos
dela, que espalhavam-se sobre seu peito, onde ela reclinara a cabea,
ela disse:

. Sirius... lembra-se que voc me prometeu que teramos outro
filho depois que tudo acabasse?

        . Perfeitamente. No tenho me esforado para isso?  ela riu.

. Na verdade, voc j cumpriu a promessa. - Houve um breve
silncio em que ele procurou algo no idiota para dizer.

        . Ento, voc est grvida?

. Claro, seu idiota. Voc esperava o qu?  Ele saltou sobre
ela, encostando o ouvido sobre sua barriga.

        . Sirius... quantas vezes eu tenho que dizer...

        . Shhhh! Deixe-me ouvir meu filho.


A primavera chegou, rapidamente, a barriga de Sheeba comeou a crescer.
Teria o filho em Agosto, depois da formatura de Harry. Harry se dedicou
aos exames e ao Quadribol, novamente a Grifnria ganhou a taa, depois
de uma final emocionante com a Sonserina, mas, para variar, Draco no
conseguiu superar Harry nisso. Em junho, os alunos do stimo ano
comearam a se preparar para escolher suas carreiras, procurar
colocaes. Harry levou um susto quando comeou a receber corujas de
associaes e fundaes de bruxos querendo saber se ele no ia querer
trabalhar para eles. Ele era famoso, era de se esperar que isso
acontecesse.

Rony teve uma surpresa, o filme "A Maldio do Celacanto" era um
sucesso, ele fora com Harry e Hermione ao lanamento, tiveram que pedir
autorizao para isso. No dia seguinte, a foto dos trs estava em todos
os jornais, ele e Harry tiveram que aturar a indignao de Hermione
diante das insinuaes de reprteres (no mais Rita Skeeter, que se
mudara para a Amrica), que ela, Rony e Harry formariam um animado
tringulo amoroso. Rony estava comeando a se tornar famoso tambm, e
comearam a chegar cartas de fs, algumas apaixonadas. Ele precisava de
ajuda para l-las


. Essa aqui  de uma jovem bruxa de Timbuctu  Draco disse, ele
agora estava um pouco mais prximo deles, Harry o trouxera para seu
grupo  se eu fosse voc no olhava a foto... no  das mais animadoras
 Hermione tirou a foto de uma bruxa horrvel das mos dele e rasgou.
Ela abriu uma outra carta e parou, assustada:

. Rony! Essa  da academia de cinema bruxo... voc foi indicado
para o Merlin de coadjuvante pela atuao em "A Maldio do Celacanto!"


Rony ficou mudo. Era real, ele agora era realmente uma estrela do cinema
bruxo, e nem terminara Hogwarts. Infelizmente, perdeu o prmio, mas
choveram convites para outros filmes, que ele ficou de analisar. Seu
cach agora era cotado para doze mil galees por filme. Era uma fbula.
Quando fechou o contrato para ser protagonista em "A Expulso de
Salmonella", papel que representara pela primeira vez em Hogwarts, pediu
Hermione em casamento.

Toda a excitao pelas coisas boas que o fim do curso trazia, no
diminuam em Harry a vontade de rever Willy. Ele imaginava como seria se
ela estivesse ali, com eles, se estivesse com eles quando eles
enfrentaram tudo que acontecera de ruim, mais de um ano sem v-la e
ainda no a esquecera.

Ento, algo aconteceu. Harry recebeu um convite para se tornar um
jogador de Quadribol profissional, e ficou de pensar. Para anim-lo, o
representante do Clube comeou a dizer que se ele aceitasse logo, podia
ser ainda inscrito na seleo da Inglaterra para a Copa Mundial. E
mandou uma tonelada de revistas sobre Quadribol. Ao ver Harry passar com
todas aquelas revistas, Draco preocupou-se. Esperava que ele no visse
nada sobre a seleo Norte Americana.

Mas Harry viu. Ele estava no salo da Grifnria, com a revista:
"Quadribol Moderno  suplemento especial, as Selees da Copa Mundial,
com a biografia dos jogadores". Ele comeou a folhe-la e chegou 
pagina 20, que falava do capito da seleo americana. De relance achou
que conhecia o cara. Arregalou os olhos, era o cara que estava na foto
com Willy! Virou rapidamente a pgina e seu corao disparou. Numa foto,
viu Troy Adams e Mina Moore, e viu que ela era na verdade Willy. Estavam
abraados. A legenda dizia: "Troy e Mina pretendem se casar assim que a
Copa terminar"

Harry leu toda a reportagem ,sentindo o cho fugir de sob seus ps.
Willy mudara de nome. Ia se casar com outro. Ela o esquecera, ele sequer
era mencionado na reportagem. Sentiu-se tolo, raivoso e indignado, mais
ainda quando leu esse trecho, em que Troy dizia: "Mina  a mulher de
meus sonhos, ns estamos juntos desde que jogamos um contra o outro pela
primeira vez e nos apaixonamos... se a vissem jogando veriam quem
deveria ser o apanhador da seleo, em vez de mim. Ela passou por
momentos muito difceis de onde veio, mas prefere no falar sobre isso,
acha melhor esquecer"

"Esquea-a, ela j te esqueceu"  Era verdade. No fora feitio de
memria. Ela o esquecera mesmo. At mudara de nome. Ele saiu para
procurar Edwiges e mandar uma carta. Ia dizer no ao time que o
convidara, nunca mais na vida queria jogar Quadribol.

Ningum acreditou quando o dia do baile de formatura chegou e Harry
Potter apareceu de brao dado com uma garota que poucos conheciam. Nem
Hermione e Rony sabiam daquilo. Ele estivera frio e sozinho nos ltimos
dias de aula, recebera seu excelente desempenho nos exames como quem
olha um papel qualquer. Todos sabiam que havia algo errado com ele, mas
ele no dissera nada. Apenas Draco tinha uma desconfiana mais forte.
Achou que ele tinha descoberto sobre a garota. Pensou se no seria
melhor conversar com ele, mas depois lembrou-se que achara Troy to
feliz na ltima carta, que no tivera coragem de falar sobre isso com
Harry. Troy ainda era seu primeiro e melhor amigo.

Harry aproximou-se do Professor Dumbledore e apresentou a menina:


. Professor, esta  minha noiva, Bianca Fall.  Dumbledore
apertou os olhos e sorriu para a menina :

        . Voc no  neta de Nara Zeth?

. Sou- Bianca sorriu, estava radiante desde que recebera uma
carta com a declarao de amor de Harry, dizendo que havia sido um tolo
que no enxergara que ela era a namorada ideal para ele. Quando ela
chegou para o Baile, ele enfiou um anel no dedo dela e disse:

        . Vamos ficar noivos.


Mais tarde, Rony o procurou, querendo saber que histria era aquela de
noivado.


. Na verdade, eu decidi esquecer Willy. Vou passar uns tempos
com Bianca na casa de Sheeba e Sirius, depois vou para a Alemanha, vou
fazer o curso que Avatar Fernandez administra l.

. Harry... voc decidiu tornar-se um auror e no disse nada para
mim?

        . Eu quis fazer surpresa.

        . E Willy, Harry?

        . Eu a esqueci.

        . Voc no mente to bem. O que fez voc mudar de idia, Harry?

        . No importa, contanto que voc saiba que eu mudei.


No fim daquela festa, Alvo Dumbledore desapareceu. Algumas pessoas
entraram em pnico, teria ele sido seqestrado? Os professores andavam
de um lado para o outro, Snape parecia mais preocupado que todos. Ento,
Fawkes entrou voando pelo salo, deixando cair uma carta sobre a
professora Minerva., no envelope estava escrito: "leia para todos".. Ela
abriu o envelope trmula e comeou a ler:

" A vocs, de Hogwarts, todos vocs.

Sempre esperou-se de mim que eu ficasse velho e esperasse a morte
cuidando de Hogwarts como ela cuidou de mim. Hogwarts no foi meu nico
amor, mas foi o maior, porque pela escola eu renunciei a todo o resto,
inclusive ao "amor" propriamente dito. Mas nunca me arrependi, tenho a
sensao que nunca perdi um nico minuto do meu tempo aqui, e sou grato
por isso.

Mas eu nunca fui famoso por fazer o que esperam de mim.

Antes que a dona Morte viesse me surpreender em minha sala, eu resolvi
ir embora. Conversei muito tempo com Luccas Lux, e me dei conta que
realmente, estava na hora de fazer algumas coisas que ainda no havia
feito nestes meus 113 anos de vida.

Eu ainda no andei de montanha russa, nem pesquei trutas com os ps
descalos molhando-os na gua do rio, tambm no voei numa vassoura
sobre o pacfico, onde dizem que as correntes so timas... nunca me
permiti ser menos que Alvo Dumbledore. Estive em Hogwarts por 60 anos, e
sei o nome de cada aluno que passou por aqui, de alguns lembro mais, de
outros menos. Antes que me esquecesse de algum, decidi escolher meu
sucessor e partir, porque eu tambm no gosto de despedidas
definitivas... assim sendo, Minerva, fique avisada que Hogwarts agora 
comandada por voc, e conte com os outros para que a ajudem.

A todos, at breve. Fawkes vai comigo, sabero que fui embora de vez
quando ela retornar.

Alvo Dumbledore"

A professora Minerva tinha lgrimas nos olhos, o salo estava em
silncio. Mais de mil corujas entraram pelas janelas, largando sobre
cada aluno uma carta particular do professor, que passara os ltimos
meses escrevendo-as. A de Harry dizia:

"Eu no ensinei a voc tudo que sei, mas ensinei tudo que podia.
Continue aprendendo com outros, e ensinando quem precisar de voc. E
nunca desista depois do primeiro sinal negativo. Ele pode ser falso.

Alvo Dumbledore"

 

        Harry olhou a carta, e guardou-a . No desistira... apenas mudara de
idia. Bianca sorria para ele. Tudo sempre fora mais fcil com ela..

 

Era para ser o fim, mas...

CAPTULO 21 - ... PORQUE NEM TODAS AS HISTRIAS ACABAM NO FIM.

        Depois que deixou Hogwarts, Harry ficou com Sheeba e Sirius por dois
meses, antes de ir para a Alemanha. Bianca foi a nica que passou as
frias com ele, que procurava ser amvel e gentil com ela, pois ela era
exatamente assim com ele. Mas  medida que ia aumentando a intimidade
entre eles, Harry tinha a ridcula sensao de estar sendo um canalha.
Mas agora no tinha mesmo volta. Eles haviam ficado noivos, ele quisera
isso. Era melhor aprender a amar Bianca como ela era.

        No Deserto de Nevada, muito longe dali, Mina passava as noites sentindo
que cometera ela tambm um grande erro ao aceitar a proposta de
casamento de Troy Adams. Ela ainda nem terminara a escola, e ele com
certeza ia querer que ela abandonasse tudo para ficar com ele, se o time
americano ganhasse a copa, seria pior, haveria publicidade, os
reprteres eles estariam em todos os lugares... aquela infernal Rita
Skeeter, sempre atrs dos dois. Porque no voltava para a Inglaterra? 

        A copa Mundial chegou, e desta vez a final seria na Frana. O time da
Irlanda, considerado por todos o favorito, foi derrotado pela seleo
Norte Americana numa semi final emocionante. O capito americano, Troy
Adams, era a sensao desta edio da copa, como fora Victor Krum na
ltima. Krum alis, agora aos vinte e dois anos, era ainda o apanhador
da Bulgria, que era o outro time na final. Rony conseguiu ingressos com
muita facilidade, e nem precisou de seu pai para isso: as filmagens de
"A Expulso de Salmonella" eram to badaladas, que era s pedir a algum
puxa-saco. Ele lembrou-se de Harry e foi buscar o amigo na casa de
Sirius.

        Chegando l, constatou que no havia ningum, apenas Smiley, que avisou
que haviam ido para a Maternidade St Morgunsen, onde Sheeba estava tendo
o beb. Rony, que passara recentemente na prova de aparatao, aparatou
na mesma hora na maternidade. Procurou o quarto de Sheeba, o beb j
nascera. Ele entrou rapidamente no quarto e viu Harry com Bianca, que
segurava Hope no colo, e todos os habituais visitantes de Sheeba, seus
amigos esquisitos, como as bruxas Beth Fall (me de Bianca) Liza
LionHeart, Hannah Summer (que dizia toda hora estar grvida de gmeos) e
Alexandra Wolf, que fez um escndalo ao v-lo:


. Mas  Rony Weasley!!!! Eu vi todos os seus filmes  ela se
aproximou como uma bala, colando nele, que disse assustado:

. Mas eu s fiz dois...  Harry pediu licena a Bianca e puxou
Rony para longe da Bruxa. 

. Isso no faz mal para o Beb no?  Rony perguntou apontando a
algazarra no quarto   menino ou menina?

. Menino. Vai se chamar Celsus. Ningum sabe de onde Sheeba
tirou esse nome.

        . E voc?

        . Tudo bem. Vou para a Alemanha semana que vem.

        . E Bianca? 

        . Vai para o Japo, aprender a fazer brinquedos mgicos

        . E... vocs?

        . Continuamos  Harry deu de ombros  voc sabe...

. Sei, sei... escuta, eu queria te chamar para uma coisa... da
Alemanha para a Frana  um pulo... vamos  final do Mundial?

        . No. No posso - Harry ficou frio.

        . Porqu? O que deu em voc para passar a odiar Quadribol?

. Nada... Rony, eu vou comear um curso importante, de cinco
anos... o ministrio est investindo em mim. Eu no posso largar tudo
para ver Quadribol.

        . Harry, o que voc est me escondendo?

        . Nada.


        Mas Rony acabou descobrindo o que Harry escondia no dia da final do
mundial. Ele estava com Hermione e os Gmeos, que haviam apostado uma
fbula na Seleo Americana, porque entre outras coisas estavam agora
morando l e sabiam como Troy Adams era bom, quando viu no camarote de
honra da seleo americana uma pessoa. Cutucou Hermione:


. Hermione... aquela no  Willy?  Hermione apontou os
ominoculares para ela e deu um gritinho. 

        . Imagine quando Harry souber que a encontramos!


        Depois do jogo tentaram falar com ela, mas uma multido de reprteres
do Profeta Dirio, Da Bruxa Semanal e do Planeta Mgico os cercaram.
Rony escreveu um bilhete rpido para Harry e mandou por uma coruja. Dias
depois, a resposta chegou e ele no entendeu nada:  "Eu j sabia"  dizia
um lacnico bilhete. Naquele momento Rony desistiu de tentar entender
Harry.

        Muito longe dali, em Nova Iorque, Sue Van Helsing passava frias de
vero com seu pai. Olhava Manhattan quente e alegre pela janela, mas
sentia-se ainda triste. Nunca mais ele lhe escrevera. Ela sentia falta
das cartas escritas com tinta dourada em pergaminho negro, mas sentia
muito mais falta de Draco... seu Draco. Nesse momento algo a assustou.
Uma coisa pequena entrou voando pela janela e bateu no seu ombro. O
corao dela acelerou... era uma corujinha como a que entregara cartas
para ela na Itlia. Ela abriu correndo um bilhete, e reconheceu a
caligrafia dele : "Estou no parque. Traga a coruja, ela  muito nova, se
perde  toa, D"

         Ela desceu correndo para o parque, repentinamente uma coisa lhe
ocorreu... O parque era enorme. Onde ele estaria? Ela entrou no parque e
foi andando. Algum cobriu seus olhos e ela ouviu uma voz atrs dela
dizer:

        - Descobri que ainda sou maldoso, e eventualmente, propenso  inveja.
Sou arrogante, e gosto de ser assim. Detesto elfos domsticos, mas
tolero crianas... tambm no gosto de gatos, principalmente se forem
peludos, mas tenho um fraco por pssaros, e j tenho uma coleo com
treze corujas. Mas na maior parte do tempo, estou tentando me tornar uma
pessoa melhor. - Ela sentiu que ele punha algo em seu pescoo e
virava-a, olhando de frente  Uma gota de sangue, para voc ficar
comigo.

        Sue no tinha palavras, simplesmente beijou Draco e deixou qualquer
pergunta para depois.

        Harry olhou seu pequeno apartamento na Alemanha, era a primeira casa
que tinha sozinho. Iria ficar ali pelos prximos cinco anos. Era
pequeno, mas decente. No precisara tocar no dinheiro de seus pais para
mant-lo. O Ministrio estava dando-lhe uma bolsa, era simples, mas dava
para viver. Atirou-se na cama e mergulhou num sono sem sonhos,
procurando no pensar no tempo  sua frente.

        O tempo passa para todos, e para ele no foi diferente. Nos cinco anos
em que passou na Alemanha, Harry Potter tornou-se um homem. Seus ombros
se alargaram, sua voz engrossou definitivamente, ele agora precisava
fazer a barba todo dia, mas as espinhas no eram mais problema. Era o
ltimo dia do curso, ele agora era um Auror, mas no convidara ningum
para a formatura, apenas Bianca. Ela chegou pela manh ao apartamento
dele, parecia diferente.


. Ol Harry  ela disse, desviando o rosto quando ele quis
beij-la. Ele estranhou:

. O que houve?  ela levantou os olhos para ele. Sim, ela ainda
era linda, mas ele sabia que ela finalmente percebera que no deviam
ficar juntos.

        . Harry. Voc lembra da ltima vez em que estivemos juntos?

        . Claro. Como eu ia me esquecer?

. Bem, eu ouvi voc dizer algo enquanto dormia, e procurei me
enganar... procurei pensar que voc estava apenas... fantasiando.

        . O que eu disse?

. Voc sonhou com aquela noite... aquela em que a fadasombra
esteve em Hogwarts.

. Isso  bobagem, Bianca. Eu sempre sonhei com isso, voc nunca
se importou.

. O problema no foi esse... depois voc sonhou com outras
coisas... acho que com Dumbledore.

        . H anos que no sonho com ele.

. Mas nessa noite voc sonhou. E disse algo que me magoou muito.
Voc disse: " melhor ficar com Bianca, Dumbledore...com ela  tudo mais
fcil.".. entenda, Harry, eu no quero me machucar mais... j bastam os
cinco anos em que pensei que voc era meu... adeus  ela entregou a ele
o anel e ele ficou olhando-a partir. Era a segunda vez que Bianca
terminava com ele e ele no sentia nada.


        Depois da formatura, Harry partiria para a viagem mundial que todo
Auror fazia ao se formar. Mas antes, queria fazer umas visitas. Comeou
pelos Weasleys.

        Mesmo sendo Ministro da Magia, Arthur Weasley permanecia morando na
Toca, mas a Toca agora parecia outra casa, tinha sido reformada por
dentro e por fora, mas ainda parecia meio torta. Agora apenas Gina
morava com eles... o romance entre ela e Neville no dera certo, ele
ainda era muito infantil, mas ela no parecia sofrer por isso.
Tornara-se professora, depois de dois anos em High Hill, ia agora para
Hogwarts. Seria bom para ela. 

        Antes de ir para Hogwarts, foi visitar Rony e Hermione, que haviam se
casado e moravam em Londres, numa casa to grande quanto bonita. Ele
chegou e foi atendido por um elfo domstico (elfo domstico remunerado!)
vestido de mordomo.


        . A quem devo anunciar?

        . Potter. Harry Potter. 


        Hermione veio vestida numa elegante veste verde at ele e o abraou,
ela havia se tornado uma mulher muito bonita, e agora trabalhava para o
ministrio da magia em controle e monitoramento, no cargo que um dia
pertencera a Mario Murad. E descobrira formas novas de monitorar casas
que antigamente eram verdadeiras "caixas pretas", era difcil enganar
Hermione.


. Harry. Voc est to igual... quer dizer, maior... mas parece
o mesmo, talvez mais alto que em Hogwarts.

        . Um metro e oitenta e cinco. Quase do tamanho de Rony.

        . Bem, ele agora est um pouco maior que isso...


        Harry tomou um susto. Rony entrou na sala, estava do tamanho de Hagrid


        . O que te fizeram, cara?

. Vou interpretar um meio gigante no prximo filme, gosta? 
meio chato porque eu toda hora bato a cabea... mas o filme vai ser bom
foi o maior cach que j recebi, trinta e cinco mil galees.

        . Rony, voc est rico!

. Estou. No  engraado, depois de vrios anos usando roupas
herdadas e varinhas quebradas? Mas eu valho para eles cada centavo que
ganho... eles lucram muito mais

. Pare de reclamar  Hermione o recriminou  E voc Harry? Vai
trabalhar conosco no Ministrio?

. Vou trabalhar na agncia internacional. Talvez eu fique cada
ano em um pas.

        . Uau! Parece timo!  Disse Rony

        . Eu escolhi por isso.

        . E Bianca?  Rony perguntou, sem graa

        . Terminamos

        . Eu imaginei... voc quer ver uma coisa gozada?

. Rony, voc no vai mostrar aquilo para ele, vai?  Hermione
disse chocada

. Mas claro que vou  Rony fez surgir uma TV e um vdeo cassete
 essa  a fita de meus irmos... , vdeo  coisa de trouxas... mas
agora  legal, lembra, a reforma que meu pai est promovendo, tambm ele
adora coisas de trouxas... o vdeo vai comear:


        A televiso se iluminou e Fred e Jorge Weasley apareceram, vestidos com
roupas cintilantes e turbantes. Era um comercial de TV:

        "Se voc est triste, chateado, perdeu o seu amor... consulte-nos.
Somos os magos Magnficos"  disse Jorge no vdeo, com a cara cnica de
sempre

        "S a verdadeira magia pode ajudar voc a descobrir seu caminho...
Ligue j para os Magos Magnficos!"

        O vdeo apresentava coisas para trouxas acreditarem, inclusive uma
entrevista com David Letterman em que eles desfilavam toda sua cara de
pau. Quando terminou, Hermione estava encolhida de vergonha e Harry e
Rony rolavam de rir.


        . O que  isso?

. Eles conseguiram um emprego no Ministrio Americano como
enroladores profissionais... e ainda ficam com todo dinheiro dos trouxas
que eles arrecadarem... o objetivo disso  que os trouxas deixem de
acreditar, mas eles no deixam nunca!

        . E a bala de Lobisomem?

. Ah, aquilo no deu muito certo, agora eles esto finalmente
ficando ricos... os trouxas realmente acreditam neles.

        . Eles so a vergonha da famlia  Disse Hermione, mau humorada.


        Depois Harry foi para Hogwarts, que estava em frias. L haviam tambm
algumas surpresas. Neville era professor de Herbologia desde que Madame
Sprout decidira se aposentar. Mas agora, assumiria a vaga de... poes.
Era incrvel, mas ele se tornara um exmio fazedor de poes.


. Na verdade, saber Herbologia ajuda muito... e depois que eu
vim dar aula aqui, o professor Snape me ensinou mais que quando fui
aluno.

        . O que aconteceu com ele?

        . Foi embora.

        . Para onde?

. Ningum sabe dizer. Ele disse que o que o mantivera aqui fora
Dumbledore... assim que ele saiu, ele procurou um discpulo para
preparar e deixar em seu lugar.

. Voc?  Neville concordou com a cabea, e falou ainda que
esperava aque agora que Gina vinha para Hogwarts dar aulas, que
reconsiderasse sua ltima deciso em relao a ele.


        No Jardim de Hogwarts trs crianas brincavam com Hagrid. Eram Hope,
Celsus e Claudius, filhos de Sheeba e Sirius. O menor, que estava com
trs anos, era Claudius, que Harry nunca vira. Hope estava com seis anos
e meio e veio correndo na direo dele. Usava luvinhas protetoras.

        - Tio Harry!  Ela pulou no colo dele e os outros o seguiram. Ele fez
festa nas crianas, Hope era um retrato perfeito e acabado de Sheeba.
Claudius parecia com Sirius, mas Celsus lembrava um pouco dos dois.
Quando j estava h muito tempo com as crianas, Sirius e Sheeba
apareceram. Os cabelos dele estavam comeando a ficar grisalhos, mas de
resto ele parecia o mesmo. Sheeba era a mesma que vira entrar pela porta
do trs vassouras h sete anos, talvez apenas com umas poucas rugas em
volta dos olhos

        Eles falaram de tudo sobre Hogwarts, Sirius era agora o diretor da
Grifnria. Havia um novo professor, oriundo da Sonserina, que ficara no
lugar de Flitchwick, que tambm se aposentara. No resto, Hogwarts era
sempre Hogwarts. Sheeba tambm comentou que Silvia Spring e Lupin haviam
tido um filho, Neil, que j estava talvez com dois anos... dependia de
quanto tempo eles estariam no mundo das fadas.

        Antes de ir embora, ele teve que olhar a paisagem da sala de
transformao. Pensou em tudo que passara e sorriu. Pelo menos tinha
boas recordaes. Quando saiu da sala, Encontrou Sirius. Ele o levou at
a garagem de sua casa e deu a ele um imenso molho de chaves.


        .  sua. Presente de formatura

        . Mas,  sua moto!

. Harry, com trs filhos fica ligeiramente difcil ter tempo
para andar de moto...  melhor d-la a algum que v curtir estar com
ela.


        Quando comeou a sua viagem, escolheu Nova Iorque como ponto de
partida. Queria visitar Sue e Draco. Ele chegou e encontrou Draco s em
casa, era o comeo da noite e ele estava cuidando do primeiro filho do
casal, que obviamente se chamava Draco Van Helsing Malfoy.


        . Porque voc est sozinho com o beb?

. Sue saiu, apareceu um vampiro terrvel em Hells Kitchen e John
chamou-a .Eu iria junto se no tivesse trabalhado o dia inteiro no
ministrio, desde seis da manh. Na verdade, no estou sozinho...
Seorita Suenna!


        Uma mexicana gorda veio se balanando de dentro da cozinha, sorrindo
muito. Ele disse algumas coisas em espanhol para ela e ela levou o beb
adormecido. A casa de Sue e Draco era um misto divertido de coisas
bruxas e coisas trouxas. Draco chamou Harry e ligou o computador.


. Veja s uma coisa - ele conectou o computador na internet e
mostrou a Hrry um sem nmero de pginas sobre bruxos  voc  citado
numa delas. Mas ningum acredita que sejamos reais  Draco riu. Ento
tomou coragem para entrar no assunto que procurara evitar:

        . Harry, voc quer saber o que aconteceu realmente a Willy?

        . No. Provavelmente ela se casou.

. No. Ela no se casou. Troy Adams  muito meu amigo. Foi por
causa dele que eu nunca disse a voc que sabia onde ela estava e que
tudo fora feitio de memria  Harry olhou-o aborrecido. Achava que
haviam se tornado amigos.  Eu sei o que est pensando, Harry. Mas veja
se concorda comigo: Se no stimo ano eu e Rony estivssemos interessados
pela mesma garota... a quem voc iria ajudar?


        Harry compreendeu Draco e apertou sua mo. Ele disse ento:


. V ao Deserto de Nevada, siga a estrada at o KM 66. A av
dela mora l... e ela tambm. Nunca quis se casar com Troy. Deu o fora
nele logo depois da copa Mundial.


        Harry saiu de Nova Iorque e quando deu por si, estava dirigindo a moto
furiosamente por uma auto estrada no deserto, nem precisara levantar
vo... fizera a moto aparatar no deserto. Em poucos minutos, viu a placa
KM66, e rodou at que viu um caf, onde parou. Estava uma noite escura
no deserto, mas l de dentro vinha luz, havia um ou dois carros parados
 porta. Ele empurrou a porta e entrou .

        Parecia um caf de beira de estrada comum, com gente sentada nas mesas.
Uma garonete ruiva andava entre as mesas. Ele percorreu com os olhos o
ambiente. Haviam dois casais numa mesa, um senhor lendo jornal, um velho
olhando pela janela, sozinho em um canto... Olhou o balco e viu que a
mulher atrs dele o reconhecia. Era a av de Willy. Ela ficou parada,
contemplando-o muda. S ento ele viu uma moa sentada de costas para
ele no balco, fazendo desenhos imaginrios na superfcie do balco com
os dedos.


. Willy?  Ele perguntou, mas a moa no se voltou. Ele tomou
coragem e tocou o ombro dela. Ela virou-se e se espantou.

        . O que voc est fazendo aqui?

        . Voc lembra de mim?

. Quem no sabe quem voc , Harry Potter? Meu nome  Mina, me
deixe em paz.  Ela virou-se e ele subitamente entendeu que ela no o
reconhecia... fora mesmo feitio de memria. Ele olhou magoado para a
av dela, atrs do balco e perguntou: - Por qu?

. Isso importa?  A velha tinha um olhar cansado  Estou h seis
anos achando que a qualquer momento voc ia entrar e lev-la... se voc
quer saber, eu a tirei de voc porque tive medo de v-la sofrer. O fato
de minha melhor amiga ter Toque de Cassandra e ter dito o que ia ser
solto em Hogwarts ajudou um pouco. Primeiro eu fiz que ela esquecesse,
acreditando no que estava fazendo. Depois, menti, para que ela nunca
lembrasse. At que vi que estava errada. E comecei a esperar voc vir...
demorou mais que eu imaginei. Eu queria salv-la mas estava com medo de
ter estragado sua felicidade.


        Willy assistiu esse dilogo sem entender nada. Ela olhava para a av e
para Harry, respirando como um bichinho, rapidamente. Ele olhou para ela
e disse:


        . Willy, voc no lembra mais de mim?

. Leve-a l fora, rapaz  a av disse  l fora ela vai te ouvir
melhor.


        Ele olhou para ela, que prosseguia sem entender nada e a chamou. Ela
foi, sem saber porque estava indo. Os dois se olharam por alguns
minutos, e ele repetiu a pergunta:


. Willy, voc no lembra mais de mim? No lembra da noite em que
voc me beijou, e eu fiquei surpreso, estvamos na sala de
transformao... depois ns libertamos o fogo sagrado, e voc lutou com
Voldemort com bravura, mesmo sendo to pequena... e ns vimos nossos
pais, vivos e bem no passado. Voc lembra do beijo que demos? Lembra da
emisso mgica involuntria? Lembra, das noites em que namoramos olhando
a lua refletida no lago de Hogwarts?  ele deu um passo em direo a ela
, e a pegou pelos ombros  Lembra da noite em que sua av te levou de
mim?


        Willy olhou-o com um olhar vazio, tudo que ele dissera parecera confuso
e sem sentido. Ela balanou a cabea... ele estivera em seus sonhos, mas
no era possvel, no era possvel que fosse verdade. 


. No brinque com meus sentimentos, Harry Potter  ela
afastou-se dele e deu-lhe as costas. Ele achou que agora estava tudo
perdido e foi andando, era melhor ir embora. Chegou perto da moto e
pegou o capacete.


        Subitamente, ela lembrou-se o que faltava em seus sonhos, e era aquilo
que ela desenhava com os dedos no balco, era o que ela nunca reparara
nas fotos em que vira Harry Potter... era o que acabara de ver de
relance... Uma cicatriz em forma de raio...Harry Potter? No. Agora ela
lembrava-se, para ela ele era apenas...


. Harry!  Ela correu em direo a ele, que j subira na moto,
ele desceu como uma bala e a abraou. Os dois se beijaram por muito
tempo, e talvez todo o tempo do mundo no fosse suficiente para aplacar
aquela saudade, uma saudade de mais de seis anos, viva, forte e ardente.
E eles riram e choraram ao mesmo tempo, e abraaram-se com fora,
indescritivelmente felizes por estarem finalmente juntos.

. Eu me lembro, Harry, eu me lembro. O que te aconteceu? Porque
minha av fez isso?

        . No importa mais, Willy. Vamos embora.

        . Para onde?

. Para onde voc quiser, contanto que seja comigo. Eu te amo e
no vou te perder de novo. 


        A av dela apareceu na porta. Tinha uma expresso triste.


        . Perdoe-me, Mina...

. Meu nome  Willy, vov. No sei porque fez isso... mas eu te
perdo. Eu no sei porque, mas sei que voc sofreu muito.

. Pegue suas coisas e v... Escreva sempre, eu sentirei
saudades.


        Em poucos minutos, Willy arrumava suas coisas, sendo ajudada por Harry.
Subitamente ela parou e olhou para ele:


        . Meu pai... ele morreu, no morreu?


        Harry balanou a cabea tristemente em assentimento. Lgrimas surgiram
nos olhos dela e ele aproximou-se:


        . Mas ele morreu como um heri, e pensando em voc, Willy.


        Ela enxugou as lgrimas e continuou arrumando as coisas com ele. Quando
tudo estava arrumado, eles subiram na moto e deram adeus a av dela.
Harry mandou a moto seguir e eles dispararam pela estrada do deserto.


        . Essa moto  a moto de Sirius? Ela ainda voa?

. Sim e sim, segure-se  ele embicou a moto para o cu e ela
subiu, disparando em direo s montanhas alm do deserto. Igraine ouviu
o "kakaka" da risada da neta se distanciando e entrou no caf. 


        Foi andando na direo do velho, que continuava sentado na mesa olhando
pela janela, uma expresso vazia no olhar. Ela ps a mo direita sobre o
ombro dele e disse:


        . Agora somos s ns dois, Tom.


        Os olhos vazios do velho voltaram-se para ela, e ele sorriu. No fundo
de seu olhar, ainda havia um brilho avermelhado em algum lugar.

----------

fim

Antes que algum me pergunte como acaba a histria, eu respondo: nunca
acaba no fim.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

        

        

         

 

        

        

 

 
